As viagens de Zé Cahue

capa-kaue

Sua primeira ideia de sair numa longa viagem veio depois de um grande sofrimento, de uma grande perda. O começo, com poucos recursos, foi se aventurar pela América do Sul, nos países vizinhos: Paraguai, Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Em La Paz, no alto dos Andes, na cidade que o cativou, resolveu ficar, trabalhar e, principalmente, fotografar. Depois de uma rápida volta ao Brasil retornou à Bolívia onde morou um pouco mais de um ano. Zé Cahue, de inteligência rápida, criativa e de grandes habilidades fez um pouco de tudo: trabalhou em gráfica, com música eletrônica, deu consultoria sobre futebol e começou a se aventurar nas lides fotográficas. Durante sua estada, com uma câmera Yashica 135 com três objetivas (24mm, 50mm e 135mm), fotografou a capital e o interior do país. Viajou nos mais diversos meios de transporte, dormiu nos lugares mais estranhos e comeu as comidas mais exóticas.
Apesar de todo o fascínio por La Paz e pela Bolívia, Zé Cahue queria ir para outras paragens. Ver outros povos, falar outras línguas, conhecer outras pessoas e fotografar outras paisagens e suas gentes. Lá mesmo na Bolívia começou a aprender alemão. E partiu para uma aventura mais longínqua. Seus primeiros destinos europeus foram Suíça, Alemanha, Áustria – Zurique, Berlim e Viena. Esta cidade, antiga capital do império austro-húngaro, histórica, de glorioso passado musical, de teatros e óperas, logo conquistou o coração do artista. Lá estudou música com o professor Igor Lintz Maués da Universidade de Viena, trabalhou com um sócio japonês com informática e comprou sua primeira câmera digital: uma HP compacta. Nos três anos que passou na Áustria, com uma escala de três meses na França, no Limousin-Périgord, mergulhou a fundo no estudo e no seu desenvolvimento junto a arte fotográfica.

A fotografia e o cinema ganhavam cada vez mais um lugar especial em sua vida. Voltou para Curitiba em 2004 e no ano seguinte foi para a China onde viveu pouco mais de três anos. A comunicação, a princípio, era uma mistura de inglês, mímica e gestos. Mas logo começou a falar o suficiente para uma sobrevivência sem muitas complicações. Para se manter deu aulas de fotografia e aulas de inglês para crianças.

Com uma Nikon D-50 viajou pelo imenso país e ao Tibete, que os chineses insistem em ser parte da China, para fotografar. Com o incremento do comércio Brasil-China abriu uma empresa de exportação de produtos chineses para o Brasil. A partir daí começou uma época em que quase não dormia, pois tinha que ficar acordado nos fusos horários dos dois países. O que importava, porém, era o seu desenvolvimento como fotógrafo e sua iniciação ao cinema. Já de posse de uma nova Nikon D-80 e com uma Sony Alpha DSLR-A700 munida de uma objetiva zoom 16-85mm fotografou intensamente. E comprou uma filmadora Sony EX-1 para o registro em vídeo.

Enfim, em 2008 saiu da China com o firme propósito de voltar ao Brasil. Mas quis voltar devagar, sem pegar transporte aéreo e conhecer alguns países na longa viagem de volta. Viajou de ônibus, de trem, a pé, de carroça, de carona. Foi ao Paquistão, Índia, Irã, Turquia, Bulgária, Romênia, Hungria até chegar à Espanha. Documentou a viagem em fotos e vídeos. No Paquistão conheceu alguns membros do talibã que o convidaram para conhecer o Afeganistão. Mas mesmo para o arrojado Zé Cahue a aventura era meio arriscada. Gentilmente declinou o amável convite.

O projeto de voltar a seu país sem pegar avião gorou. Com a guerra civil na Eritréia, onde pegaria o navio de volta, achou prudente embarcar em um vôo a partir de Madri.
Para aperfeiçoar seus conhecimentos em cinema frequentou o curso da Academia Internacional de Cinema em São Paulo. Em Nova Iorque cursou a cadeira de cinema da New York University em três meses intensivos. Desde o final de 2010 está por estas plagas: primeiro Recife e agora Curitiba.

Tem curso de pós-graduação em cinema e de música eletroacústica na FAP – Faculdade de Artes do Paraná.

Zé Cahue tem um ótimo trabalho fotográfico como se pode ver neste ensaio fotográfico. É uma pequena parte do muito que tem em seus arquivos. Escolhi a China/Tibete para ter uma unidade de exposição. Muito mais, junto com os seus filmes, ele logo os mostrará para uma justa apreciação de seu talento.

 

(1)_zecahue-china-murovermelho

 

 

(2)_zecahue-china-meninatrem

 

 

(3)_zecahue-hongkong-meninanoite

 

 

(4)_zecahue-china-hexianqiao2

 

 

(5)_zecahue-xinjiang-meninopizza

 

 

(6)_zecahue-xinjiang-pulamoeda

 

 

(7)_zecahue-tibete-interiorcasa

 

 

(8)_zecahue-tibete-sinuca

 

 

(9)_zecahue-yunnan-laoren

 

 

(10)_zecahue-china-sobrinholily

 

 

 

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *