Prateleira. Ed. 165

O Evangelho segundo Saramago

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Foto: Reprodução/site 12mesesdeleitura.wordpress.com

Não há meio termo em O Evangelho segundo Jesus Cristo de José Saramago. O gajo é ácido. Ou amam, ou odeiam. Editado pela primeira vez em 1991, o livro já cansou de voltar para gráfica, foram muitas outras reimpressões.
Para lê-lo é preciso estar atento ao livro sagrado cristão, pois senão qualquer ironia passa despercebida. Muitos pensam – e se enganam – que Saramago é o tal do bom moço que só quer escrever uma história, mas, embora ele negue, há vários indícios de ateísmo e marxismo – como foi, ateu e marxista – em seu texto.
Lava suas mãos com a epígrafe, cita Lucas, 1, 1-4. E diz, por alto: que estudou cuidadosamente toda a história e resolveu escrevê-la. Sem contar que no primeiro parágrafo do livro chama atenção para “o que temos diante de nós é papel e tinta, mais nada”. Não nos enganemos, Saramago era um ateu num país que quem não fosse católico deveria ser defenestrado. Leia, ame-o ou deixe-o.

Teoria Geral do Esquecimento, José Eduardo Agualusa

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Foto: Divulgação

O contexto histórico da Guerra da Independência da Angola é o pano de fundo para o romance de Agualusa, lançado em 2012 pela editora Foz. A ficção é surpreendente num cenário quase único que, de tão improvável, dá uma volta no leitor e torna-se crível. Uma mulher portuguesa viaja, a contragosto, na companhia da irmã e do cunhado para Angola nos terríveis tempos da guerra; com as modificações do país e a violência civil, os parentes somem e, com medo, ela ergue uma parede em seu apartamento luxuoso e lá vive durante trinta anos. O medo do mundo, o medo do próximo, o medo de si mesma e de enfrentar tudo que é externo a fazem passar três décadas numa solidão dividida entre a sobrevivência, a observação da vida externa e a anotação de seu cotidiano nas paredes. Uma prisão por escolha, escolha própria e das circunstâncias. Outros personagens compartilham das páginas do livro e revelam a importância de suas aparições no decorrer do enredo.
O argumento aconteceu para um filme. Agualusa escreveu o roteiro, mas acabou não sendo rodado, anos mais tarde o enveredou para o romance, que é tido como uma de suas melhores obras.
Capítulos rápidos, frases curtas e muitas imagens, Teoria Geral do Esquecimento é, sobretudo e ironicamente, um livro de memórias; lembranças que reconstroem a vida e dão sentido a diferentes formas de encarar a realidade.

Sejamos todos feministas

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Foto: Reprodução/site kdmulheres.tumblr.com

Chimamanda Ngozi Adichie é uma nigeriana que se diz “feminista feliz e africana que não odeia homens e gosta de usar batom e salto alto para si mesma e não para os homens”, nesta tacada ela desconstrói os estereótipos que as feministas carregam, não que haja qualquer coisa errada em ter pelos nas axilas e sexualmente preferir mulheres.  No livro Sejamos todos feministas, editado em 2012 pela Companhia das Letras, Chimamanda não traz teorias elaboradas sobre a questão de gênero, tampouco prega a palavra, de maneira sutil ela mostra, através de exemplos pessoais, o machismo praticado do jeito mais “delicado” ao mais escancarado e primitivo.

A Revolução Francesa

British historian Eric Hobsbawm at work in January 1976

Eric Hobsbawm. Foto: Reprodução/site theguardian.com

“Se a economia do mundo do século XIX foi constituída principalmente sob a influência da revolução industrial britânica, sua política e ideologia foram constituídas fundamentalmente pela Revolução Francesa”, assim escreve o autor de A Revolução Francesa, Eric Hobsbawm, editado pela Paz e Terra em 1996. Embora acredite que ele seja um dos principais historiadores do marxismo e do século XX, na sua história dedica-se também à história da revolução que sacudiu todos os alicerces ideológicos que completa 226 anos no dia 14 do corrente mês. Uma revolução onde criou-se a esquerda e a direita, onde criou-se a contemporaneidade. Livrinho pequeno de 57 páginas e bem didático e bem gostoso.

O cardápio de Frida Kahlo

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Foto: Reprodução/site feminices.com

Depois de sofrer um endiabrado acidente e quase visitar a morte, Frida Kahlo decide fazer uma oferenda anualmente e anotar tudo no seu “Livro da erva santa”. Editado em 2009, pela Planeta, a obra de Francisco Haghenbeck mistura realidade e ficção e revela os pratos de Frida que encataram nomes como Diego Rivera e Leon Trotski.

As flores do mal

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Foto: Reprodução/site estelivro.wordpress.com

Editado pela primeira vez em 1857, As Flores do Mal, de Charles Baudelaire, causou problema, foi acusado de atentar aos bons costumes e duramente atacado pelo Le Figaro. O escritor foi condenado a pagar uma multa de 300 francos, reduzida para 50, e seu editor a pagar 100 francos. Em seus poemas Baudelaire consegue extravasar o simples ataque sobre a figura do clero, vai ao âmago da religiosidade, ataca Deus e seus representantes. Os poemas A negação de São Pedro, Abel e Caim e As Litanias de Satã mostram a sua rebeldia contra a religião e a religiosidade. Paul Valéry disse que “As Flores do Mal não contêm poemas nem lendas nem nada que tenha que ver com uma forma narrativa. Não há nelas nenhum discurso filosófico. A política está ausente por completo. As descrições, escassas, são sempre densas de significado. Mas no livro tudo é fascinação, música, sensualidade abstrata e poderosa”.

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