A Bandeira do Divino

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De batismo ele é Eloir Paulo Ribeiro de Jesus, mas todos o conhecem como Poro. E é fácil conhecê-lo. Basta sair do continente, se aventurar em ilha e se entregar ao encantamento que é o esconderijo desse homem dedicado à preservação e divulgação, ao estudo e apreciação, à contemplação e criação.

Poro se esconde e se exibe na Ilha dos Valadares, em Paranaguá. O endereço: a Associação Mandicuéra, que tem de tudo um muito: cultura do Fandango, oficina de instrumentos, atelier de artesanato, casa de farinha, Capela do Divino, residência e a bela vista do Mar de Dentro. Lá, em seu paraíso aberto para quem tem apreciação por grandes valores, esse mestre do adufo passa os dias confabulando, ao lado de Aorélio Domingues de Borba, as ações para popularizar e manter a cultura caiçara.

Poro não bebe, mas oferece doce cachacinha aos seus visitantes; tem um tanto de timidez na fala, mas o sorriso é sempre aberto; é grandalhão, mas não há como contestar a habilidade das pontas dos dedos: esculpe miniaturas de todos os assuntos fandangueiros e produz instrumentos.

Entre lendas, trabalho sério e muito esforço, esse brasileiro dedica a vida ao que acredita e de vez em quando sai do seu paraíso para espalhar seus frutos em outras cidades ou nas comunidades vizinhas empunhando a Bandeira do Divino em emocionantes romarias.

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Foto: Luciane Chiarell

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