As redes sociais na política

capa-sociais-157

Houve um tempo em que as fontes de informação baseavam-se entre o jornal de papel e a televisão, a passar pelo rádio, considerado por muitos o principal meio de comunicação ainda hoje.
Mas esse tempo está a mudar, dos anos 2000 para cá, a internet chegou de maneira avassaladora, invadiu o cotidiano das pessoas de um modo muito rápido, a tomar o espaço da televisão e do rádio, sem contar que está a matar o jornal de papel. Os mais céticos crêem até na extinção do livro, tomam o jornal digital como fato consumado e a rádio web é a direção do futuro.

Aqui no Brasil não há estabelecimento que se entre que não tenha uma plaquinha a dizer WIFI, antes do café, da cerveja ou do cardápio, pedimos a senha da rede, e ficamos enlouquecidos quando queremos acessar a internet e ela é bloqueada. Nos Estados Unidos funciona de maneira diferente, a internet móvel já ganhou uma qualidade que não se faz mais necessária a rede WIFI.

Pesquisa realizada pelo Ibope, divulgada em março deste ano, mostrou que 47% dos brasileiros têm internet em casa, no Paraná o número sobe para 60%, isso faz com que as campanhas políticas direcionem suas comunicações para determinados veículos. Entre as pessoas que têm acesso ao universo virtual, utilizam-no mais que qualquer outro meio de comunicação. O Paraná é o Estado que mais acessa o mundo digital, a média é de 3h43 diariamente.

Porém, a pesquisa também mostrou que apenas 26% da população brasileira tem a internet como meio favorito, a telinha ainda domina o público, são 65% de brasileiros que preferem ficar em frente à televisão. Numa eleição acirrada como foi a presidencial deste ano, 26% pode fazer muita diferença.
Comprovando que os céticos estão com a razão, o jornal impresso é lido somente por 6% dos brasileiros – o Paraná tem a segunda maior média, 12%, atrás apenas do Rio de Janeiro, com 16%.

O que é contraditório nesses dados é o grau de confiança que há nos meios de comunicação. Embora o jornal seja o menos procurado, é o que tem maior credibilidade, são 53% de brasileiros que confiam no que lêem em jornais, o rádio é o segundo, com 50%, a televisão vem atrás, com 49%, e as revistas têm 40%.

Embora o número de brasileiros que usam a internet seja considerável, a confiança que há na rede é baixíssima, em sites são 28%, nas redes sociais 24% e nos blogs 22%. Isso quer dizer que a cada dez coisas que as pessoas lêem na internet acreditam em menos de três. Mas o ministro da Comunicação Social de Dilma Rousseff, o paranaense Thomas Traumann, afirma que “Quase metade dos brasileiros usa a internet como meio cotidiano de informação”, o que se torna bastante contraditório.

Com esses dados os marqueteiros políticos direcionam a campanha eleitoral para o Norte ou para o Sul, inevitavelmente há regiões em que a internet é tão importante quanto o rádio e a televisão. E as redes sociais tornaram-se um caminho sem volta.
A mesma pesquisa Ibope diz que, pelo menos aos fins de semana, 71% das pessoas que acessam a internet entram em redes sociais, ou seja, há um nicho de eleitores considerável trafegando por elas.

A candidata a deputada estadual para a Assembleia Legislativa de Pernambuco, Priscila Krause (DEM), acreditou na força da internet e apostou todas as suas fichas nela, decidiu, e isso foi escolha própria, nada a ver com o partido, fazer a campanha no mundo virtual. Abriu mão de televisão e rádio.

Uma estratégia que deu certo, arrecadou 47.882 votos e conseguiu se eleger deputada, os mais bem votados em seu Estado foram Cleiton Collins (PP), que marcou 216.874 votos, e Adalto Santos (PSB), com 158.874. Ela conseguiu desbancar nomes considerados tradicionais na AL, como Terezinha Nunes e Antônio Moraes, ambos do PSDB. “Era uma ousadia muito grande. A equipe ficou dividida. Eu disse que o ônus era meu, que se viesse a derrota, ela era minha”, afirmou Krause.

