Música Erudita. Ed. 165 – Óperas essenciais

Há alguns anos o jornal inglês The Guardian publicou uma boa lista com as maiores óperas da história. A partir dela foi feita uma seleção pessoal, com algumas adaptações, daquelas consideradas essenciais num acervo. Aqui vão as mais antigas, as primeiras óperas escritas e que devem ser conhecidas por todos que amam o gênero. No próximo número apresentaremos mais cinco composições.

L’ORFEO

Cover-image-croppedClaudio Monteverdi
Mântua, Itália, c. 1607

Com um músico como herói mitológico, L’Orfeo surge como a primeira grande ópera da história. Monteverdi foi o pai-fundador do gênero. No início da ópera, o “Espírito da Música” explica o poder da música, e especificamente o poder de Orfeu, cuja música é tão poderosa que é capaz de mudar a atitude dos próprios deuses. Eurídice morre de uma picada de cobra. O triste Orfeu, por meio de sua música, tenta salvá-la do submundo. Tema lírico muito popular (musicado por Gluck, Offenbach, Glass), L’Orfeo é emocional, melancólica e transcendente. Outro belo trabalho de Monteverdi é L’Incoronazione di Poppea.

DIDO AND AENEAS

divulgacaoHenry Purcell
Londres, Reino Unido, 1689

Único sucesso operístico em inglês até o século 20, a história é baseada no livro IV de Eneida, do poeta romano Virgílio, que narra o amor da rainha de Cartago Dido, pelo herói troiano Enéias, que a leva ao desespero quando é abandonada por ele. Além de marinheiros e bruxas, Purcell nos deu um dos lamentos mais sublimes em ópera: a ária “When I am laid in earth”, que Dido canta antes do seu suicídio. É uma ópera sonoramente colorida e curta, durando cerca de 50 minutos. Um Purcell mais grandioso pode ser encontrado em The Fairy-Queen.

GIULIO CESARE IN EGITTO

HaendelGeorg Friedrich Händel
Londres, Reino Unido, 1724

Um épico de amor e guerra, geralmente considerado o melhor trabalho de Händel, Giulio Cesare tem uma trama ricamente construída, com o bônus de uma Cleópatra brilhantemente caracterizada e escandalosamente sedutora. César, escrito para castrato, é geralmente cantado por um contratenor. A ópera é longa, mas está recheada de belas árias, duetos, com trompa solista, violino imitando passarinho, melodias arrebatadoras. Talvez seja essa a mais bela ópera de todo o Barroco. O melhor de Händel também pode ser ouvido em Rodelinda, Alcina, Ariodante e Rinaldo.

LA SERVA PADRONA

719nUOYHPHL._SL1024_Giovanni Battista Pergolesi
Nápoles, Itália, 1733

Essa ópera ligeira e despretensiosa, com uma divertida história de apenas três personagens, sendo um deles mudo, tornou Pergolesi conhecido internacionalmente. Foi escrita apenas para preencher um intervalo entre os atos de outra ópera. É considerada a primeira ópera cômica. Traz uma criada namoradeira que finge ser a própria patroa para enganar o amante. Suas melodias são fascinantes. A peça foi o estopim de uma polêmica que agitou os meios musicais franceses muito após a morte de Pergolesi: a Querela dos Bufões. Em 1752, uma companhia italiana apresentou La Serva Padrona em Paris, no intervalo da ópera Acis et Galatée de Lully. Foi o suficiente para despertar a fúria entre os partidários da tradição francesa e os defensores do estilo italiano.

ORFEO ED EURIDICE

gluck1Christoph Willibald Gluck
Viena, Áustria, 1762

Escrito em italiano, esse drama intenso foi posteriormente revisto como o francês ORPHÉE ET EURYDICE. Traz uma mistura de antigos e novos estilos, no caminho para o Romantismo. É considerada uma das óperas-chave do século XVIII. Foi a primeira manifestação da reforma sobre a ópera planejada por Gluck, que focava a ação dramática, em lugar das distrações virtuosísticas. Já no início se percebe sua beleza diferenciada: um coro lamenta a morte de Eurídice em som grave e profundo, enquanto Orfeu chora por ela num canto estratosférico. O momento mais famoso da ópera é a ária “Che farò senza Euridice?”, que virou ária de concerto de inúmeros cantores. Outras preciosidades de Gluck são: Iphigénie en Tauride, Paride e Elena e Alceste.

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