Faça as pazes com o passado

Existem pessoas que passam uma vida inteira presas ao passado. Não vivem o presente, pois sequer o percebem. Estacionadas no tempo, não o veem passar. Em função disso, são sempre surpreendidas com sua passagem. Perdidos na linha do tempo, jamais se atualizam, pois não conseguem entender, aceitar ou perdoar o seu passado. Não entendem porque algo lhes aconteceu. Não aceitam uma separação ou uma morte e, por fim, não perdoam alguém que lhes possa ter causado algum mal, consciente ou inconscientemente. São implacáveis no julgamento e na condenação.

Desperdiçam uma vida por não perceberem que são as próprias responsáveis por essas lembranças. Não carregam apenas o piano nas costas, mas, também, o banquinho e o pianista. Arrastam correntes pesadas, revivendo, diariamente, suas dores envoltas às suas próprias lamentações. Reféns dessas lembranças vivem uma vida empoeirada.

Se pudessem perceber que o passado é uma referência em nossas vidas, mas não é o todo de nossa vida, talvez lograssem a mudança necessária. Entender que é um capítulo já escrito e que pode ser relido em algum momento, porém, jamais poderá ser mudado. Uma dor que já doeu, deveria ter um caráter pedagógico no aprendizado dessa maravilhosa escola chamada vida.

Buda já nos dizia, “a dor é o veículo da consciência”. Tem que ser esclarecedora, tem que trazer crescimento, senão fica a dor pela dor, sem o aprendizado necessário.
Sabemos todos que a dor é inevitável diante de certas situações: morte de um ente querido, grandes perdas financeiras, separações, etc., já o sofrimento é opcional, pois se não há a compreensão dos fatores que a geraram, não haverá o desenvolvimento da consciência, tão pouco haverá mudanças.

Muitas vezes, a solução para essas situações está em simplesmente perdoar. Seja alguém ou a si mesmo. Exatamente, muitas vezes precisamos perdoar-nos, entendendo e aceitando nossa possibilidade de falha, sabendo que naquele momento do erro talvez fosse aquela a alternativa que nos pareceu melhor. Não é justo julgar-nos após tanto tempo. Nosso pensamento muda, nossa realidade muda. Devemos ser mais complacentes conosco e também com os outros. A sensação interior que advém do perdão é sublime, nesse momento, saímos da pequenez humana para experimentar algo mágico, grandioso, mas que, infelizmente, muitos renegam.

Perdoe. Perdoe-se. Faça as pazes com o seu passado para bem viver seu presente e mudar a perspectiva de seu futuro.

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