Editorial. Ed. 159

Este 2014 que terminou sem deixar saudades será lembrado como o Ano da Infâmia. Aliás, vivemos a pior época da história desta República. Nunca antes, como gosta de dizer o ex-presidente Lula, vimos tanta corrupção e em doses mamutianas. O PT e sua turma, seus governos, seus ideólogos de meia confecção, conseguiram acabar com a Petrobras, a outrora maior empresa do continente.

Frustraram-se as esperanças de mudança através do voto. Vingou, mais uma vez, o populismo mais canhestro. O sociólogo Alain Touraine ensina que a estrela de figuras populistas à moda antiga ainda brilha porque do outro lado há um pessoal moderno demais. Ou seja, Lula sabe falar com o populacho e prometer o que ele quer: benesses, bondades, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e as migalhas que caem da mesa da corrupção. Sem contar a pancadaria abaixo da linha de cintura. A campanha eleitoral mais suja que já se viu por aqui. Dilma Rousseff acusou seu adversário de pretender fazer tudo o que ela mesma faz agora, gostosamente e sem nenhum pejo.

Pois, pois, diante de um sistema político eleitoral estabelecido e nutrido com verbas da corrupção, não há tucano que se habilite. Não adianta emplumar-se de pássaro tropical se o povo não entende o pio. Ou melhor, só entende o pio do populismo mais sórdido que vai gestando uma geração de párias.

Por aqui a modernidade está na capacidade de resistência ao populismo. Desde o terço de Adhemar de Barros até Lula, passando pela vassoura de Jânio Quadros, há uma promessa de renovação sempre bombástica e jamais cumprida. Vitória eleitoral vale qualquer disfarce. Mas se a maestrina não muda, é de se crer que toque melhor o repertório antigo, ou seja, cancelem as esperanças e se preparem para o 2015 de inflação acima da meta, crescimento pífio e nova safra de escândalos de corrupção.

As melhores saídas estão à vista, a sociedade dirige-se naturalmente para elas, mas as instituições nos impedem de tomá-las. Chegamos ao fim de 2014 sem governo, com uma presidente desmoralizada e uma penca de empresários na cadeia porque desviaram bilhões dos cofres da Petrobras. Sabe-se lá o que virá nas próximas investigações, quando forem abertas as caixas-pretas das demais estatais.

Os legisladores e os juízes precisam de férias. Partem sôfregos para os seus carnavais. Há, no entanto, nesta ausência irresponsável, um traço, digamos, consequente. Reparem, falta tudo. A economia deteriora, as instituições fraquejam, o Estado faliu, o poder sumiu, substituído por uma presidente eleita com legalidade, mas sem nenhuma legitimidade. Oremos, é o que nos resta.

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