O fotógrafo das estrelas

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Sergio Mendonça Jr. há muitos anos sai em busca de estrelas. De estrelas e sua ambiência: a Via Láctea, as Nuvens de Magalhães, as constelações Órion, Escorpião, Cruzeiro do Sul e a natureza circundante quando posiciona a sua câmera na terra. Procura locais onde as luzes das cidades não atrapalhem a visão pura do céu que a cada dia é mais difícil de se encontrar perto das grandes aglomerações urbanas. Entre os anos de 2004/2005 a 2011/2012, fez inúmeras incursões a Ponta Grossa e região, notadamente ao Parque Estadual de Vila Velha.

Visitou-o nas quatro estações do ano para registrar as mudanças de posição que as estrelas ocupam no firmamento. Das primeiras fotos que tirou, com uma câmera Canon 20D até a atual Canon 6D muita coisa mudou. Com o desenvolvimento da tecnologia digital uma fotografia que exigia 5 minutos de exposição hoje é exposta em 30 segundos. Em compensação há, hoje em dia, uma saturação das luzes das cidades e dos conglomerados de indústrias nos arredores. O que obriga o fotógrafo a enfrentar o desafio de gravar a imagem com um mínimo de interferência das indesejadas luzes ou, se o objetivo é dar mais destaque ao céu, procurar locais cada vez mais afastados. Do trabalho feito em Vila Velha nasceu uma exposição que o fotógrafo intitulou “Tão longe tão perto”. As fotografias foram feitas de dia e de noite. Algumas das fotos diurnas do parque Mendonça fez com a camera suspensa por balões inflados a gás hélio e manejado com um controle remoto. Com um visor no controle posicionava a câmera para achar o melhor ângulo e a luz incidente mais perfeita para a cena que captava. Hoje em dia trabalha com um drone, o que facilita mais o seu trabalho.

Mendonça, em suas peregrinações por Ponta Grossa e região, tem descoberto outras paisagens e lugares interessantes. Trabalha num projeto de um livro que irá publicar com o título de “Ponta Grossa, imagens, histórias e lendas”. Há muito trabalho pela frente, mas o autor está cheio de vontade e de ideias. Neste ano ainda fará muitas viagens para pesquisar e fotografar tendo em vista a conclusão do seu livro.

Outros fotógrafos, entre amadores e profissionais, fotografam as estrelas tendo em planos mais próximos paisagens da Terra. Penso que as fotografias de Mendonça conseguem nos transmitir, com seu posicionamento da câmera, uma percepção da grandeza do universo e da pequenez e da transitoriedade de nossa condição humana. Daquele “minuto mais soberbo e mais mentiroso ‘da história universal’: mas que também foi somente um minuto”, onde num astro “animais inteligentes inventaram o conhecimento”, como bem disse Friedrich Nietzsche.

A exposição das fotografias está na Galeria Ticcolor – Rua Conselheiro Laurindo, 506 onde fica até o dia 15 de maio. É bom ir correndo para ver.

 

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Arenito taça e o polo sul celeste

 

 

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Arenito camelo e a Via Láctea

 

 

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Arenitos e as Nuvens de Magalhães

 

 

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Arenitos e a Via Láctea

 

 

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Arenitos e a Via Láctea

 

 

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