Cinema. Ed. 159

THE_BIRDS

Cena do filme "Os pássaros"

Os pássaros

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Foto: Reprodução/site solarmovie.is

As pombas de Curitiba que são odiadas passarão a ser temidas – pelo menos por uns dias após assistir Os Pássaros, de Alfred Hitchcock.O filme voltou às telas no cinema Itaú, no shopping Cristal.
De 1963 – ano do lançamento – até 2014 muita coisa mudou nas películas, são mais de cinquenta anos de avanço tecnológico e Os Pássaros ao tempo que é velho, pela escassez de recursos, é novo pela mente de Hitchcock.

Melanie Daniels (Tippi Hedren) é dessas moças com pai rico que não precisa se preocupar com muita coisa na vida e acostumou-se a ter tudo. O início do filme se dá com o encontro dela num petshop de São Francisco, Califórnia, com o advogado Mitch Brenner (Rod Taylor).
Encantada pelo bonitão, resolve ir atrás dele e descobre que aos fins de semana Mr. Brenner vai a uma cidade próxima – Bodega Bay – visitar a família. Como toda mimadinha que não pode receber um não, nem que seja das circunstâncias da vida, vai até a Bodega Bay para encontrar o advogado.

Com o andamento lento o filme não oferece muitas expectativas, mas eis que de repente os pássaros passam a ter comportamentos inesperados e agressivos. E a lentidão e até a chatice voltam a predominar, no entanto, de novo os pássaros cantam uma música que os cidadãos de Bodega Bay não esperam.
Após Os Pássaros tomar de assalto o prazer que há em ouvir pela manhã um sabiá a cantar, as pombas da Rui Barbosa tornar-se-ão inimigas primeiras.

Em tempo real

BOYHOOD-DA-INFANCIA-A-JUVENTUDE

Foto: Reprodução/site ccine10.com.br

Em julho de 2002, enquanto nós em terras tupiniquins bradávamos o penta e a molecada raspava a cabeça naquele péssimo penteado à la Ronaldo, Richard Linklater iniciava um projeto ambicioso, arriscado e lindo. O cineasta quis fazer um filme, uau!, quanta ambição. Devagar, pois ele foi de fato audacioso. Naquele mês daquele ano começaram as filmagens de Boyhood – Da Infância à Juventude.

O enredo é simples, sem novidades, sem muitos mistérios. Uma família, pai, mãe e dois filhos. O pai vai embora, o divórcio acontece. Esporadicamente o ex-patriarca reaparece para rever as crianças. A mãe casa, o padrasto é alcoólatra. Vários problemas familiares que não impedem o crescimento natural do filho Mason (Ethan Hawke) – que se estivesse no Brasil e não fosse o protagonista da ambição de Linklater, certamente estaria com a cabeça raspada como o Fenômeno, pois na altura carregava seis anos de vida.

O tempo passa para todos, embora não queiramos. Nos filmes também passam, em alguns minutos saltamos décadas. Linklater foi fiel e esperou o menino Mason que gostava de brincar de Hot Wheels crescer para filmar seu primeiro porre. Isso mesmo, o filme Boyhood precisou de algum tempo para chegar às telas, pois o projeto era fazer em tempo real.
E se alguém morresse? Adoecesse? Desistisse? Como dizem no pôquer, Linklater foi all-in (apostou todas as fichas) e torceu para que ganhasse no river (a última carta).

Sem dúvida o que mais desperta a atenção do público e da crítica é o tempo. Compositor de destinos. Foram doze anos de produção e filmagem. De filmagem, 39 dias; de produção, 4200.

Ethan Hawke começa com seis anos e termina com dezoito, quando entra na faculdade. O diretor Richard Linklater disse que esse será seu último trabalho: “Será meu último filme, mas é o que precede a todos, muitos, tantos...”.

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