Curtas. Ed. 163

José Sarney. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 

Sarney carente

Perdeu o lugar. Depois da indicação do vice Michel Temer para a coordenação política do governo, o ex-presidente José Sarney tem sido consultado menos pela presidente Dilma Rousseff. Sarney, do seu lado, acha que Temer poderá fazer um bom trabalho: considera o vice hábil, polido nas negociações e bom de conversa, indo diretamente ao ponto desejado, só que sem pressão. Mesmo assim, Sarney anda meio carente.

 

Chapa pura

Há ousadia no PMDB. Grande grupo de integrantes do PMDB sonha com uma chapa futura reunindo, na esfera federal e também na estadual e municipal, apenas nomes da legenda. Ou seja: Eduardo Cunha para a Presidência, Eduardo Paes para o governo do Rio e Sérgio Cabral – quem diria – para prefeito. O problema maior é que a candidatura de Cabral sairia em primeiro lugar, dois anos antes dos voos eleitorais de Cunha e Paes. Se Cabral perde, esvazia o resto da composição – sonhada, por enquanto.

 

43 sigilos

A força-tarefa montada para a Operação Zelotes, que investiga fraudes em julgamentos do Carf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, começa a analisar a quebra de 43 sigilos bancários. A varredura abrange 2.300 horas de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, 230 mil e-mails e documentos apreendidos em 41 residências e consultorias. O suposto esquema teria causado prejuízo de R$ 6 bilhões aos cofres públicos.

 

Reino gaúcho

No Ministério da Aviação Civil, um projeto prevê investimentos de R$ 7,3 bilhões em 270 aeroportos regionais do Brasil, dos quais 124 ganharam o rótulo de prioritários, devido à decisão estratégica do governo para interessar companhias aéreas. O ministro (gaúcho) Eliseu Padilha resolveu dar o mesmo rótulo de prioridade para cinco cidades do Rio Grande do Sul. Na licitação de R$ 310 milhões para 15 aeroportos, cinco são em Passo Fundo, Rio Grande, Santa Rosa, Santo Angelo e São Borja.

 

Peregrinação

É dura a vida de um candidato paranaense ao STF. Fosse um baiano, um gaúcho, carioca, paulista ou mineiro e a bancada de seu estado estaria fechada a seu favor. Pois, pois, o professor e advogado Luiz Edson Fachin, escolhido pelo Planalto para a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo, também anda preocupado com a ameaça do Senado vetar seu nome. Esta semana, está em Brasília, conversando com integrantes da Comissão de Constituição e Justiça da Casa. E teve sua segunda conversa com Renan Calheiros, presidente do Senado. A sabatina na CCJ está marcada para o próximo dia 29. Se Fachin não sentir firmeza em sua aprovação, a data poderá ser remarcada.

 

Vidas devassadas

Ora, pois, não há limites para a investigação no Lava Jato. Depois da prisão de Paulo Roberto Costa e Renato Duque, ex-diretores da Petrobras, a Polícia Federal e o Ministério Público investigam cerca de 40 funcionários da estatal subordinados às diretorias de Abastecimento e Serviços, sem os quais seria praticamente impossível se instalar o superesquema de corrupção. Também funcionários diretamente ligados à refinaria Abreu e Lima estão tendo suas vidas vasculhadas ao lado de outros ligados às duas diretorias que possuem outras 10 subdiretorias.

 

Banho de loja

Na recente viagem a Cuba, esticando depois em Nova York, Tatiane Vilas Boas, primeira-dama da JBS/Friboi, levou o maridão Joesley Batista a algumas lojas da Fifth Avenue e da 57th Street para novo capítulo do banho de loja que tem dado ao empresário. Joesley nunca se preocupou muito com grifes famosas, já foi em eventos sociais de camisa esporte, calça de uma cor e paletó de outra e agora está descobrindo roupas e acessórios do mercado de luxo. Sua predileção, por enquanto, é por produtos Gucci.

 

Oposição atleticana

Diante da fase ruim que o futebol do Atlético Paranaense atravessa, um grupo liderado pelo ex-presidente Farinhaki se reuniu no Restaurante Madalosso para discutir a atual situação do clube. Além de Farinhaki, Fleury, outro ex-presidente atleticano, também esteve no evento. Mais de 200 pessoas compareceram à reunião, onde evitou-se, por enquanto, comentar diretamente sobre um candidato de oposição.

 

CUT-PT: novo round

Embora o PT esteja ao lado da CUT na defesa dos interesses da central no caso da terceirização, há, internamente, uma grande disposição de afastar o comando partidário do braço sindical. Escolher um biólogo de Sergipe para o lugar de João Vaccari Neto – e não alguém ligado às origens do PT dentro do ABC paulista – é o primeiro grande exemplo dessa posição.

 

Ligado a Lula

É tão grande a ligação entre João Vaccari Neto e Lula que, em seu primeiro governo, o então presidente chegou a ser nomeado para a presidência da Caixa. Só não assumiu porque não tinha nível universitário. Na época, a pretensão de Lula surpreendeu até a cúpula do partido, mas ninguém se atreveu a perguntar a ele os motivos de sua radical preferência.

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