Prateleira. Ed. 157

MARIA-SAMPAIO-Capa

Maria Sampaio. Foto: Filipe Lisboa

Vicentinho, o primeiro romance de Maria Sampaio

VICENTINHOAos 17 anos, Maria Sampaio lança seu primeiro livro. Filha de Isadora Ribeiro, ela cresceu num universo de artistas, o que certamente a ajudou a apurar seu talento. O livro Vicentinho surpreende, antes de tudo, pelos temas maduros e pelo tratamento que recebem. Também pela linguagem direta, despojada e a capacidade de trabalhar diálogos. Narra a morte de um adolescente, a dor de sua família e a decisão do pai de morar no Chile, com o intuito de escrever para uma editora sobre suas experiências. Nessa viagem Gustavo (o pai) se envolve mais que o planejado com os residentes da província e seus impulsos colocam em questão sua ética e sanidade.

Maria, como surgiu o livro Vicentinho?
Eu vinha escrevendo crônicas e queria dar início a um projeto maior. Um romance. Procurei amadurecer uma ideia que fugisse totalmente de qualquer coisa que eu já tivesse vivido. Queria dominar a ficção. Pensei em falar sobre uma dor gigantesca capaz de levar à loucura. E nisso a história surgiu.

Como foi a criação de personagens? Você se baseou em pessoas reais?
Eu comecei criando Gustavo – o pai desolado – e com essa personalidade pronta sabia apenas que ele tinha um filho e uma esposa. Tentei enxergar esses dois últimos pelo olhar de Gustavo e a história foi sendo criada junto com os perfis de personagem. Não são inspirados em pessoas reais.

Você imaginou um público-alvo para Vicentinho?
Não. Mas creio que é um livro para adultos. Não imaginei um público antes de criar o livro.

Naïf no Paraná – Lançamento

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Regina Casillo, diretora do Solar do Rosário, recebeu a responsabilidade de fazer a curadoria de sete artistas contemporâneos, nascidos ou radicados no Paraná, para a publicação do livro Naïf no Paraná, que será lançado no dia 7 de dezembro no próprio Solar. Lucia Casillo Malucelli assina a coordenação geral do projeto. A tiragem da edição é de mil exemplares. Reúne obras de Constância Nery, Corina Ferraz, Lidia Saczkovski, Mara D. Toledo, Marcelo Schimaneski, Marisa Vidigal e Regina Mehler, além de textos sobre os criadores.

O viciante jogador

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Lançado em 1866, O Jogador, uma obra de arte de Fiódor Dostoievsky, é pouco recomendado aos apostadores compulsivos. O livro passa por vários momentos e reviravoltas, no entanto, a aposta é sempre o eixo principal.
Casos de família, de amor e de amizade também são encontrados, mas o que nos prende à leitura é o mesmo que prende um jogador na roleta. Inexplicavelmente, incorporamos o personagem principal, Aleksei Ivanovitch, um empregado de uma família de muitas posses que entra em ruína, além de ser um viciado em apostas na roleta.
Dostoievsky foi capaz de nos conduzir como se estivéssemos no cassino, em frente à roleta, “preto, vermelho, preto, vermelho... preto!” A tensão é grande, a vontade é que as páginas passem logo, não para terminar o livro, mas para chegar à próxima vez que Aleksei irá apostar.
Quando o livro termina a sensação é de um viciado que está na sarjeta e já apostou tudo que tinha, perdeu tudo, porém a vontade é apostar mais.

Le Goff

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Embora pareça mentira, é verdade. No dia primeiro de abril deste ano perdemos um dos historiadores mais importantes da contemporaneidade, Jacques Le Goff morreu aos 90 anos, no entanto suas obras – quarenta livros – se perpetuam.
Atento às coisas, começou a pesquisar os aspectos culturais e pouco convencionais, a exemplo das cidades do período medieval. Medievalista de primeira qualidade, foi responsável por romper a barreira político-econômica reinante nos estudos históricos. Abriu alas para os estudos sobre cultura e mentalidade social.
Como possui uma vasta obra, que não para somente em livros, programas radiofônicos e artigos, é difícil escolher um livro para indicação. O mais natural seria o seu clássico A civilização do ocidente medieval, uma bíblia.
Porém, Heróis e maravilhas da Idade Média é mais interessante para o público distante da História. Nesta obra ele desmonta a imagem que a Idade Média foi um período mediano para a humanidade. E descaracteriza a maneira de se escrever a História. Não é convencional com datas e reinados. É peculiar, através do domínio do imaginário apresenta as maravilhas medievais.

Criatividade e emoção – Lançamento

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Organizado por Fernanda Hellen Ribeiro Piske, Járci Maria Machado, Sara Bahia e Tania Stoltz, o livro Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD): Criatividade e Emoção conta com importantes contribuições de especialistas dos Estados Unidos, Espanha, Portugal e Brasil. Esta obra reflete a necessidade da sociedade desenvolver os seus talentos para promover a inovação e aliviar os inúmeros problemas que enfrenta, além de aprofundar os temas da superdotação e da criatividade e os associa a uma dimensão essencial da essência humana, como a emoção.
O lançamento está marcado para o dia 4 de dezembro, na Livraria da Vila, no shopping Pátio Batel, às 19 horas.

A Cavalaria Vermelha

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Não era para todos fazerem graça com o regime soviético. Não foi exatamente isso que fez Isaac Babel quando escreveu A Cavalaria Vermelha, mas o tom irônico, a ambiguidade, o respeito dos personagens por Trotsky não agradaram críticos stalinistas.
Este livro é uma das mais importantes literaturas produzidas sobre a Revolução Russa de 1917 e ninguém seria tão capaz de escrever sobre o Exército Vermelho como Babel foi, pois em 1920 assumiu o posto de comissário político no 1˚ Exército da Cavalaria. Otto Maria Carpeaux definiu o livro como “fragmentos de uma epopeia despedaçada”.
Acusado de trotskismo, foi enviado para um campo de concentração, onde morreu em 1941, aos 47 anos.

Reflexos e sombras

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Na edição passada da Ideias, Marcos Villanova de Castro escreveu uma matéria sobre o artista romeno Saul Steinberg.
Reflexos e sombras, editado pelo Instituto Moreira Salles, traz um diálogo de Steinberg com seu amigo mais próximo, Aldo Buzzi. O primeiro parágrafo do prólogo é uma explicação do romeno: “Este livro é fruto de conversas gravadas [...] com meu amigo Aldo Buzzi, que em seguida procedeu a uma seleção rigorosa do copioso material, ordenando-o em quatro capítulos”.
A conversa entre ambos, publicada em um pouco mais de 170 páginas, mostra o bom humor do craque dos desenhos que dizia ser um escritor que desenhava em vez de escrever.

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