Prateleira. Ed. 160

capa-prateleira-160

A guitarra de Jimi Hendrix

A_guitarra_de_Jimi_Hendrix

Foto: Revista Ideias

Embora seja mais conhecido como autor do provocativo livro de filosofia Crítica da Razão Tupiniquim e de seus variados romances, Roberto Gomes entrou na literatura por intermédio dos contos. E agora é para eles que volta com seu novo livro, lançado em dezembro passado, A guitarra de Jimi Hendrix. São quinze contos distribuídos em quase 150 páginas.

Joyce

joyce

Foto: Reprodução/site penguin.com.au

Samuel Beckett disse que “A obra de Joyce não é sobre algo – ela é o algo em si”. No caso do Retrato do Artista Quando Jovem, primeiro romance do autor, lançado em 1916, o algo em si seria Stephen Dedalus, que passa da infância à fase adulta durante o livro com os mais delicados detalhes. A formação e transformação psicológica, moral, estética e social é percebida na vida de Stephen e nas letras de James Joyce.
Grandes autores passam por afanosas situações. Joyce não é um tipo de autor que se deva ler em outra língua senão a original, pois ele tem o seu próprio tratamento linguístico. Por isso as capengas traduções fazem com que James Joyce em português não seja mais sublime como o verdadeiro James Joyce – porém, mesmo assim, ele ainda figura entre os melhores do mundo.

Rosa

SAGARANA

Foto: Reprodução/site magazinegibi.com.br

O caso Guimarães Rosa é diferente de James Joyce. Ele possui uma qualidade excepcional, a mesma que Chico Buarque recebeu de Tom Jobim numa entrevista. Tom disse: “o que eu mais gosto no meu amigo Chico Buarque é que ele fala português”. Isso é espetacular em Rosa, ele escreve português, escreve o brasileiro, pôs em livro a língua falada.
Em Sagarana a sua primeira obra publicada, cujo começo se deu em 1937 e fora lançada só em 1946, são nove novelas em que o sertão sempre é o cenário. Talvez a mais interessante seja A hora e a vez de Augusto Matraga, que chegou a virar um longa-metragem. Guimarães Rosa não é apenas envolvente pela literatura peculiar, a história é boa, é um dilema filosófico onde não há mocinhos nem bandidos. Onde todos são pecadores, mas todos merecem perdão. Agora pensemos numa tradução de Sagarana para o inglês, parece impossível, não é? Possível é, mas Rosa não será tão sublime quanto é, assim como Joyce no português.

O [meio] irmão alemão

IRMAO-ALEMAO

Foto: Reprodução/site amazon.com.br

Chico Buarque foi muito criticado pelos seus livros, o que foi mais bem aceito fora Budapest. A crítica não perdoou os outros livros do namoradinho do Brasil. Embora não sejam ruins, não traz nada de muito grandioso, e é o que se espera do melhor compositor brasileiro vivo.
Parece que em O Irmão Alemão ele acertou mais que em Budapest, o enredo é bom, pois faz com que a dúvida paire o tempo todo numa esquizofrenia entre realidade e fantasia. Explico.
Sérgio Buarque, seu pai, passou um tempo na Alemanha como correspondente do Jornal do Brasil e lá teve uma mulher e um filho. Logo o irmão alemão de Chico é real. Há passagens reais com a licença poética que um romance permite, o que confunde a cabeça do leitor.
Além de outras coisas como os nomes dos personagens. Alguns receberam o mesmo da vida real.
A história do meio irmão alemão do Chico Buarque foi denunciada por Manuel Bandeira e mais tarde o próprio pai confessou. Agora é livro.

Barba ensopada de sangue

barba_ensopada_br

Foto: Reprodução/site oblogdohamburguer.pt

Barba ensopada de sangue é o quarto romance de Daniel Galera. O enredo é: o protagonista não tem nome e é um professor de educação física que foge para Garopaba após a morte do pai. Isola-se psicológica e geograficamente. E lá decide desvendar a morte do avô, falecido há décadas na mesma cidade.
Daniel Galera é escritor e tradutor – já traduziu 13 livros. Recebeu com este último volume o terceiro lugar no prêmio Jabuti. O livro foi recentemente lançado nos Estados Unidos e foi agraciado pela crítica do The New York Times. Além disso, Galera foi escolhido, em 2012, como um dos 20 melhores jovens escritores da literatura brasileira pela revista Granta.

Casa-Grande & Senzala

livrograndesenzala

Foto: Reprodução/site imil.org.br

Gilberto Freyre fez parte de uma geração que estava descobrindo o Brasil republicano, que estava se desvencilhando da política velha, da República Velha, do velho pensamento colonial. Porém, mudar a forma de pensar de uma nação não é tarefa do dia para a noite. Muito tem que ser feito, escrito, ensinado. E Freyre escreveu. Assim como fez Sérgio Buarque. Ambos fizeram parte, junto com outros, de um rompimento entre dois brasis.
Porém mesmo agora, mais de 80 anos depois do lançamento, vivemos o que Gilberto definiu em seu livro como uma sociedade patriarcal onde muito se tem a ver com Casa-Grande & Senzala.
O livro é uma importante compreensão do processo de miscigenação e formação sociocultural brasileira. Uma leitura um bocado densa, mas esclarecedora.

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *