Caros amigos

bombardino

Tenho amigos que votaram em Dilma Rousseff, são fãs de Lula e do PT. Conheço gente sensível, com quem sinto prazer ao conversar durante horas sobre literatura, música ou culinária, que acredita piamente que está engajada na luta contra a desigualdade social e que só o PT salvará os mais pobres da miséria.

Acreditem, são pessoas inteligentes. Mas durante a campanha eleitoral evitei encontrá-las. Percebi que essa crença no PT, calcada num ideal primitivo de justiça social, em impulsos emocionais promovidos pela propaganda e por muita desinformação, transforma pessoas normais em delirantes torcedores que não aceitam argumentos contrários. Mesmo que sejam fatos e obviedades.

Espero agora, terminada a eleição, curtida a ressaca eleitoral, passado o susto de ameaça de derrota do PT, que todos voltem à normalidade e que possamos falar sobre assuntos que nos aproximam. Os de sempre e eternos. Poesia, música, arte e um tanto dos prazeres mundanos.

Abdiquei do hábito do proselitismo. Não quero convencer ninguém sobre absolutamente nada. E também não quero ouvir prosélitos a repetir palavras de ordem ou clichês da propaganda política. Vejam bem, não quero ouvir proselitismo de qualquer espécie.

Quanto à política, eu que por dever de ofício tenho de investigá-la nas entranhas, volto a dizer que como quase tudo que os homens fazem, não é muito bonita quando vista de muito perto. Ela é feita para ser vista da plate ia, a uma distância apropriada, e não para ser esmiuçada ainda nos bastidores. Quem não tem o ânimo forte e o estômago preparado, não se meta, fique na plateia ou vá para casa.

A política é um jogo frequentemente bruto, e muitas vezes dominado por sentimentos e paixões que se podem chamar de negativos: interesses sórdidos, ressentimento, cupidez, inveja, alpinismo social, vendeta, orgulho ferido.

As grandes palavras, as ideias, os altos propósitos patrióticos ou impatrióticos servem para mover e até arrebatar partidários e admiradores, mas o que realmente anima chefes e chefetes, o alto e o baixo clero, são motivos pessoais nem sempre assim tão grandes ou estimáveis.

Eis minhas razões para não fazer da política nativa o filtro principal das relações pessoais. Só não converso com fanáticos definitivos. Não é por nada, são chatos que não conseguem mudar de assunto porque são pobres de espírito. Desses quero distância. Sempre.

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