A galeria paranaense

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No Paraná, o PT perdeu as eleições no primeiro e no segundo turnos. De forma acachapante. Gleisi Hoffmann, do PT, teve votação pífia em Curitiba no primeiro turno. Apenas 11,65% dos votos. No segundo turno, Gleisi e seu marido, o ministro Paulo Bernardo, foram afastados para não contaminar a campanha presidencial de Dilma Rousseff com as denúncias de envolvimento no desvio de dinheiro da Petrobras, conforme delação do doleiro Alberto Yousseff e do ex-diretor da empresa, Paulo Roberto Costa. Dilma não escapou do fiasco.

Mesmo com os esforços do senador Roberto Requião, do PMDB, de Osmar Dias, do PDT, a presidente Dilma perdeu de 73% a 27% em Curitiba. Surra de criar bicho.
Gleisi e Paulo Bernardo são apenas as figuras do círculo mais alto do PT nacional que enfeitam a galeria paranaense de suspeitos em casos de corrupção. Revelados agora por Alberto Yousseff, o distinto casal é acusado por Requião de serem os responsáveis pela derrota geral das esquerdas no Estado. Ou seja, o esperto Requião se inclui entre as vítimas da débâcle do PT, PMDB e assemelhados em escala nunca antes experimentada desde a eleição de 1982, quando o PMDB chegou ao poder, ainda sob a ditadura militar.

A denúncia contra Gleisi Hoffmann publicada pela revista Veja e que caiu como pedra no estômago dos paranaenses, foi muito clara. Não deixa dúvidas. Leiam: “Alberto Youssef confirmou aos investigadores o que disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o dinheiro desviado da estatal para a campanha da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao Senado, em 2010. Segundo ele, o repasse dos recursos para a senadora petista, no valor de 1 milhão de reais, foi executado em quatro parcelas. As entregas de dinheiro foram feitas em um shopping center no centro de Curitiba.

Intermediários enviados por ambos entregaram e receberam os pacotes.” Em nota, a senadora disse que não recebeu nenhuma doação de campanha nem conhece Paulo Roberto Costa ou Alberto Youssef. Ora, pois, Gleisi Hoffmann foi secretária de Administração da Prefeitura de Londrina em governo petista e é difícil acreditar que não conhecia nenhum dos dois. Mas isso é o de menos.

Antes de Paulo Roberto Costa, o paranaense diretor da Petrobras responsável pelos desvios de dinheiro da estatal, e de Alberto Youssef, o doleiro de Londrina que lavava e distribuía o dinheiro desviado, o próprio Requião cansou de acusar Paulo Bernardo de corrupção.
Aliás, o PT paranaense teve em seus quadros especiais o paranaense de Toledo, Henrique Pizzolato, hoje preso na Itália, condenado no processo do mensalão. Ex-diretor do Banco do Brasil, Pizzolato operador financeiro do PT, irrigou os dutos de corrupção do mensalão, ao mesmo tempo que ajudava a viabilizar as campanhas do PT em seu Estado, o Paraná. Aqui foi candidato a Senador, a vice-governador e foi interlocutor privilegiado entre o PT estadual e os governos de Lula.

Agastada com a novela paranaense que por pouco não lhe custa a reeleição, a presidente Dilma Rousseff já sinalizou que não vai aproveitar em seu próximo governo nenhuma figura envolvida em denúncias de corrupção. Os paranaenses estão em desgraça. Gleisi Hoffmann, de pífia votação para o governo, não voltará à equipe. Seu marido, Paulo Bernardo, também denunciado pelo doleiro, ficará sem emprego graúdo. Gilbertinho Carvalho, ministro mantido por Lula, também sob grave suspeição, deverá trabalhar no Instituto Lula, segundo o que se ouve nos corredores de Brasília. Está fora dos planos de Dilma.

A galeria é extensa. E antiga. Tem muitos outros membros no reino lulopetista de Gleisi e Paulo Bernardo. O deputado federal André Vargas foi pego em flagrante no mesmo caso que coloca o doleiro Youssef no centro deste tenebroso enredo. Tentou negar, alegou que era apenas amigo de Youssef. Não colou. As gravações autorizadas pela Justiça deram à Polícia Federal provas suficientes de que o envolvimento de Vargas vai além de simples compadrio ou da aceitação do conforto de um jatinho privado para levar a família a uma praia do nordeste.

André Vargas é herdeiro do falecido José Janene, que sempre soube usar os serviços de Youssef à época em que era deputado federal e um dos elementos centrais do esquema do mensalão que irrigava a conta de deputados e senadores que compunham, em troca de gorda propina, a base de apoio do governo Lula e de Dilma Rousseff.

Paulo Roberto Costa foi indicado para a diretoria da Petrobras por José Janene e lá ficou pelos bons serviços prestados ao PT. Paulinho, como era tratado por Lula, nasceu em Telêmaco Borba,em 1954. Engenheiro e ex-diretor de abastecimento da Petrobras, é a figura central, ao lado de Youssef, do escândalo de desvio de dinheiro da empresa para irrigar os caixas do PT e de seus aliados.

