No fim da linha

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Gustavo Fruet tem apenas 17% das intenções de voto, contra 38% de Ratinho Jr para a eleição de 2016 em Curitiba. De cada dois curitibanos, um desaprova totalmente a gestão de Fruet.

Prefeito no meio do mandato com apenas 17% de intenções de voto, se tiver um mínimo de pudor, renuncia. É o que acontece com Gustavo Fruet, que agora acumula rejeição pesada da população. Mas ele não larga o osso e se mexe para tentar a reeleição e conquistar mais quatro anos de mediocridade no cargo.

Para o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, Fruet entra em declínio muito antes do apogeu. É o maior fracasso na política paranaense desde a redemocratização. Assustado, ele vê seu adversário natural crescer também pelo contraste. Na campanha, Fruet destronou Ratinho Jr da liderança na corrida eleitoral, apelando para todos os preconceitos de classe, cultura, origem. Funcionou. Agora boa parte dos que votaram nele se arrepende amargamente e passa a acreditar que melhor teria sido eleger Ratinho Jr, campeão de votos na eleição para deputado estadual.

Ratinho Jr tem hoje chances muito maiores do que aquelas que teve em 2012 e quase levou. “A pesquisa é clara em mostrar que Ratinho Jr é o principal candidato a prefeito. O Fruet, na primeira eleição que disputou, não tinha rejeição. A prefeitura o marcou com alto índice de rejeição (um em cada dois curitibanos não votaria nele). Então, vejo que o Ratinho teria chance muito maior de vencer do que na eleição passada”, afirma Hidalgo.
Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas mostra que Ratinho Jr teria 38% das intenções de voto caso desejasse participar da eleição – contra apenas 17% do atual prefeito. O ex-prefeito Luciano Ducci (PSB) aparece em terceiro, com 10% da preferência do eleitorado – em empate técnico com Requião Filho (PMDB), Fernando Francischini (SD) e Ney Leprevost (PSD). Sem Ratinho no páreo, Fruet aparece na liderança, com 25%. Nesse cenário, Ducci teria 17%.

 

A hora do espanto

Ainda que esteja na liderança da corrida, é difícil saber se Ratinho terá interesse em disputar as eleições municipais. Ele não esconde que seu maior desejo é ocupar o Palácio Iguaçu e pode preferir tentar disputar a sucessão de Beto Richa (PSDB) em 2018. Mesmo sem Ratinho no páreo, a reeleição de Fruet está longe de ser tranquila. Em um cenário sem o candidato do PSC, ele teria 25% dos votos contra 17% de Ducci. Para Hidalgo, o ex-prefeito deve representar uma espécie de “anti-Gustavo” e buscar o voto dos eleitores insatisfeitos com a atual gestão. Além disso, há outros pré-candidatos que aparecem com potencial para, no mínimo, levar a disputa para o segundo turno, como Fernando Francischini e Requião.

O prefeito Gustavo Fruet sabe que está em maus lençóis. Vai mal, muito mal. De cada dois curitibanos, um não aprova a sua gestão, mostra sondagem da Paraná Pesquisas divulgada em janeiro. Isso no meio do mandato, quando ainda está com a caneta cheia na mão. É brutal para qualquer um que esteja na sua posição. Ainda mais em Curitiba, onde os índices de aprovação são sempre muito altos. Para consolar o prefeito, a choldra que o cerca garante que a reeleição está garantida pela desistência de adversários competitivos.

Nas contas do mestre-escola de Fruet, Ratinho Jr não será candidato, Fernando Francischini também não e a vontade de Ney Leprevost, diz ele, jamais se confirma. O resto, inclusive candidatos do PT e do PMDB de Requião, é fracativo e não preocupa.

Fruet já procurou Ratinho Jr e lhe ofereceu a vice e a certeza de que deixa o mandato na metade para se candidatar a senador. Acenou com duas secretarias para Leprevost em troca da sua desistência. Procurou também o governador Beto Richa, a quem garantiu que apoiará seu filho Marcello em troca de socorro imediato. Nenhum deles, nem Ratinho Jr, nem Richa, nem Ney Leprevost, acataram as propostas.

