Herança macabra

Este é o ano dos filhos na nossa eleição. Nunca vi uma eleição tão familiar. Se somarmos netos, sobrinhos e afins, acho que temos uns 50% dos candidatos disputando o feudo. Filho de peixe, peixinho é, é isso? Então não voto em nenhum dos dois, nem no pai, nem no filho.

Qualquer pai que ache que a vida de político é uma coisa a se passar de herança pra seu filho não merece meu voto. Qualquer filho que queira fazer isso da vida também não.
Política deveria ser vocação, paixão. Conheço poucos, pouquíssimos, que têm esse comprometimento. Fazer disso um negócio familiar não me representa. Nunca pensei ver no Paraná essa tendência coronelista que tanto criticávamos quando ouvíamos as histórias das oligarquias nordestinas (sem preconceito) eternizadas no poder. Famílias que dominam a prefeitura, a câmara, a assembleia, o palácio do governo, isso era uma realidade distante. Não mais.

Obviamente temos exceções e famílias muito sérias na política. Conheço muita gente que honra e muito o nome que carrega. Gente que trabalha por um ideal, um projeto, uma visão de cidade ou Estado, mas, cá entre nós, é tão minoria que não deve chegar a 1%, mesmo contando com a margem de erro para mais.

A renovação de pessoas na política é importante, revigora, transforma, areja. Agora, trocar pai por filho, sei não, me parece um caminho perigoso. Gente nova com discurso velho, é essa a sensação. Infelizmente, vendo a quantidade de filhos e juniores sorridentes nos cavaletes, parece que é uma tendência que veio pra ficar.

Então, cuidado, se a moda pegar, ou no caso eleger, poderemos correr o risco de ter uma sociedade estagnada, onde nada muda. Depois dos filhos virão os netos, e por aí vai…
Tomara que eu pague com a língua e essa piazada mostre serviço. Mas, por enquanto, grito o brado do Jamil Nakad, chega dos mesmos!

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