Beto vence e reduz Requião, Gleisi et caterva a nanicos

A eleição para governador do Paraná, exatamente como todas as inteligências da terra previam, terminou no primeiro turno. De nada serviram as bravatas de Requião e sua trupe, que anunciavam segundo turno e uma bala de prata que virou motivo de chacota e passa a fazer parte do folclore político nativo de todos os tempos.

De nenhuma utilidade foi a estranha aliança final de Requião com Gleisi Hoffmann, a petista mal votada, que atrelou-se à candidatura de Requião para tentar salvar a honra das oposições e organizar um palanque para o segundo turno de Dilma Rousseff.
Para nada serviu a artilharia organizada para bater em Beto Richa na internet. O sistema de muitos blogs, muitas páginas no facebook, milhares de mensagens por e-mail e outros meios fracassou. A pouquíssima inteligência na formulação dos conteúdos, baseada em acusações grotescas e inverossímeis, só serviram para alimentar o público interno do PT e do requianismo.

Pois, pois, Beto Richa venceu, de tala erguida, com 55% dos votos. Requião e Gleisi, somados, fizeram 42%. Mais os nanicos, 44%.
Mais uma prova da força eleitoral de Beto Richa. Ele conseguiu alavancar a candidatura de Aécio Neves no Paraná. Aqui, o presidenciável tucano fez 49,79%, 3.018.294 votos, contra 32,54% de Dilma Rousseff (PT), que teve 1.972.258 votos. Marina Silva (PSB) teve 14,20%, e 880.644 votos. Na disputa presidencial, Aécio Neves fez cerca de 50% dos votos contra 32% de Dilma Rousseff e 14% de Marina. Uma virada emblemática que expõe a decadência de Requião, de Gleisi e do PT.

Gleisi Hoffmann, que em novembro do ano passado era anunciada como grande favorita para vencer, fez a campanha mais desastrada de toda a história do PT no Paraná, desde a candidatura de Henrique Pizzolato, hoje um fugitivo da Justiça condenado no processo do Mensalão.

Não foi Dilma Rousseff que atrapalhou Gleisi Hoffmann no Paraná. Pode-se dizer o contrário, pois Dilma fez quase dois milhões de votos. Gleisi fez apenas 880 mil. Mais uma vitória de Beto Richa (PSDB).

O ex-governador Orlando Pessuti bem que avisou: a candidatura de Requião ao governo levaria o PMDB ao desastre. Não deu outra. Além da derrota acachapante nas majoritárias, Requião com 27% dos votos, Marcelo Almeida com pífios 8%, o partido perdeu 5 cadeiras na Assembleia Legislativa. Sua bancada desceu de 13 para 8 cadeiras. Destas, 4 de adeptos de Beto Richa.

Os partidos de oposição minguaram. Beto Richa inicia seu segundo mandato com absoluta maioria na Assembleia. No Paraná, nenhum petista conseguiu estar entre os 20 mais votados deputados estaduais. E entre os federais, apenas 2. Zeca Dirceu e Ênio Verri.
Ou seja, do requianismo salvou-se o filho de Requião, Maurício, que elegeu-se estadual. Emblemática foi a derrota de Rodrigo Rocha Loures, que se apresentava como candidato a deputado federal de Michel Temer, vice-presidente da República, escudeiro de Requião nas brigas internas do PMDB. Não conseguiu uma vaga como deputado federal. Agora vai lutar para que Dilma Rousseff continue presidente e assim assegurar uma sinecura com o vice protetor.

A fracativa candidatura de Gleisi Hoffmann ajudou a reduzir o PT à condição de partidinho nanico. De sete deputados, agora lhe restam apenas 3 na Assembleia Legislativa: Professor Lemos, Tadeu Veneri e Péricles de Mello. Enquanto isso, o tucano Alvaro Dias (PSDB) foi reeleito senador pelo Paraná e chega ao quarto mandato como senador da República. A vitória veio com 97% das urnas apuradas, com 3.994.209 votos, o que corresponde a 77,10% dos votos válidos. Ricardo Gomyde (PC do B), aliado de Gleisi, teve 12,45%, e Marcelo Almeida (PMDB), aliado de Requião, amealhou 8,72% dos votos válidos.

O professor Aroldo Murá fez um balanço interessante do resultado da eleição, elencando os herdeiros, os religiosos, as surpresas, os surpreendentes e os reprovados. Diz ele que há boa variedade de cognomes com os quais se pode dissertar em torno dos resultados das urnas no Estado, na área do legislativo do Paraná. É o que segue: Os herdeiros, por exemplo, formam um universo em franco crescimento na Assembleia Legislativa do Paraná. Ou, como diz uma amiga da coluna, “eles são parte da Monarquia…”.

