Editorial. Ed. 162

O noticiário pinta um retrato sombrio do Brasil de hoje. Quem assusta não são apenas deputados, senadores e governantes, é o País –  quer dizer, a gente teria de tremer ao se olhar no espelho. Parece que a Nação se sente fatalmente tolhida para a realização de um grande destino por uma vasta camarilha de políticos corruptos, tão vasta a ponto de suscitar a impressão de que a política é sinônimo de corrupção.

Neutralizada a gangue, com o corretivo da punição devastadora, os problemas estariam resolvidos, de sorte a justificar a ideia de que a Revolução Brasileira realizaria, por esse caminho, a igualdade em vão buscada há mais de dois séculos, da Tomada da Bastilha, em 1789, em diante.

Em todas as camadas sociais, o juiz Sérgio Moro colhe o consenso de que, ele sim, ele finalmente, apoiado pelas massas uivantes nas ruas, será capaz de agir, ao sabor do pensamento pequeno-burguês, de que liquidada a política como arte do enriquecimento ilícito, do assalto ao erário, todos terão direito à riqueza, ou seja, à felicidade.

Trata-se, obviamente, de uma perigosa simplificação dos problemas, de uma conclusão que dispensa, bem mais que a objetividade, a própria lógica.

A precariedade da Nação, a imaturidade do País, o seu distanciamento de uma modernidade precipitada há séculos em outras áreas do planeta, são dolorosamente flagrantes.

E nada, absolutamente nada, indica que os brasileiros de hoje são substancialmente melhores, ou, se preferirem, diferentes de quem os governa ou de quem os governará.

Não há razão alguma para se supor que os políticos sejam piores do que os demais cidadãos que os elegem. Ou que empresários, jornalistas, metalúrgicos, professores universitários, etc. etc. constituam categoria à parte, devidamente sintonizada com a contemporaneidade do mundo.

Estamos todos na vala comum do nosso atraso, cada vez mais fundo.

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