Editorial. Ed. 157

Dilma Rousseff venceu as eleições e o PT tem mais quatro anos de poder. Para mentes lúcidas, que não se deixam guiar pelas emoções, um descalabro. O Brasil passa por crescente desindustrialização e desorganização da economia, o crescimento do PIB em 2015 será zero — ou negativo. A inflação, longe de controlada, está acima da meta. As contas públicas estão maquiadas, as parcerias público-privadas de infraestrutura permanecem no papel, cresce a dívida pública e o déficit externo.
Ou seja: tudo o que Dilma Rousseff negou na campanha vai desembarcar em seu colo. E não será a simples mudança de um ministro da Fazenda que irá consertar. Resumo da ópera: vamos amargar a herança maldita que Dilma recebe dela própria.

O petismo é uma farsa. Dessas que os populistas de plantão inventam e vendem para os ignaros que o mantêm no poder. Um exemplo interessante das mentiras bem aplicadas do PT é o seu esforço de distribuição de renda. Pois, pois, nove entre dez analistas de boa formação acham que, ao contrário de seus discursos, Lula e Dilma Rousseff foram os presidentes que mais favoreceram a concentração de capital, desde os tempos do regime militar.

O sistema de concentração funciona com financiamentos milionários do BNDES para grupos econômicos privilegiados — e até irresponsáveis como o bloco de Eike Batista, hoje falido. Multinacionais foram beneficiadas pelo governo, especialmente montadoras, em detrimento de outros setores da indústria nacional. Fora financiamentos para poderosas empreiteiras realizarem obras na América Latina e na África, para governos amigos, como os de Cuba, Venezuela e Uruguai. E essas empresas são as mesmas que aparecem nas delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef.

Da área policial o governo de Dilma Rousseff e seu partido, o PT, não saem mais. Há poucas semanas, poderoso empreiteiro procurou a Polícia Federal em São Paulo, porque o nome de sua empresa estava citado nas delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, afirmando que era extorquido pelos executivos da Petrobras. Contou que os dois delatores reforçaram a prática de cartel da construtora na área de conquista de contratos, incluindo a participação das empresas no esquema de propinas.

Esse foi o primeiro. Outras empreiteiras estão se movimentando em torno do Acordo de Leniência da Secretaria do Desenvolvimento Econômico. É simples: escapam do processo penal, tudo corre com sigilo e as empresas devolvem dinheiro.

Mas quem diz que o PT se emendou? O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, prova que tudo continua como dantes. O empréstimo de R$ 2,7 milhões que ele concedeu, via BNDES, para sua amiga e par constante, a paranaense socialite brega Val Marchiori, garantido pela pensão dos filhos dela com Evaldo Ulinski (o pagamento será em parcelas mensais de R$ 75 mil), tem juros de apenas 4% ao ano. Este é o Brasil de mais quatro anos de PT. Preparem o estômago.

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