Editorial. Ed. 165

Affonso Celso Pastore deu uma boa entrevista sobre o esforço de Dilma Rousseff para sair do atoleiro em que estamos todos nós. Ele mostrou, em primeiro lugar, que o ajuste fiscal é uma farsa: “Neste ano, teremos uma recessão em torno de 1,5%. Os investimentos estão caindo muito. Com sorte, no futuro, poderemos crescer 1%. Com um juro real de 6% e essa perspectiva de crescimento, é preciso um superávit primário de 3% do PIB para estabilizar a dívida”.

Pastore disse também que a economia brasileira está num círculo vicioso: “Temos uma forte retração do consumo das famílias, que é consequência do aumento do desemprego. Os bancos estão pisando no freio do crédito, para provisionar recursos para abater os prejuízos que tiveram com Petrobras, Sete Brasil, empreiteiras. O consumo está caindo e o investimento também. Não tenho dúvida de que o PIB do segundo trimestre vai cair bem mais do que o do primeiro e que, no terceiro, possivelmente teremos queda também. Ou seja, o governo vai perder mais arrecadação, o que gera maior necessidade de cortes, acentuando a recessão”.

A melhor saída, segundo ele, é a renúncia de Dilma Rousseff: “O mercado adora pessoas otimistas, que dizem que o Brasil é maior do que a crise. É mesmo, mas não é imediato. Isso implica alternância de poder, o que ainda não está à vista. A solução mais fácil é a presidente e seu partido fazerem um grande acordo nacional, cedendo poder a outros partidos”.

Ora, pois, o pano de fundo do desastre econômico é o festival de escândalos de corrupção que não cessa. Todos os dias temos novidades. Não só da Lava Jato, operação que vai, aos poucos, revelando o que Lula, Dilma, o PT e assemelhados estavam fazendo nas estatais, principalmente a Petrobras, enquanto a pátria mãe tão distraída discutia outro desastre, o da seleção brasileira de futebol.

E chegamos ao meio do ano com o Tribunal de Contas da União disposto a reprovar as contas de 2014 de Dilma Rousseff. Dos 13 pontos destacados pelo TCU para que Dilma Rousseff apresente justificativas, dois são especialmente preocupantes para o governo: as pedaladas fiscais e a ausência de cortes nas despesas discricionárias (não obrigatórias)”.

Pois, pois, o governo sabia que não teria a arrecadação prevista. Nesses casos, a Lei de Responsabilidade Fiscal obriga a presidente a cortar despesas não obrigatórias a cada dois meses, o que não foi feito.

Mas a desfaçatez do time petista é interminável. Sem nenhum pejo, Dilma Rousseff pretende se defender no TCU atribuindo a Arno Augustin, ex-secretário do Tesouro, a culpa por todas as ilegalidades cometidas no ano passado.

A versão que aliados da petista têm ventilado, acredite o leitor se quiser, é que Dilma foi enganada por Arno Augustin, que teria mandado brasa em desonerações, pedaladas, reduções de tarifa e outras mandracarias fiscais sem comunicar à chefe a real situação das contas do governo.

É evidente que ela aposta na burrice geral da Nação.

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