A cidade das crianças

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Quer uma pessoa melhor? Cuide da criança. Não tem novidade nenhuma nessa ideia. Educação, educação, educação, é tudo o que ela precisa para crescer forte, inteligente e saudável. Quer um cidadão melhor? Faça o mesmo. Eduque essa criança a conhecer e viver a sua cidade.

Estou nos Estados Unidos e sempre que venho pra cá fico impressionada com a diferença entre as nossas crianças, como elas se relacionam de forma diferente com o seu redor.
Toda grande cidade americana tem uma grande variedade de equipamentos voltados para as crianças. Tem aquário, planetário, bibliotecas, Museu de Ciências, de História Natural, de Tecnologia, you name it! Isso quando não tem todos. Além disso, os museus de arte (e toda grande cidade americana tem um bom museu) têm programas, exibições, alas inteiras voltadas para as crianças. E todo mundo vai nesses lugares sempre, faz parte da vida delas. Vão com passeios da escola, vão com os pais, com a família. A criança vive a cidade.

Somado a isso, as crianças americanas andam pela cidade. Andam a pé, no carrinho, de bicicleta, de metrô, no ônibus escolar. São acostumadas desde cedo a conhecer as ruas, os trajetos, os vizinhos. Usam o transporte público. Olham as pessoas, sentem os cheiros. A rua é o cenário das suas vidas e não algo que conhecem por trás de vidros pretos sempre fechados.

Como queremos criar pessoas comprometidas com mudanças e questões de mobilidade se nosso modelo é justamente o oposto? Carregamos nossos filhos pra lá e pra cá em redomas. Isolamos nossos filhos dessa experiência cada vez mais. Como uma criança que não se relaciona com a rua poderá se relacionar com a cidade?

Precisamos mudar urgentemente essa relação. Precisamos de pais mais corajosos, que deixem seus filhos saírem do ninho seguro para se aventurar pelo universo da cidade, explorar a diversidade da rua. Precisamos de cidades mais seguras. Precisamos ter a oportunidade de voltar pra rua.

Crianças precisam conhecer seus bairros, precisam ir à padaria da esquina, precisam comprar jornal na banquinha, andar com os amigos, tomar um sorvete na esquina. Se quisermos um mundo mais humano, mais justo, mais criativo, vamos precisar muito dessas crianças no futuro.

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