O celular de Felipe

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Felipe Pinheiro passa os invernos na região leste do Caribe e os verões no Mar Báltico. Dos mares quentes dos santos Juan, Thomas e Martin até as frias Tallinn, Riga e São Petersburgo. Depois vai a Lisboa, passa por Gibraltar (terra de Molly Bloom, heroína do Ulysses de James Joyce), entra no Mediterrâneo dando com os costados na Espanha, França e Itália. Trabalha sete dias por semana, sem descanso. Só para quando se deita para dormir em sua cabine. A companhia de navegação em que trabalha tem trinta navios dos quais sete têm um estúdio fotográfico com um fotógrafo responsável pelo trabalho junto aos passageiros. O estúdio é de responsabilidade do profissional, o equipamento é da companhia. Há metas para cumprir. Quanto mais trabalha, mais o fotógrafo e a companhia lucram. É cansativo. Retratos e mais retratos, photoshop, tratamento, cópias em papel P&B, “pérola” da Fuji, porta-retratos.

Mas ao passar pelos portos onde o navio faz escala, Felipe sempre dá um jeitinho para fazer seu trabalho pessoal. E este é feito, como foram feitos os seus trabalhos para o curso de publicidade da Universidade Positivo, com seu celular. Alguns puristas podem, eventualmente, dar um pulo para trás: celular! Com ponto de exclamação. Sim, porque não? Uma vez que a fotografia é a seleção do olhar do fotógrafo, não importa como é feito o registro: filme P&B ou cor, digital, lomo, pinhole. O que importa é o que o fotógrafo transmite com a sua visão no enquadramento escolhido e a luz que modela esse enquadramento. O segredo é fugir do banal. As fotos que a Ideias publica são um pot-pourri de motivos. O que os une é a fotografia feita com o aparelho celular, que foi a sua primeira câmera. E foi com ela que fez seu trabalho de término de curso para a faculdade.

Participou junto com o professor Ricardo Macedo do projeto “Tour Virtual do Campus Campo Comprido” da UP. O trabalho foi exposto na biblioteca do campus. Essa exposição seguiu para a Universidade Bauhaus, em Weimar, Alemanha, referência em design no mundo. Ficou lá por dois meses. Depois desse projeto surgiram outros, entre eles o “Tour Virtual do MON” em Curitiba.

Felipe acaba de embarcar em Miami para mais alguns meses de árdua batalha. Mas quando chegar a um destino em terra firme, depois de acabar o seu trabalho com os clientes do navio, irá com a sua câmera, o seu celular, o seu olhar e a sua sensibilidade fazer aquelas imagens pelas quais vale a pena ser um fotógrafo.

Essas fotografias, junto com mais catorze, estão expostas na Choice – Academia de Profissões que fica na Alameda Augusto Stellfeld, 1970, tel. (41) 3205-8888.
Vale a pena uma visita.

 

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