A internet, no entanto, é um mundo difícil de se controlar, diferentemente da televisão e rádio, nela não há hora nem lugar para se proliferar qualquer tipo de informação. O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Admar Gonzaga, considera uma tarefa complicada.
Oficialmente as campanhas deste ano começaram em 6 de julho, porém muito antes já era possível assistir propagandas pró e contra determinados candidatos. O TSE mandou retirar do ar em 28 de fevereiro a página do Facebook “Eduardo Campos Presidente”, que na altura contava com 2.000 seguidores, no entanto foi uma retirada, havia pelo menos outras vinte, inclusive contra, como a “Eduardo Campos presidente não”.

A internet traz o que outros meios de comunicação não são capazes de fazer, a interatividade instantânea, ela é rápida. Durante os debates presidenciais nas emissoras de televisão, os candidatos tinham uma equipe, os social medias, que atualizava os Twitters, confirmava dados, desmascarava mentiras. E após os debates o que mais se ouvia era “os eleitores podem confirmar as informações no meu site”.

O mundo digital não tem, entretanto, toda essa credibilidade, é um lugar onde cada um fala o quer, na hora que quer. É por isso que o advogado e deputado federal de Sergipe, Mendonça Prado, ressalta que “os recintos de discussões criados nas redes sociais também comportam distorções, é necessário que o eleitor seja prudente, racional e procure a verdade fidedigna”.
De acordo com o presidente do instituto de pesquisas Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, é necessário urgentemente uma maneira rápida e eficaz para punir as blasfêmias e insultos que ocorrem nas redes sociais, para impedir que mentiras se proliferem como rastro de pólvora, como aconteceu com o boato da morte do doleiro Alberto Yousseff.

E isso vale também nos casos de eleições, é comum a prática de perfis falsos para plantar mentiras no Facebook e Twitter, as duas principais mídias sociais e de maiores acessos pela massa eleitora.
Sites também são criados para desmoralizar candidatos, exemplo do “Brasil247”, que é claramente pró PT, ou do site Verdade Requião, criado em período eleitoral para fazer campanha contra o candidato do PMDB.
E isso tudo vai além do Facebook, Twitter ou Instagram, as campanhas já chegaram ao WhatsApp, aplicativo de mensagens instantâneas onde é possível gravar mensagens de voz e vídeos e enviar imagens.

De acordo com dados de fevereiro, o número de usuários do WhatsApp no Brasil chegava a 38 milhões de pessoas, enquanto no mundo batia a marca de 600 milhões. O aplicativo não é muito eficiente para angariar votos, mas certamente dá mais interatividade entre o político e o eleitor. Houve um candidato a deputado federal na Bahia que criou trinta grupos onde ele trocava mensagens com seus cabos eleitorais.

Os cavaletes, muros pintados, carros de som parece que estão entrando para os anais da história como coisa primitiva. Os jantares promovidos por políticos para conquistar cabos eleitorais também. Enquanto nestes jantares reúnem-se, com muito otimismo, 10 mil pessoas, em redes sociais os números não têm limites e só tendem a crescer.

As campanhas eleitorais terão que se adaptar ao novo, e rápido, pois quatro anos atrás estava a ser lançado o Iphone 4, estamos no 6, sendo que foram lançados outros quatro modelos entre os dois. A tecnologia está a se tornar cada vez mais acessível às pessoas e se modificando mais depressa.

“Esse é, incontestavelmente, o melhor espaço para uma nova democracia”, disse Mendonça Prado, é discutível o que é melhor e o que é a “nova democracia”, mas, sem dúvida, é o melhor espaço para a nova campanha eleitoral.

Leia mais

Deixe uma resposta