Outra figura inquietante no PT nativo é João Vaccari Neto, tesoureiro nacional do PT, ex-bancário, sindicalista, era abrigado no Paraná em uma vaga do Conselho de Administração de Itaipu. Para não criar nenhum desconforto ao Planalto, o tesoureiro nacional do PT, acusado de participar do esquema de propinas da Petrobras, de acordo com delação de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, pediu desligamento de Itaipu, onde ganhava R$ 20 mil mensais para seis sessões anuais do grupo. Seu contrato, a propósito, vigorava até dezembro.

O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa não foram os primeiros a utilizar a delação premiada para acusar o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, de arrecadar propina para o partido. Identificado como um dos operadores do mensalão e apontado como doleiro pela Procuradoria Geral da República, o operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro acusou Vaccari de cobrar propina em operações com fundos de pensão em pelo menos duas ocasiões, na CPI dos Correios (2006) e das ONGs (2010). Em depoimento ao MPF, afirmou que o tesoureiro do PT chegava a cobrar propina de 12% em negócios que serviam para rechear o caixa-dois de campanhas políticas.

Em depoimento à CPI das ONGs, em 2010, o operador financeiro Lúcio Funaro sugeriu que fossem investigados negócios da Itaipu Binacional e do fundo de pensão da empresa, o Fibra, que poderiam estar relacionados ao tesoureiro do PT. Ele assumiu o conselho da empresa em 2003. Na época, Funaro afirmou que Vaccari tinha relacionamento “umbilical” com o grupo Schahin, que mantém mais de US$ 10 bilhões em contratos com a Petrobras.

Vaccari seria o operador do esquema de propinas na diretoria de Serviços da Petrobras, com comissão de 3%. Para o Ministério Público Federal, apenas as informações de Youssef, que distribuía o dinheiro, podem esclarecer quem recebia e como ia para o caixa dois do PT. Funaro afirmou que Vaccari operava com dinheiro vivo, o que torna mais difícil a investigação.
Acusado de receber propina de contratos da Petrobras, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, já foi nomeado quatro vezes por Lula e Dilma para o conselho da Itaipu Binacional. Ele está no cargo desde 2003. Cada conselheiro ganha R$ 20,8 mil e só precisa ir a seis reuniões por ano. Mercadante e o ex-governador gaúcho Alceu Collares, que deu a Dilma seu primeiro emprego público, também são do conselho.

Agora um caso prosaico. Para completar a galeria de paranaenses na berlinda da corrupção, que tem muitos outros membros ilustres e também do baixo clero, nada como incluir a socialite petista nascida em Apucarana, Val (Valdirene) Marchiori, que seduziu Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, que conseguiu para ela um empréstimo daqueles de pai para filha, de tio para sobrinha, de homem apaixonado para a sua amada.

Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil e Val Marchiori foram vistos juntos em missões oficiais do banco, em Buenos Aires e no Rio, hospedados no mesmo hotel. Ele alega coincidência, enquanto seu ex-motorista garante que ia buscar Val em diversos lugares, a pedido de Bendine, agora acusado de ter facilitado empréstimo de R$ 2,7 milhões para uma empresa dela.

Bendine, casado, é um grande amigo de Val: quando ela participava de um programa de TV fazendo entrevistas, o Banco do Brasil patrocinava a compra do horário. Evaldo Ulinski, com quem Val tem dois filhos, nunca se importou com a amizade deles: tem total confiança em sua mulher que, a propósito, estava tentado junto ao BB um empréstimo para sua empresa Big Frango.acusado de favorecer empréstimos para sua “amiga” Val Marchiori.

Bendine já foi alvo de outras denúncias: uma delas foi ter comprado um apartamento com dinheiro vivo, quando acabou autuado pela Receita, pagando, sem contestação, R$ 122,4 mil. Mais recentemente, seu ex-motorista Sebastião Ferreira da Silva contou ao Ministério Público que fazia pagamentos em dinheiro vivo para Bendine e até o ajudou a transportar sacola de dinheiro. Aldemir, a propósito, sempre se orgulha de ser amigo pessoal de Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência.

O empréstimo de R$ 2,7 milhões que Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, via BNDES, conseguiu para sua amiga Val Marchiori, garantido pela pensão dos filhos dela com Evaldo Ulinski (o pagamento será em parcelas mensais de R$ 75 mil), tem juros de apenas 4% ao ano. Pois, pois, de Gleisi Hoffmann a Val Marchiori, de Paulo Bernardo a João Vaccari, de André Vargas a Alberto Youssef, de Gilberto Carvalho a Paulo Roberto Costa, ninguém pode afirmar que o Paraná não tem importância de primeira grandeza ao menos neste campo da política, a da sórdida narrativa dos casos de desvios de recursos públicos e de corrupção.

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