Editorial. Ed. 163

Quem pensou que a onda de corrupção revelada pela Operação Lava Jato está no fim das investigações, enganou-se. Na verdade, nem começou. E para espanto de qualquer brasileiro de bons costumes, a roubalheira vai muito além da Petrobras. Já estão incluídos na trama a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde. Avançam investigações na Eletrobras e no BNDES. Preparem-se. Esse processo não tem fim.

Não poderia ter sido melhor batizada a 11ª Operação Lava Jato – A Origem. O Mensalão respingou no Banco do Brasil e o escândalo da Petrobras envolve a Caixa Econômica e outros setores do governo, como se fosse o verdadeiro mapa da mina. Caixa e a estatal do petróleo estão entre as que não colocam suas despesas no Siafi – Sistema Integrado de Administração Financeira.

O esquema descoberto pela Polícia Federal envolvendo a agência Borghi/Lowe e a Caixa Econômica Federal é gigantesco. No ano passado, a Caixa investiu R$ 2,3 bilhões em propaganda. É o banco que mais investe em publicidade. Chega a sustentar a maioria dos clubes de futebol do país que levam a sua marca na camiseta.

Agora, a mesma Polícia Federal e o Ministério Público estão vasculhando o setor elétrico e o BNDES. Mais: quando vier à tona o conteúdo das delações premiadas de Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa, e de Eduardo Leite, vice, o estrago será maior ainda porque envolverá grandes figuras nacionais.

Também a Operação Zelotes da Polícia Federal, que investiga esquema criminoso envolvendo homens da Receita Federal e o Carf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deverá ganhar nova investida, com direito a prisões em todo o país.

Ao lado do Ministério Publico, a Polícia Federal está abrindo novo leque de investigações em cima de processos suspeitos que já seriam mais de 100. Para quem não tem ideia: no final de 2013, 89 empresas que operam na Bolsa tinham nada menos do que R$ 303 bilhões em disputas tributárias – e só 20% delas teriam R$ 59 bilhões provisionados.

E já que estamos a fazer contas, vamos dar uma olhada no que vai pelo Legislativo do Brasil brasileiro.  Pasmem. A Câmara Federal gasta, anualmente, com seus 513 deputados, R$ 5,3 bilhões, orçamento próximo do Recife, com R$ 5,7 bilhões e 1,6 milhão de habitantes; o Senado gasta R$ 3,9 bilhões por ano para atender 81 senadores e assessores, volume quase igual ao de Salvador, com R$ 4,3 bilhões e 2,9 milhões de habitantes; e o TCU gasta R$ 1,8 bilhão para nove ministros e assessores, perto do orçamento de João Pessoa, com outro R$ 1,8 bilhão e 780 mil habitantes.

É a nossa sina. Instituições deformadas, estado hipertrofiado, burocracia corrompida, blocos de pressão na Câmara e no Senado que exigem mais dos desvios das estatais e do próprio Ministério, sem respeitar nem mesmo as áreas de atenção social mais sensíveis e necessárias, como o Ministério da Saúde.

E a caterva petista age como sempre. Faz de conta que não é com ela. Dilma foge da imprensa, terceiriza a gestão política entregando-se ao PMDB, Lula viaja, os petistas mais fanáticos e sem pejo gritam que tudo isso é feito para melhorar a vida dos mais pobres. Pode?

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