Que povo é esse?

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Lula e Dilma. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

 

Alguém percebeu que desde o dia 14 de maio de 2005, há 10 anos, quando a revista Veja divulgou a transcrição de uma gravação de vídeo na qual o diretor dos Correios, Maurício Marinho, solicitava e também recebia propina para ilicitamente beneficiar um empresário, não houve um só dia sem denúncia de corrupção no governo do PT? Era apenas o fio da meada. Depois veio o Mensalão, uma penca de ministros apeados por denúncias cabeludas, denúncias pontuais e agora o Lava Jato descobre o maior escândalo de corrupção de toda a história do país.

Bem, agora me digam que povo é esse que, apesar de toda a ladroagem na República, reelegeu Lula, elegeu Dilma e reelegeu Dilma? Ora, pois, isso prova que mentira nem sempre tem perna curta e, quando bem aplicada, funciona a favor dos mentirosos. A parcela mais pobre e desinformada acredita em Lula e em Dilma como acredita em divindades religiosas e torce por eles como torce pelo seu time de futebol preferido, nenhuma racionalidade, só engodo e emoção.

Agora, com a divulgação da lista de políticos envolvidos na corrupção que quase quebra a Petrobras, a temperatura subiu em Brasília. Até porque com mais gente na mira abrem-se fartas possibilidades de traições e novas trincheiras para se percorrer a trilha da roubalheira. “Siga o dinheiro (Follow de Money) e você chegará ao chefe do crime.” O conselho certeiro de W. Mark Felt (o Garganta Profunda), principal fonte de informação dos repórteres Bob Woodward e Karl Bernstein (Washington Post) nos bastidores do poder nos Estados Unidos – ao longo das investigações do célebre Escândalo Watergate –, volta a pontificar, no Brasil 2015 do Petrolão, como método adotado e levado à risca pelo juiz Sérgio Moro. Os rastros costumam valer mais do que o número de gente metida na encrenca. Percorrê-los tem sido a obsessão dos investigadores da Operação Lava Jato. E passam a ser agora tarefa primeira das investigações e diligências autorizadas pelo ministro Teori Zavascki, do STF. Por enquanto, a lista fala mais pelo o que não diz. Aponta quem recebeu propina e esquece-se de quem mandou pagá-las.

O PT até ensaiou comemorar a inclusão do tucano Antônio Anastasia (MG), mas não teve fôlego. Afinal, além de dois deputados – José Mentor (SP) e Vander Loubet (MS), e do já enrolado ex-líder Cândido Vacarezza (SP), estão no rol os senadores Humberto Costa (PE), ex-ministro de Lula, o cara-pintada que liderou movimentos Fora Collor, Lindbergh Farias (RJ) e a aguerrida Gleisi Hoffmann (PR), ex-ministra da presidente Dilma Rousseff. Além do ex-ministro e tesoureiro da campanha de Dilma, Antônio Pallocci, hoje sem foro privilegiado.

Collor de Mello, hoje senador, foi o único do PTB, partido de Roberto Jefferson, principal delator do Mensalão. Os outros seis são do PMDB, o grupo mais parrudo, com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), com ex-ministros de José Sarney, Lula e Dilma – Valdir Raupp (RO), Romero Jucá (RR) e Edison Lobão (MA) –, além do deputado Anibal Gomes (CE) e da ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney.

Em um governo que faz o diabo para segurar o poder na unha, é difícil crer que desvios da fenomenal quantia de R$ 10 bilhões da Petrobras, segundo as primeiras estimativas da Polícia Federal, tenham ocorrido apenas para rechear bolsos de uns e outros. Só para se ter uma ideia do poder de fogo e da enormidade disso, a milionária campanha de reeleição de Dilma declarou ter gasto R$ 318 milhões.

Dono da caneta há 12 anos e responsável pela nomeação daqueles que coordenaram as falcatruas, o PT sabe que não tem como esconder que é o maior beneficiário dos desvios na Petrobras. Seja para o partido ou, indiretamente, para aliados. Com a popularidade de Dilma ladeira abaixo, a economia em frangalhos e pressão intensa interna e de aliados que lhe puxam o tapete, o PT não confia na fidelidade nem dos mais próximos. Todo mundo é um delator em potencial.

E se Gleisi Hoffmann, em estado de choque porque foi flagrada, ou uma magoada Roseana Sarney resolver falar? E se um dos 32 do PP, partido apoiador de primeira hora que lidera a lista, se sentir na berlinda e abrir o bico? Esta foi só a primeira lista. Inclui apenas a Petrobras e as primeiras delações. Outras virão, com a construção da usina de Belo Monte encabeçando o rol. Nelas, os beneficiários dos crimes são por demais conhecidos. Boa parte dos demais bandidos também.

