Editorial. Ed. 164

Há quem se sinta às vésperas da Revolução Francesa, que trouxe à ribalta o Terceiro Estado. Há também quem perceba o avanço da turba a invadir e ocupar palácios para derrubar quem está no Poder. Veremos. A malta vai às ruas conduzida por dirigentes sindicais visivelmente comprometidos com um partido que perdeu completamente a sua credibilidade, o PT. Não é sem razão que só há greves de professores nos estados que não são governados pelo PT.

Aqui, no Paraná, a radicalização do movimento ganhou, no princípio, apoio de faixas sociais que tinham suas próprias razões para investir contra o governo. Uma extensa manifestação de irracionalidade que contamina qualquer tentativa de diálogo ou entendimento.

Gerações e gerações de burguesotes e remediados foram criadas na crença de que o Estado deve ser forte para que cumpra a função de proteger, dar guarida, emprego e vantagens para o funcionalismo público. A classe média nativa vê apressadamente os noticiários e a boataria potencializada pela internet e se conforma tranquilamente a contos da carochinha tecidos para legitimar qualquer tentativa de reduzir o estado. Neoliberais, gritam os manifestantes, sem ao menos saber o que dizem, tal qual a criança que usa um palavrão que não compreende para insultar o desafeto.

Trata-se de não perder os privilégios. De não entregar sequer os anéis, contrariando, segundo se crê, os propósitos da esquerda. Pois bem, onde lhe é conveniente, a esquerda insufla a plebe rude e ignara a tomar tudo o que pode e desgastar ao máximo o inimigo neoliberal.

Neoliberal soa aos ouvidos dessa gente como ameaça demonizada. Chama-se de neoliberal, genericamente, o bicho-papão, com variações sobre o tema, como se dá com  diabo, também chamado de Astaroth, Ramãozinho, Cão, Satanás. Coisas de outros tempos, condenadas pelos educadores modernos. Mas a política nacional não conta com educadores modernos.

Educação? Como alguém pode dizer que temos uma educação de qualidade, professores capazes, num país onde 75% da população entre os 15 e os 64 anos de idade não consegue ler, escrever nem calcular plenamente? Massa que passou pela escola e saiu travada na ignorância, pois o que sabem não é suficiente para aprender mais.

Culpa do Estado? Tudo bem, mas é de se perguntar que tipo de educação lhes deram os professores para que tenhamos um quarto de brasileiros adultos incapaz de entender realmente o que lê, de escrever realmente o que quer dizer e de continuar aprendendo com a utilização dessas habilidades.

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