Ultra Corpo ciclo 1: o além de Carlo Alberto Rusca

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O fotógrafo Paulo Greuel, que contribuiu com seu trabalho para a edição nº 158 da Ideias, apresentou-me dois fotógrafos com trabalhos, para dizer o mínimo, fascinantes. Priscila Prade mostrou os seus retratos na edição nº 159 e agora o italiano Carlo Alberto Rusca, com o seu Ultra Corpo ciclo 1 ou luz invisível. Por luz invisível considera-se aquela radiação do espectro não alcançada pela nossa vista. Na Universidade de Zurich, Suíça, Carlo modificou um CMOS (complementary metal-oxide semiconductor), dispositivo eletrônico ou sensor da câmera que transforma a luz em imagem. Com a alteração, além de captar a luz visível, a câmera capta outros comprimentos de onda, frequências não visíveis ao olho humano, como o infravermelho, que registra as frequências de calor. O ciclo 1 apresentado “é a primeira parte de um projeto que visa explorar a identidade visual da pessoa e a percepção da realidade através do uso fotográfico da luz não visível”. As imagens vão além do limite da pele humana, penetra até 5 mm dentro do corpo. Com isso pode registrar o além da pele, a nossa identidade visual mostrada pelas veias e artérias. “Este novo instrumento estético, concreto e acessível, pode abrir um instigante diálogo com o observador: do alienante, do efeito visual estranho, à discussão sobre a percepção da realidade e como isso está relacionado com a nossa visão e o seu limite biológico.”

Penso que com estas fotografias sob a nova técnica abre-se um campo bastante grande para conseguirmos ver e olhar além da nossa limitada visão. O registro ultrapassa o íntimo visível. Abrem-se novas identidades, nosso mais íntimo eu carnal é mostrado além da nossa nudez. Paulo Greuel nota, em texto escrito para a revista Photomagazine, a pose estatuária dos fotografados. Os modelos posam para a câmera como se posassem para um raio-x, para uma fotografia com um propósito de pesquisa, científico. Não há truques ou preciosismos com angulação ou luz. Há um quê de solidão, de abandono, de entrega nas fotografias.

Carlo Rusca nasceu em 1989 em Turim, Itália, e mora em Lugano, Suíça. Estudou na SUPSI – Scuola Universitária Professionale della Svizzera Italiana. É um artista de múltiplas habilidades. Além da fotografia, trabalha com filmes: escreveu, dirigiu e editou Di padre in figlio e dirigiu e editou Danza Macabra, curta-metragens. Foi produtor executivo do vídeo Love Sucks, diretor de fotografia do curta Maladettapianta, foi assistente de steadicam e eletricista em Il risanamento, e primeiro assistente de câmera no filme Homo Sapiens Cyborg.

Com Ultra Corpo ciclo 1, o fotógrafo ganhou a Menção Honrosa com o tema Nu no prestigioso “Monochrome Awards” na classe fotografia P&B.
Seu trabalho foi selecionado para o famoso Nikon Photo Contest 2014-2015.
Eu e outros amigos seus do Brasil esperamos ansiosos seus novos e criativos trabalhos.
As citações entre aspas são comentários de Carlo Rusca.

 

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