Editorial. Ed. 161

Não há como negar ao Paraná a necessidade de um programa de ajuste fiscal e de contenção de gastos, desde que sincero e honesto, num país onde o Estado, além de tudo, está falido. Assim como não se pode deixar de condenar, com veemência, os atos selvagens de violência praticados pelos militantes estatólatras diante de uma polícia contida, na sua ação de preservar a ordem pública, pelo equívoco de confundir a invasão da Assembleia Legislativa e a depredação de bens públicos com o direito de expressão.

A manifestação encorpada pela corporação dos professores foi urdida em arraiais da política nativa e guiada pelos militantes radicalizados dos partidos e seitas que perderam a eleição no ano passado e fazem deste momento a oportunidade da revanche. O que mais sobressai é o PT, que controla a APP-Sindicato dos Professores.

Mais lamentável ainda é que as cenas, exibidas em todo o país e em alguns lugares do mundo, tenham ocorrido aqui, no Paraná, e incensadas por parte significativa da mídia, que aproveita a onda e realiza sua própria revanche contra o governo estadual. Sem esquecer o universo psicológico dos enragées tupiniquins e daqueles senhores escorraçados por ovos e pedradas. Algozes e vítima, às vezes, têm certos pontos de identidade. Mas voltemos às inquietações do Paraná real.

O diagnóstico não requer a sapiência de nenhum esculápio da economia ou da sociologia. É simples: as finanças do país naufragaram pela insistente política de estimular o consumo e de extensa filantropia que os atuais ocupantes do poder usam para manter seus currais eleitorais, especialmente nas áreas mais pobres do país, onde a democracia real e o capitalismo não chegaram. A cobertura desse bolo indigesto é o da corrupção sem antecedentes na história do Brasil. O PT conseguiu destruir as instituições e, pasmem, está quase conseguindo destruir a outrora maior empresa do continente.

A soma de equívocos e da má-fé das correntes da esquerda petistas e seus assemelhados que conduzem o país com o apoio da maior acomodada nos partidos como PMDB, PP e outros, afunda o país e com ele os estados que dependem da distribuição tributária para sobreviver.

A esquerda que perdeu as bandeiras da revolução socialista se alberga no nacionalismo chinfrim dos que ainda supõem ser a siderurgia um setor estratégico e não a tecnologia. Alinha-se aos interesses do empresariado que reverencia o Estado em busca de contratos superfaturados, de empréstimos com juros reais negativos ou de favores fiscais.

Não admitem que não há poupanças – ou qualquer outra espécie de recursos internos – capaz de evitar o sucateamento das bases da infraestrutura  do país e muito menos para alavancar um programa de desenvolvimento. O pacote de medidas que o governador Beto Richa enviou ao Legislativo previa a contenção de gastos e o aumento da arrecadação, ao mesmo tempo, para que o Paraná possa investir em infraestrutura e saltar à frente enquanto os demais se afundam em sua própria inércia.

Mais uma vez os mesquinhos interesses políticos e corporativos se sobrepõem, pela violência que chegou a fechar o Legislativo sob aplausos dos que não atentam para a gravidade do ato, à racionalidade necessária para enfrentar a crise que não foi o Paraná que criou. Nasceu no mesmo berço que embalou o Mensalão, o Petrolão e a corrupção sem-fim e também a política econômica do nosso Ogro Filantrópico. Haja estômago.

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