Prepare-se, o pior ainda está por vir

Protesto em Recife. Foto: Rodrigo Lôbo/Fotos Públicas

 

Pois, pois, uma pesquisa confirma a outra e todas dizem que Dilma Rousseff, seu governo, seu partido, o PT, seu mestre o ex-presidente Lula e toda a imensa caterva que se abriga sob o pendão palaciano, inclusive partidos como o PMDB, PP, PCdoB e assemelhados, estão em decomposição rápida. E por força disso, o defunto fede. Hoje, a maioria absoluta dos brasileiros quer ver toda essa gente apeada do poder.

Pesquisa realizada pelo instituto MDA aponta que 59,7% da população é favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. O levantamento, encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostra que a desaprovação do governo da petista é de 64,8%, enquanto o seu desempenho pessoal tem resultado negativo de 77,7%. Um índice que faria corar Maluf, Collor e Sarney.

Segundo o levantamento, 45,6% dos entrevistados consideraram o governo atual “péssimo”, enquanto 19,2% responderam como “ruim”. A gestão é regular para 23,6%, enquanto 8,9% consideram boa e 1,9% acha “ótima”. O desempenho pessoal da petista é aprovado por 19%. Em setembro, antes das eleições do ano passado, 24% avaliavam o governo como negativo e 41% como positivo, enquanto 35% consideravam regular.

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Dilma Rousseff, depois dos protestos do dia 15 de março. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O MDA ouviu 2.002 pessoas, em 137 cidades de 25 unidades federativas, das cinco regiões, entre os dias 16 e 19 de março de 2015. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

A pesquisa também sondou como os eleitores votariam se as eleições do ano passado fossem hoje. A maioria dos eleitores (55,7%) disse que votaria no senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado pela petista no segundo turno, enquanto 16,6% votariam em Dilma. Outros 22,3% responderam que votariam em branco ou anulariam o voto.
Dentre os entrevistados, 41,6% disseram ter votado em Dilma no segundo turno das eleições do ano passado, contra 37,8% que escolheram Aécio Neves. Outros 10,8% disseram ter votado em branco ou nulo.

Embora a maioria dos entrevistados tenha se dito favorável ao impeachment, 96,1% disseram que não participaram de manifestações contra o governo no último dia 15. Dos entrevistados, 34,7% se disseram contra o processo de perda de mandato, enquanto 5,6% não responderam ou não souberam opinar.

Efeito Petrobras

Entre os entrevistados, 85% disseram acompanhar o escândalo envolvendo a Petrobras, enquanto 68,9% consideram que a presidente Dilma Rousseff é culpada pela corrupção na estatal. Um percentual semelhante (67,9%) também acredita que o ex-presidente Lula tem culpa pelo esquema.
A lista de políticos investigados pela Operação Lava Jato é conhecida por 75,7% dos entrevistados, aponta a pesquisa – 90,1% consideram que os citados estão mesmo envolvidos nos crimes.

A maioria dos entrevistados (57,4%) acha que o governo não será capaz de combater a corrupção na estatal, ante 6,4% que acreditam que “sim, totalmente”, enquanto 32% responderam “sim, em parte”.
Para 50,6% dos entrevistados, o maior desafio do país é a corrupção, seguido da saúde (37,1%), economia (29,3%) e educação (23,7%).

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Rio de Janeiro – Protesto de trabalhadores de empresa contratada pela Petrobras. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Economia em crise

A pesquisa também questionou sobre o atual cenário econômico: 92,8% responderam que estão preocupados, ante 6,7% que negaram. Para 50,1% o país está economicamente “parado”, enquanto 38% veem um cenário de “retrocesso”. Apenas 7,2% acreditam que o país está em desenvolvimento.
Para 66,9%, as medidas tomadas pelo governo não são suficientes para reverter a situação de crise, enquanto 82,9% acreditam que a presidente não está sabendo lidar com a questão.

A maioria dos entrevistados (68,6%) acredita que o custo de vida vai aumentar e 77,2% disseram que reduziram as despesas por causa da atual situação. Sobre o mercado de trabalho, os entrevistados ficaram divididos: 43,4% disseram que temem ficar desempregados, contra 41,7%.

