Prateleira. Ed. 159

capa-prateleira-159

Machado contista

Machado_de_Assis

Machado de Assis. Foto: Reprodução/site iphotochannel.com.br

Machado de Assis é o suprassumo da literatura brasileira. Alguém discorda? Suspeitei o não. Além de seus conhecidos romances, adentrou também na poesia, nas peças teatrais e contos. Estes últimos tão bons quanto sua obra completa.
A L&PM, editora de bolso, lançou uma coleção ainda mais de bolso, a 64 PÁGINAS, já faz algum tempo. Dentre os volumes há Machado de Assis com Missa do galo e outros contos. Nestes outros contos há maravilhas como A Cartomante, O Caso da Vara e Capítulo dos Chapéus, mas quero dizer-lhes de Pai Contra Mãe.
Cândido Neves é um sujeito que não se dá muito bem com expedientes e tem como profissão caça - escravos – costumes velhos. Ora há trabalhos de mais, ora de menos, o que gera instabilidade financeira. Machado faz com que entremos num embaraço filosófico, onde a moral torna-se amoral quando Cândido encontra uma escrava fugitiva.

Cronista número um

cronicas_rubem_braga

Foto: Divulgação

Nunca deixou de escrever crônicas, desde seu primeiro emprego em redações quando ainda era estudante em Belo Horizonte. Está no pódio entre os cronistas. Conseguiu ser um dos únicos escritores, senão o único, a conquistar um lugar definitivo na literatura brasileira exclusivamente com a crônica. Dos assuntos cotidianos aos naturais. Em 200 Crônicas Escolhidas, lemos as melhores de Rubem Braga.

Simone e Sartre

Simone_Jean-Paul

Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre. Foto: Reprodução/site nhpr.org

Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre estão na galeria dos casais mais sedutores que a humanidade produziu. Os mais enigmáticos. Vontade de dizer os mais apaixonados também, porém não cabe a ninguém mensurar o amor – nem o próprio, nem o alheio. Na relação, que ultrapassa os convencionais casamentos e namoros, ambos se amaram mutuamente por cinquenta anos, no entanto não exclusivamente. Com trechos de correspondências trocadas, Walter van Rossum contou esta história encantadora no livro Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre: a arte da excepcional busca pela felicidade.

Tropicalistas por eles mesmos

encontros_tropicalia

Foto: Reprodução/site livrosearte.com.br

Irreverentes, revolucionários, jovens, loucos, lúcidos ou não. Estes são os tropicalistas. Críticas, livros, histórias, tudo sobre eles já saiu. Há, no entanto, um livro da série Encontros, que reúne entrevistas deles por eles mesmos, isto é, Gil pergunta pra Caetano, ora Caetano responde, ora o Gil não passa a palavra. Críticas de jornalistas, como Nelson Motta. Diálogo entre Rogério Duarte e Torquato Neto. Textos de Hélio Oiticica. Tudo o que foi dito e pensado pelos tropicalistas sobre o Tropicalismo está no livro Tropicália, organizado por Sergio Cohn e Frederico Coelho.

A mulher de trinta anos

Balzac

Foto: Reprodução/site mercadordelivros.wordpress.com

A mulher de trinta anos, de acordo com os estudiosos de Balzac, está longe de ser seu melhor livro, o mais conhecido sem dúvida. Disseram seus contemporâneos que ele fizera muito pelas mulheres. Se unirmos toda a obra balzaquiana e retirarmos seus personagens femininos ela não existirá, mas caso seja feito com os masculinos, sustentar-se-á.
Eis o retrato da mulher balzaquiana. “A jovem conta apenas com sua coqueteira, e acredita ter dito tudo quando tirou o vestido; mas a mulher possui incontáveis atrativos e oculta-se sob mil véus; enfim, ela acalenta todas as vaidades, enquanto a noviça só acalenta uma. Aliás, na mulher de trinta anos agitam-se indecisões, temores, dúvidas e tempestades que jamais ocorrem no amor de uma jovem. Ao chegar a essa idade, a mulher pede a um homem jovem para restituir-lhe a estima que lhe deu; vive apenas para ele, ocupa-se de seu futuro, deseja-lhe uma vida bela, ordena-lhe que seja gloriosa; obedece, implora e comanda, curva-se e eleva-se, e sabe consolar em inúmeras ocasiões, enquanto a jovem apenas sabe gemer.”

Rei Lear

Shakespeare_traduzido_por_MF

Foto: Reprodução/site lpm-blog.com.br

Os tempos modernos não dividem mais reinos, mudou apenas o imóvel, pois a mesquinharia pela herança é algo que borbulha das menos às mais abastadas famílias. Algumas se salvam e a cordialidade reina. Não reinou no reino d’O Rei Lear, tragédia de William Shakespeare, traduzida por Millôr Fernandes. Velho, Lear vê-se necessitado em dividir para as três filhas a Bretanha, Goneril e Regana são cobiçosas, Cordélia, honesta com os sentimentos. Do maior ao menor sentimento humano, Shakespeare transformou essa tragédia da velhice num espetáculo fascinante.

Van Gogh

van_gogh

Foto: Reprodução/site deinverno.blogspot.com.br

“O que minha arte é, eu sou também”, princípio que guiou Vincent por toda vida, mas que não fora a orientação dos críticos de sua época. Émile Zola abriu as portas para que a excêntrica arte de Van Gogh entrasse para a história: “O que procuro num quadro, antes de qualquer outra coisa, é o homem”. Alguns meses após esta crítica, Theo, irmão de Vincent, recebeu uma mensagem que ele havia “se ferido”, quando chegou a Auvers um dos artistas que fora muito mal compreendido em vida havia morrido poucas horas antes.
Guiado por cartas entre Theo e Vincent, o livro Van Gogh – A vida, de Steven Naieh e Gregory White Smith, tem mais de mil páginas que contam a história do começo em Zundert, na Holanda, ao fim em Auvers, na França. Recheado de ilustrações, foi classificado por Leo Jansen, curador do Museu Van Gogh, como “a biografia definitiva para as próximas décadas”. Para entender sua obra, é necessário antes de qualquer coisa compreender o homem por trás de suas telas.

As escolas de samba

Escolas-de-Samba-do-Rio-de-Janeiro-838623

Foto: Divulgação

Sérgio Cabral – o do bem –, jornalista, escritor e crítico, dedicou uma vida para compor o livro As Escolas de Samba do Rio de Janeiro, lançado pela Lumiar em 1996. Foram 35 anos de trabalho, entrevistas diretas na fonte, grandes ícones falaram para seu gravador, num capítulo inteiro destinado aos personagens que compõem esta história. Há entrevistas com Ismael Silva, Carlos Cachaça, Dona Ivone Lara, Zé Kéti, Martinho da Vila, entre outros. Na obra, ele começa antes das primeiras escolas com o surgimento do samba, passa pela Deixa Falar, a primeira escola de samba, e termina com o Sambódromo.

 

Leia mais

Deixe uma resposta