Na pesquisa espontânea, quando o eleitor diz em quem votaria sem ser estimulado pelo pesquisador, 85% dos eleitores de Curitiba não souberam responder qual candidato escolheriam. Fruet ficou com 5% e Ratinho com 4%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 4 de dezembro de 2014, com 816 eleitores. A margem de erro é de 3,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

 

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Fonte: Paraná Pesquisas. Metodologia: 816 habitantes de Curitiba maiores de 16 anos foram entrevistados entre os dias 1° e 4 de dezembro. Grau de confiança de 95%, margem de erro de 3,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos. Infografia: Revista Ideias. Foto Ratinho Jr: Reprodução/site bemparana.com.br Foto Fruet: Reprodução/site jagostinho.com.br

 

Efeitos colaterais da incompetência aguda

Segundo o Instituto Paraná Pesquisas, apenas 44% dos curitibanos aprovam a atual gestão, enquanto 50% a desaprovam. Isso representa uma queda de 22 pontos porcentuais desde abril de 2013 – quando 66% dos eleitores diziam aprovar a gestão de Fruet.

A pesquisa mostra que expressiva parcela dos curitibanos está decepcionada com o prefeito: 40% consideram que a gestão de Fruet está pior do que o esperado e apenas 15% dizem que o pedetista superou as expectativas. Em abril de 2013, esses índices eram de 17% e 23%, respectivamente.

 

Queda na popularidade

A série histórica mostra uma forte queda na popularidade do prefeito desde o início da gestão. Em abril de 2013, ele aparecia com 66% de aprovação. Após as manifestações de junho daquele ano, esse índice caiu para 54%, em pesquisa realizada no mês seguinte. O índice se manteve no segundo semestre de 2013, mas caiu para 44% ao longo do último ano.

Para o diretor do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, os números mostram que a “lua de mel” de Fruet com a população acabou. “No início, a população estava paciente. Mas agora, após dois anos de gestão, ela começa a cobrar”, afirma. Ele diz ainda que o discurso de culpar a gestão anterior pelas dificuldades financeiras da atual administração também está “cansando” o eleitor.

Hidalgo afirma que é cedo para fazer prognósticos referentes a uma possível tentativa de reeleição de Fruet. Entretanto, ele pontua que essa má avaliação deve servir como um “sinal amarelo”. A aprovação pode ser um indicativo importante, ainda que não conclusivo, das chances de um governante se reeleger. Quando está abaixo de 50%, a maionese desandou. O diretor do instituto avalia, porém, que apesar de haver motivos para preocupação, há alguns fatores que podem amenizá-la.

 

Segmentos sociais

A pesquisa mostra que a avaliação de Fruet caiu entre pessoas de média e baixa escolaridade. Para Hidalgo, isso é reflexo da má avaliação dos serviços de saúde pública em Curitiba. Além disso, ele lembra que Fruet venceu principalmente por causa de sua popularidade nas regiões mais ricas da cidade, que concentram as pessoas de escolaridade mais alta. Apesar de sua aprovação estar em queda também nesse segmento, é natural que ele se saia melhor em seu reduto eleitoral.

 

Saúde, principal queixa

Para a população, a saúde pública tornou-se um desastre na administração de  Fruet. Segundo o Paraná Pesquisas, 38% dos eleitores que consideram que o prefeito não cumpre ou cumpre apenas parte de suas promessas de campanha acreditam que ele está descumprindo compromissos nessa área. Áreas como educação (11%), segurança (9%), mobilidade (9%) e pavimentação (4%) também foram lembradas.

 

Não cumpre

A maioria dos eleitores de Curitiba acha ainda que Fruet não está cumprindo (47%) ou está cumprindo apenas parcialmente (15%) suas promessas de campanha. A esses eleitores, foi questionado quais promessas não estão sendo cumpridas: 38% citaram melhorias na área de saúde, incluindo a contratação de novos médicos e a construção de novos postos de saúde.

 

Educação

Das promessas não cumpridas, a construção de escolas e a melhoria da educação foram lembradas por 11% da população, enquanto a construção de creches foi citada por 5%. A melhoria no transporte coletivo, incluindo a redução nas tarifas de ônibus, foi lembrada por 9%. Obras específicas, como a construção do metrô (2%), que não estava entre as promessas de Fruet, e a conclusão da Linha Verde (1%) também foram citadas pelos curitibanos entrevistados.

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