 

Como o inglês vê

Em editorial, o jornal Financial Times destaca a crise vivida pelo Brasil, com demonstrações de descontentamento — em relação à fraqueza da economia, à escassez de água e à corrupção na Petrobras — e queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff a seu menor nível, 13%, enquanto o Planalto culpa fatores externos pelas mazelas. “Parece que ainda ontem o país estava com a bola toda. Mas sua queda tem sido espetacular. Infelizmente, a situação deve ficar ainda pior. A questão central é se as instituições do Brasil vão se manter.”

Na análise, o jornal lembra que o país foi favorecido pelo ciclo de valorização das commodities, que permitiu aumento das receitas do governo, da massa de renda da população e do crédito doméstico. Mas, sem disciplina, o processo está se revertendo.
“O colapso da moeda, com queda de um terço em seis meses, está reprecificando dramaticamente a economia”, enquanto as taxas de juros sobem para combater a inflação e compensar o risco dos investidores internacionais — afinal, o país precisa de capital estrangeiro para financiar seus déficits fiscal e corrente. Além disso, a Petrobras é alvo de ação judicial nos EUA por conta das perdas decorrentes da corrupção.

Para enfatizar a responsabilidade do Brasil pelo mau momento, o “FT” lembra que os vizinhos Chile, Colômbia e Peru, com economias orientadas para o mercado, passaram incólumes pelo fim do ciclo das commodities e estão crescendo com força. Pelo menos, enfatiza o jornal britânico, o país está longe da hiperinflação. Sobretudo, analisa a publicação, as instituições — especialmente o Judiciário — estão atravessando a turbulência com estabilidade. “É um progresso para o ‘p aís do futuro’, como diz o clichê.”

 

Não dá para maquiar

Bem que a presidente Dilma tenta mascarar a crise e amenizar seus efeitos com um discurso que já não convence ninguém. Nem ela mesma, se observarmos as contradições entre as suas declarações em curto prazo de tempo.
O certo é que pela primeira vez os analistas de instituições financeiras estão esperando que a inflação supere 8% este ano. Segundo pesquisa feita semanalmente com economistas e divulgada pelo Banco Central (BC), a mediana das expectativas para o IPCA de 2015 foi revisada para cima, na 12ª piora seguida da estimativa, de 7,93% para 8,12%, enquanto para 2016 passou de 5,60% para 5,61%. A meta oficial para a inflação é de 4,5%, podendo chegar a 6,5%.

A alta dos preços administrados é o grande peso, com a expectativa dos especialistas subindo agora para 12,6%, contra 12% antes. O dólar também tende a pressionar os preços, com os especialistas vendo a moeda a R$ 3,15 neste ano contra R$ 3,06 na pesquisa anterior. Para 2016, a projeção é de R$ 3,20, frente a R$ 3,11 antes.
O IBGE informou que, em 12 meses, o IPCA-15, considerada a prévia da inflação, acelerou para 7,90% — a maior taxa desde maio de 2005, quando ficou em 8,19%. Para o câmbio a previsões também foram revisadas, para cima, de US$ 3,06 para US$ 3,15 no fim de 2015 e de US$ 3,11 para US$ 3,20 no fim de 2016.

Ao mesmo tempo, os analistas passaram a mostrar incerteza sobre a dimensão da alta da Selic na reunião de abril. O Top-5 de médio prazo, com as instituições que mais acertam as projeções, elevou ainda mais a perspectiva de aperto monetário para o fim deste ano.

 

Contração de 0,83% na economia

Sob o peso da inflação, o Copom elevou a Selic em 0,50 ponto percentual no início de março, para 12,75% ao ano. No Focus, os especialistas consultados veem nova elevação na reunião de abril do Copom, mas a mediana das projeções, de 13,13%, mostra incerteza quanto à dimensão dessa alta — anteriormente, eles viam a Selic a 13%.

