O Anônimo

O pior ataque a uma pessoa é aquele realizado pelo anônimo. Já sofri um desses ataques covardes deixado por um “anônimo” em meu Blog. Os alvos foram duas postagens repletas de humanismo e fé, mas não foram suficientes para arrefecer o ódio represado do néscio, do fundamentalista, do covarde que se escondeu por trás do anonimato. O oculto e inculto ser, mostrou ter mente estreita e visão limitada, repleto de ignorância e ranço contra a cultura, denegrindo o sofrimento e os sentimentos dos personagens.

Há uma regra quase comum, pois em geral a agressão anônima é periférica, muito próxima da vítima. É aquela que se esconde sob o manto do segredo, sem rosto, sem identidade, sem qualificação intelectual. Incapaz de mostrar a face, o anônimo procura direcionar sua revolta contra a vida e o pensamento alheio; contra o melhor aquinhoado, ressaltando sua característica de ressentido, de um pequeno canalha.

O anônimo que noticia fatos e comentários virulentos para prejudicar a vítima, revela-se um ressentido raivoso e vingativo. E quando falamos de vingança gerada por um ressentimento que denota descontentamento e derrota pela própria condição intelectual ou da vida medíocre que tem, falamos também sobre impossibilidade de se alterar o modo com que a realidade se efetiva para ele. Assim, a vingança do anônimo tem a tendência de ser a desforra, ou o desconto contra algo ou alguém que de alguma forma o incomoda, pois o ressentido sempre busca atingir aquele que é o “responsável”, o culpado por esta dor que ele sente.

Nietzsche tomou o termo “ressentiment” e parte de seu sentido de Kierkegaard. Traduzindo para uma linguagem moderna, a idéia é a seguinte: “Não tive sorte ou, então, sou burro e preguiçoso, acho chato estudar e gosto de dormir. Sou invisível socialmente e invejo o bem-sucedido, que se pavoneia com seus objetos. Não quero me sentir culpado de minha condição; prefiro, portanto, acusar dela o bem-sucedido. Com isso, viverei minha mediocridade como se fosse o resultado da violência dos privilegiados, que gozam de tudo e não deixam nada para mim”. Enfim, para se consolar, o ressentido inventa uma moral (social ou religiosa) pela qual, no futuro, seu perseguidor será destronado pela revolta ou queimará nas chamas do Inferno.

É dessa maneira que interpreto o ataque do anônimo: um ataque à sua própria condição de ser.

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