Editorial. Ed. 160

Trombo todos os dias com gente que perdeu a fé e a paciência. Gente que vive a rebordosa da política, no travo amargo de uma ressaca cívica que não deu em nada.

A crise econômica não convida a ousadias. O desencanto é um sentimento digno. O país atravessa uma das piores quadras de sua história e engole com dificuldade os processos de corrupção. Assiste, perplexo, à destruição de nossa maior estatal, a Petrobras, e a sequência de revelações que nos dão a ideia de que tudo apodreceu nesses 12 anos de governo do PT, o partido que já foi esperança de pôr o país nos trilhos.

As pessoas se sentem impotentes. Bocejam de tédio diante do inevitável. Acordam para o trabalho, mergulham em coletivos, voltam para casa e ligam a tevê. Não convidem para nenhuma atividade pública mais do que uma centena de pessoas. Para levar seu público para a posse, a presidente Dilma Rousseff apelou para um grande esquema que contratou cantores a R$ 200 mil o cachê de cada um e centenas de ônibus que levaram militantes da esquerda funcionária para compor o espetáculo no papel da claque.

Um ministro que sai brada “não somos ladrões, não somos ladrões”, diante da roubalheira. Outro, que entra, informa que o assalto aos cofres públicos é coisa antiga, corriqueira e pontual. Portanto, aceitável.

Antes mesmo de tomar posse para o segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff e sua equipe econômica, agora comandada por liberais e monetaristas, baixa uma penca de medidas que ferram a economia popular. Medidas que ela dizia que seriam tomadas pelo seu adversário se ela perdesse a eleição. Atitude que assustou muita gente e que lhe rendeu os votos necessários para permanecer no cargo.

As desilusões que a chamada sociedade civil conseguiu mobilizar com os governos de Lula, Dilma e assemelhados desmobilizaram. O povo agora é convocado a fazer figuração no drama político e na crise econômica. Os mais dotados de neurônios ativos percebem que participavam de uma farsa. A luta por liberdades deu nesta insistência do PT em amordaçar a imprensa através de uma legislação canhestra que chama de regulação da mídia. O Conciliábulo de Mensaleiros, corruptos e corruptores, faz o possível para deixar nas sombras o que se conquistou em direitos sociais e políticos.

É triste, trágico, para não dizer patético. O resto da nação, ou seja, a maioria não proprietária e sub-representada, é obrigada a engolir sua perplexidade diante das estratosféricas taxas de locupletação que os políticos de todas as cataduras se concedem mutuamente. O povo se limita a assistir estarrecido a essas manobras dos donos do poder.

A democracia em sua gênese e desenvolvimento produziu uma grande diversidade de ambientes institucionais e regras de convivência que, basicamente, trataram de conciliar a busca do ganho privado e o interesse coletivo. Em nenhum caso deu certo a fórmula brasileira de tintas bolivarianas e excesso de desfaçatez petista, a  compatibilização entre o vale-tudo, o salve-se-quem-puder e a consolidação de uma economia viável.

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