 

Mentiras, mentiras, mentiras

O PT procura se defender como sempre. Mentindo sem nenhum pejo. O pronunciamento da presidente Dilma Rousseff no dia 8 de março, justificado como homenagem ao Dia Internacional da Mulher, chegou ao cúmulo da desfaçatez.
Em outubro último, mês da eleição presidencial em primeiro e segundo turnos, havia crise econômica internacional, segundo Dilma Rousseff, mas não havia crise no Brasil graças ao seu governo e de seu antecessor, o ex-presidente Lula. Lá atrás, quando um tsunami econômico varria o mundo, o então presidente Lula dizia que tudo não passava por aqui de uma “marolinha”. Nem “marolinha” havia no país da candidata à reeleição.

Inflação? Estava sob controle. E jamais deixaria de estar. Sem falar em pleno emprego. Lembra como Dilma enchia a boca para falar do pleno emprego. E do Pronatec! O Pronatec viera para ficar, prometeu Dilma também de boca cheia. Como ela parecia se orgulhar do Pronatec! Por falar nele, está suspenso. Trombou com o país da vida real.
E a obra de integração do rio São Francisco, concebida para acabar com a seca que aflige os nordestinos há tantos séculos? Obra ambiciosa. Gigantesca. A ser entregue no final deste ano. Pois sim. Está atrasadíssima. Somente em Pernambuco, no final do ano passado, foram demitidas 2.300 pessoas empregadas na obra. Uma tristeza. Outra mentira da propaganda.

Nem que a vaca tossisse, Dilma deixaria que mexessem nos direitos dos trabalhadores. A vaca não tossiu. Não foi necessário. Mexeram nos direitos. Afinal, para manter o poder, Dilma disse que faria o diabo. E fez.
Agora, pede aos brasileiros e brasileiras que tenham paciência. Porque os problemas são apenas conjunturais. Porque eles passarão em breve, muito em breve. E ao passarem deixarão um legado de soluções perenes. É mentira em cima de mentira.

Minha Casa, Minha Vida era um programa estupendo. Complementado pelo programa Minha Casa Melhor, que financiava a compra do que fosse indispensável para se viver feliz dentro de casa. Minha Casa Melhor foi interrompido. O governo culpa por isso quem se endividou além do que poderia pagar. O calendário gregoriano não serve para balizar certas coisas. Por exemplo: este século de fato começou com os atentados do 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Antes deles nada de relevante aconteceu. O segundo governo de Dilma deveria acabar no próximo dia 31 de dezembro de 2018. Arrisca-se a acabar mais cedo.

 

Dilma pede socorro

Sem nenhuma vergonha, a presidente Dilma e seu PT tentam agora conter a fúria das massas no Brasil real e mais desenvolvido. E quer que os seus adversários, vítimas de suas mentiras e aleivosias eleitorais, lhe deem apoio em nome da governabilidade. Ora, ninguém mais acredita em Dilma, Lula, o PT e seus aliados.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) rejeitou a tese de promover um pacto pela governabilidade com aliados da presidente Dilma Rousseff (PT). Em nota, ele disse que “qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo”.

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Fernando Henrique Cardoso. Foto: Wilton Junior/Agência Estado

A nota foi uma resposta ao assédio de governistas ao ex-presidente que tem admitido a aliados a hipótese de uma aproximação com a presidente petista, na tentativa de ajudar a achar uma saída para as crises política e econômica. Em sua resposta, FHC diz que “o momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo. Este quer antes de mais nada que se passe a limpo o caso do Petrolão”.

Fernando Henrique Cardoso disse ainda que “cabe sim que as forças sociais, econômicas e políticas se organizem e dialoguem sobre como corrigir os desmandos do lulo-petismo que levaram o país à crise moral e a economia à recessão”.

Também em nota, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) chamou de “delírio sem qualquer fundamento na realidade” a tese de um acordo pela governabilidade de Dilma. “A condição para tirar o Brasil da crise é tirar o PT do poder”, disse. Ele disse ainda que a oposição tem o dever de “travar um combate sem tréguas ao desastre ético e administrativo do lulo-dilmo-petismo para nos credenciarmos cada vez mais a derrotá-los nas ruas e no voto”. “Abraço de afogados? Estamos inequivocamente fora”, encerra.

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