Jaime Lerner, cronista

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Comemorando vinte anos de edições, a Travessa dos Editores lança Quem cria, nasce todo dia, de Jaime Lerner

 

Não foram poucos os adolescentes que se encantaram com a façanha e competência de Oscar Niemeyer, muitos, depois de assistirem seus projetos em conclusão e concluídos, decidiram se inscrever no curso de arquitetura aos dezessete anos, idade vestibulanda. “Fiz arquitetura por causa do Oscar Niemeyer”, assim começou Jaime Lerner, um dos tantos que se fascinou com o arquiteto do Brasil, seu discurso na abertura da exposição Jaime – das vozes da cidade e do lançamento de seu livro de crônicas quase confessionais Quem cria, nasce todo dia, editado pela Travessa dos Editores, que completa 20 anos de publicações.

capaO nome da exposição, com a curadoria de Valeria Bechara, foi adequadíssimo, pois Lerner é de fato uma das vozes que fala mais alto cá em Curitiba, pois ele fala simples, fala discreto, fala no cotidiano, fala todo dia o dia todo, não em discursos, não em exposições, muito menos em entrevistas. Ele fala, sobretudo, nas suas inovações urbanísticas. E se pode falar desta maneira é porque ele cria, cria e nasce todo dia. O nome do livro retrata o que é a sua cabeça, uma inesgotável fábrica de ideias.

Adriana Sydor, organizadora do título, falou que durante a produção do livro Lerner viajou diversas vezes para congressos e palestras, acrescentou que para cada lugar novo ou que não visita há algum tempo, ele pede para ficar uns dias a mais na cidade, para observar o que há de bom, de novo, de interessante. É dessa maneira que ele renasce, atento e aberto à novidade.

 

Lançamento

Fábio Campana toda vez que encontrava Jaime Lerner ouvia as histórias do governador, digamos que um bocado pitorescas, como a vez que o príncipe consorte da rainha Margrethe II, da Dinamarca, levou uma ferroada de uma abelha em Foz do Iguaçu e rápido no gatilho Jaime tratou de dizer que era uma abelha argentina. Ou quando não queria mais saber de solenidades com o chato rei sueco e fugiu por um final de semana para o Rio de Janeiro, e lá teve que participar de um jantar promovido por Leonel Brizola para o mesmo rei que, coincidentemente, também foi descansar na Cidade Maravilhosa. Essas e outras histórias foram se armazenando na cabeça de Campana, umas engraçadas, outras mais dramáticas, talvez tristes. Mas todas interessantes.

Logo, os 20 anos da Travessa já tinha um autor, um baú de crônicas que só precisavam passar para o papel. Fábio, na condição de editor, convidou Jaime a escrever um livro sobre os acontecimentos de sua vida. Lerner topou, afinal, é só a criar que se nasce todo dia.

Foram muitos encontros, muitas histórias, difícil era dizer “essa está fora”, todas cabiam num livro, mereciam publicações. Das muitas, ficaram 79 crônicas em mais de duzentas páginas. E o produto desse labor foi lançado em 11 de dezembro no Museu Oscar Niemeyer, um espetáculo de noite. Muitos foram prestigiar Jaime, seu livro, sua exposição.

Grandes nomes da arquitetura local e nacional, como Abrão Assad, Fernando Popp, Sergio Pires. Grandes jornalistas como José Augusto Ribeiro. Nomes da literatura paranaense como Marcio Renato dos Santos. Várias personalidades. Além é claro da família Lerner. Ilana – a filha – disse que ficou muito feliz e emocionada. Ela que foi peça importante também para relembrar histórias que foram escapadas pela tangente na cabeça do pai.

Naquela noite difícil foi ver quem foi embora sem um livro sob os braços. Diversos saíram com mais de um volume, decerto para presente de Natal, quem recebeu do Papai Noel as crônicas de Jaime Lerner certamente está a se deliciar neste janeiro com suas anedotas. Para quem não se comportou, pode ir até a Livraria da Vila e adquirir um volume de Quem cria, nasce todo dia.

 

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