O que esperar de 2015?

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Risco de recessão econômica, crise política com o Congresso, queda na produção industrial, desemprego… o que mais pode afetar a vida dos brasileiros no novo ano?

 

O ano de 2014 está acabando, faltam poucos dias, mas os acontecimentos dos últimos meses povoarão por muito tempo a memória dos brasileiros. Tivemos eleições acirradas para presidente, antes, uma Copa do Mundo de Futebol em nossa casa, protestos por todo o país que mobilizaram milhares, os maiores dos últimos 25 anos puxados pelo inesquecível junho de 2013, e, ainda, foram reveladas denúncias de corrupção na maior estatal do país, a Petrobras. A suspeita é de desvio de mais de R$ 10 bilhões. Sem dúvida, um ano histórico.

Mas agora, quando os ponteiros se aproximam da zero hora do esperado primeiro dia do ano, uma pergunta teima em povoar nosso consciente: como será o ano de 2015? Vamos finalmente viver naquele paraíso criado e mostrado à exaustão pelo marketing oficial? Ou cairemos na realidade nua e crua exaustivamente propalada nas mensagens dos ex-presidenciáveis Eduardo Campos (em memória) e Marina Silva, a sucessora no PSB, e do tucano Aécio Neves?

As dúvidas teimam em povoar nosso imaginário, mas com base em números e fatos recentes, impossível não divagar em especulações que a cada dia nos parecem mais reais. Mas, afinal, o que podemos esperar de 2015? O que já pode ser adiantado? Temos que nos preocupar realmente em adiantar alguma prospecção? A dúvida, sempre ela movimentando a roda da humanidade.

Pois, pois. Já que o momento pede divagações, que tal começar pela economia, tão presente em nosso dia a dia? Neste setor, as previsões são de um cenário de inovação e reinvenção, fundamentais para enfrentar o ano turbulento tão visível nos números do mercado e nas análises de 10 a cada 10 economistas de plantão.

A pesquisa Focus, por exemplo, feita por encomenda do Banco Central, mostrou que a economia brasileira cresceu apenas 0,18% em 2014, após sucessivas previsões que foram rebaixando o total ao longo do ano, 1% em média ao mês. Será o menor desde 2009, quando o PIB, a soma de toda a produção nacional, teve um recuo de 0,33%. Para 2015, a previsão de expansão da economia recuou de 0,77% para 0,73%.

A salada de números pode parecer isto mesmo, apenas uma salada. Mas, na época da informação tecnológica, é bom não duvidar da análise dos mais leigos economistas de plantão. Chegamos ao final de 2014 com retração na economia. E daí? Os números não são nada favoráveis. Claro que não. Mas o que vem a ser recessão?

Recessão ocorre simplesmente quando a economia deixa de progredir. Começa a andar para trás, como caranguejo. Isto acontece e os primeiros sinais são a alta da inflação e a baixa taxa de investimento, ou seja, é como se os empresários escondessem o dinheiro no colchão. Ora, somos a nação que menos investiu em 2013-2014, na comparação com ou outros países que compõem toda a América Latina. Só isso.

Os setores privados e públicos são responsáveis por 18% do crescimento do PIB nacional, já os gastos do governo equivalem a 22%, deixando muito pouco para os tão necessários investimentos na infraestrutura, que, segundo os analistas, devem ser o caminho a se seguir em 2015 para que possamos reagir à crise.

É o caminho natural para atrair investimentos privados e dar força para o incremento do PIB deste ano, de acordo com os analistas do BC. Mas daí vêm outras perguntas: Isto vai realmente acontecer? Governo e iniciativa privada vão realmente enfiar a mão no bolso? Recessão não é o mesmo que menor arrecadação da União? Se a União arrecadar menos, a iniciativa privada vai investir mais?

Não são nada otimistas as perspectivas para a economia brasileira em 2015. As metas de inflação, ao que tudo indica, também devem ser superadas, como vem ocorrendo nos últimos anos do governo do PT e de Dilma Rousseff. A estimativa subiu de 6,49% para 6,5%, isto de acordo com o Banco Central, órgão oficial do governo federal.

A meta de inflação para os próximos 12 meses é de 4,5%, com tolerância de dois pontos para mais ou para menos. Já a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, principal instrumento do BC para conter a inflação, avançou para 11,75% ao ano, e a expectativa do mercado para 2015 é que seja de 12,50% ao ano.