Para o fim de 2015, o Focus ainda aponta a taxa básica de juros a 13% na mediana das estimativas, mas o Top-5 elevou a projeção a 13,75%, ante 13,50% antes. Para 2016, a mediana das projeções no Focus permaneceu em 11,5%, enquanto o Top-5 elevou a projeção em 0,50 ponto percentual, a 12%.
Já para o desempenho da economia houve piora nas projeções coletadas até o dia 20 de março: para 2015 foram de -0,78% para -0,83% e para 2016 de uma alta de 1,30% para 1,20%. A pesquisa Focus, do BC, reúne as estimativas de cerca de cem instituições financeiras.

 

Cortes, promete Dilma
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Dilma Rousseff. Foto: Greg Salibian

A presidente Dilma Rousseff afirmou que fará um contingenciamento “significativo” do Orçamento da União neste ano para garantir o cumprimento da meta de superávit primário de 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), admitindo que o país está com desequilíbrio fiscal.

“Foi aprovado o Orçamento, agora, assim que sancionado, nós vamos fazer o contingenciamento, que será significativo, não vai ser um pequeno contingenciamento”, disse a presidente a jornalistas em Eldorado do Sul (RS), após participar da Abertura da Colheita do Arroz Ecológico.

Dilma reforçou que a aprovação do ajuste fiscal é imprescindível para a economia do país. Segundo ela, quanto antes isso for feito, mais rápido governo e economia sairão do período de restrição.

“É fundamental que nós tratemos do contingenciamento, porque nós temos um objetivo. Qual é o nosso objetivo? É fazer 1,2 por cento de superávit primário. Para fazer isso, nós contamos com as medidas que nós enviamos ao Congresso e também com um processo de redução dos nossos gastos”, disse.

“Nós, de fato, temos um desequilíbrio fiscal… nós absorvemos uma parte grande, uma parte imensa da crise que nos atingiu nós absorvemos no Orçamento”, argumentou. “Não estamos ajustando porque gostamos de ajustar.”

O ajuste fiscal proposto pela presidente, porém, tem enfrentado resistências dos aliados no Congresso, dos movimentos sociais e do próprio PT. Os aliados contestam a falta de clareza dos ajustes e de uma estratégia de médio e longo prazo para que o país volte a crescer.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também contesta a estratégia adotada por Dilma para fazer o ajuste, porque ela não explica aos eleitores porque é necessário fazê-lo. Já os petistas e os movimentos sociais contestam as áreas escolhidas para os cortes, como benefícios trabalhistas e previdenciários, que ainda precisam ser aprovados no Congresso.

O cenário para a aprovação das medidas de ajuste fiscal no Congresso se torna ainda mais difícil porque Dilma enfrenta uma forte crise política com a base aliada, com o maior partido da coalizão no Parlamento, o PMDB, irritado com o tratamento dispensado por ela e pressionando por mudanças no ministério.

“Esse momento de dificuldade é passageiro, conjuntural. Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior melhor”, reclamou Dilma, que é acusada pela oposição de estelionato eleitoral, por ter dito na campanha eleitoral que o país não precisava de um forte ajuste fiscal.
Como já havia feito em pronunciamento na TV, Dilma fez um apelo por união. “Só podemos superar essa situação momentânea de dificuldades juntos.”

Pouco antes de discursar, Dilma ouviu duras críticas ao ajuste fiscal do líder nacional do MST, João Pedro Stedile, em mais uma amostra das dificuldades políticas de se aprovar integralmente as medidas no Congresso, o que pode colocar em risco o cumprimento da meta de superávit primário.

“Não basta querer acertar o Orçamento da União apenas cortando gastos sociais, como está lá o Ministério da Educação com 30 por cento a menos, ou cortando as moradias, que faz seis meses que não fazem um novo contrato e dizer que tem que cortar seguro-desemprego, seguro daqui, seguro dali”, atacou Stedile, dizendo que o MST fará uma manifestação em 7 de abril.

“Nós queremos o equilíbrio fiscal, mas achamos que quem tem que pagar as contas não é o trabalhador, são os ricos e milionários”, acrescentou.

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