 

Christiane

Dos 30 deputados federais que o Paraná elegeu para a Câmara Federal, em Brasília, a candidata Christiane Yared (PTN) foi a mais votada, com cerca de 200 mil votos, seguida por Alex Canziani (PTB), que teve 187 mil votos. Foto: Reprodução/facebook.com/ChristianeYared.1900

O sucesso

Os eleitos domingo para a Assembleia, que bem definem essa tendência de continuidade no Legislativo, começam por Requião Filho, filho do senador Roberto Requião, derrotado agora na sua tentativa de governar o Paraná pela quarta vez. Jovem, na casa dos 20 anos, ele vai conviver na AL com outras cabeças coroadas dessa “monarquia”.
A mais bonita delas, com certeza, é Maria Victoria Borghetti Barros, filha da vice- governadora Cida e do ex-prefeito de Maringá, e que volta à Câmara dos Deputados, Ricardo Barros.

Maria Victoria não é apenas um rosto lindo, uma personalidade que toma conta dos ambientes. É especialmente uma jovem bem preparada, com formação em hotelaria e turismo na Suíça, China e Estados Unidos, e com larga cancha como “globe-trotter”.

 

As pisadas de Hermas

O deputado Evandro Jr. segue as pisadas do avô, Hermas Brandão, que presidiu a Assembleia e foi coordenador da última campanha de Requião.
Hermas Brandão Neto também está na Casa, ao lado do primo Evandro; Bernardo Carli dá continuidade à vida pública do pai, Fernando Ribas Carli, que foi deputado federal e depois prefeito de Guarapuava, tendo sido também chefe da Casa Civil do primeiro governo Lerner.
Bernardo substitui no Legislativo o irmão, retirado da vida pública depois do rumoroso caso de morte – em acidente – que teria provocado, atingindo dois jovens, anos atrás.

 

Amaral, Lupion e Litro

Tiago Amaral chega à AL para dar continuidade à vida pública de Durval Amaral, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado; Artagão de Mattos Leão Filho volta à Assembleia, onde continua a carreira política de seu pai, o presidente do TCE, Artagão de Mattos Leão; Ney Leprevost não é estreante na Assembleia, nem na vida pública. Mas é parte de uma linhagem política curitibana, tendo tido um avô prefeito da cidade; Pedro Lupion descende da linhagem dos Lupion, cujo nome mais significativo foi seu avô, Moisés Lupion.

O pai de Pedro, Abelardo Lupion, sempre esteve nas avaliações do DIAP entre os deputados federais mais influentes no Congresso, e agora passa a se dedicar exclusivamente às suas fazendas; Paulo Litro Filho foi eleito deputado estadual, posição já ocupada por seu pai e sua mãe.

O candidato eleito a deputado estadual Ratinho Júnior (PSC) foi o mais votado nas eleições que definiram os 54 parlamentares da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na próxima gestão. Foto: Reprodução/site vanguardapolitica.com.br

O candidato eleito a deputado estadual Ratinho Júnior (PSC) foi o mais votado nas eleições que definiram os 54 parlamentares da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na próxima gestão. Foto: Reprodução/site vanguardapolitica.com.br

Anibelli, Bueno e Khoury

A lista dos que na AL comporão a continuação de linhagens políticas paranaenses é grande: Anibelli Neto, cujos pai e avô o antecederam na AL; André Bueno volta a AL em que seu pai, Edgard, anos atrás, foi deputado (hoje é prefeito de Cascavel).

Há aqueles que não são estreantes em cadeiras no legislativo estadual, mas, ao voltarem à AL, confirmam quão consistente é a “tradição” que os envolve: são membros de oligarquias políticas do Paraná muito notórias. É o caso de Alexandre Khoury, neto do antológico Aníbal Khoury, de quem herdou o carisma (dizem), um amplo rol de cabos eleitorais fiéis e vultoso patrimônio material que lhe pode apoiar em investidas eleitorais.

O universo dos deputados paranaenses identificados com linhagens políticas, que remontam há dezenas de anos, contempla também Plauto Miró Guimarães, solidamente garantido pelo eleitorado dos Campos Gerais, em cuja ancestralidade aparece um senador; e Nelson Justus, igualmente de amplas ramificações políticas familiares, a partir de Ponta Grossa.

Infografia: Carlos Garcia Fernandes/Revista ideias

Infografia: Carlos Garcia Fernandes/Revista Ideias

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