Condenada por todos entre todos que entendem o mínimo de economia, a alta na taxa de juros quer dizer uma coisa só: mais estrangulamento aos consumidores e aos produtores. A tentativa, quase que desesperada do governo, é de barrar o consumo e incentivar a poupança e os investimentos em infraestrutura. Mas isto só é o suficiente?

O problema é que o governo federal gasta mais do que arrecada, além de promover aumentos em itens básicos, como a gasolina, o que impede que a inflação caia. Mas isso, claro, se o governo reconhecer que é necessário mudar essa política e mostrar que o Brasil pode crescer, focando no aumento da produtividade.

A fórmula é conhecida: investimentos pesados na educação, que melhoram a qualificação profissional como um todo e consequentemente aumentam a competitividade e produtividade da economia. Mas isso, claro, se houver interesse político em mudar os rumos da economia. A fórmula, ao que tudo indica, é a mesma apregoada por Aécio Neves na campanha, e assimilada por Dilma depois da eleição. Ou a assunção de Joaquim Levy, da equipe que elaborou o plano econômico do tucano, não indica isso?

 

E o Paraná?

Na terra das araucárias temos um cenário um pouco diferente do nacional, calcado nos bons índices de produção agrícola e industrial e nos dados projetados pelo poder público para o período. Nas políticas públicas, o governo anuncia que vai dar atenção especial para obras de infraestrutura, na educação e na saúde, segundo dados do orçamento de 2015.

A receita para o próximo ano, segundo a Lei Orçamentária já aprovada pela Assembleia Legislativa, será de R$ 49,2 bilhões, 12,5% a mais que 2014. Na saúde, o orçamento prevê a destinação de R$ 4,4 bilhões, R$ 12 milhões acima do teto exigido por lei.

Para 2015 a meta é abrir mais mil leitos nos hospitais regionais, aproximadamente 500 leitos de UTIs, 11 centros regionais de especialidades médicas, além dos 13 já entregues ou que estão em obras, sendo concluídos, serão ampliados ainda os investimentos em hospitais públicos e filantrópicos.

Até 2018, de acordo com o plano, a meta é construir, ampliar, reformar e equipar mais 600 Unidades de Saúde da Família em todas as 22 regiões de saúde do Paraná.
Para a educação, o orçamento de 2015 vai destinar R$ 7,9 bilhões, R$ 24 milhões superior ao mínimo estabelecido para o período. Em 2015, estarão em curso melhorias e reformas em 400 escolas, além da construção de 100 escolas novas, até 2018, beneficiando aproximadamente 400 mil alunos.

As duas áreas essenciais da administração pública são responsáveis ainda por ações no setor social, que será priorizado, indica o governo. O programa Família Paranaense, por exemplo, que já tirou 92 mil famílias da condição de pobreza extrema no Paraná, tem como meta para o próximo governo de Beto Richa chegar a 200 mil famílias atendidas.

 

Infraestrutura

Para obras e compras de equipamentos estão reservados R$ 2,9 bilhões em 2015. A lista incluiu a execução do projeto Pontal do Paraná, com 24 quilômetros de faixa de infraestrutura compartilhada com rodovia duplicada, canal de macrodrenagem, ferrovia, dutos e linhas de transmissão iniciados no fim de 2014 e que vão garantir a movimentação da economia no litoral em 2015, com a intensificação dos trabalhos.

E ainda investimentos na construção de moradias – serão beneficiadas 140 mil famílias com a construção de 90 mil moradias urbanas, 20 mil na área rural e 30 mil regularizações fundiárias. Somente para 2015, mais de 30 famílias serão contempladas.

Na área de infraestrutura viária, o governo pretende chegar a 750 quilômetros de vias duplicadas em quatro anos. Na área energética, a previsão é de investimento superior a R$ 10 bilhões de 2015 a 2018, com foco na expansão das fontes de energias renováveis.
O governo vai investir ainda R$ 2,6 bilhões na segurança pública e R$ 15,3 bilhões com pessoal. A tentativa é investir ao máximo e ao mesmo tempo tentar não ultrapassar o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Uma tarefa delicada em tempos de crise.

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