Prateleira. Ed. 166

Existencialismo

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Jean-Paul Sartre. Foto: Reprodução/site kristeligt-dagblad.dk

Jean-Paul Sartre recebeu duras críticas após a formulação do seu existencialismo expressado fundamentalmente no livro O Ser e o Nada. Por um lado os marxistas, como Pierre Naville, disseram que tal filosofia não leva em consideração as circunstâncias sociais ao dizer que o sujeito é livre para ser qualquer coisa e que acaba por cair numa filosofia burguesa. Por outro, da Igreja Católica. Sartre se declarava abertamente ateu e considerava improvável a existência de Deus, pois se ele existisse a subjetividade humana seria suprimida, algo que não é – pois o homem está por ser feito, nunca está e nem estará totalizado. Para responder ambas as críticas, o filósofo francês realizou uma conferência que se transformou no livro O existencialismo é um humanismo, editado pela primeira vez em 1946, que acima de tudo quer mostrar como o existencialismo pode compreender e auxiliar a vivência humana.

Um amor proibido

Hannah Arendt. Foto: Bettmann/Corbis/Polfoto

Martin Heidegger. Foto: Photoservice Eccta/Polfoto

Parece ser unânime entre os estudiosos de Martin Heidegger, uma das principais mentes do século XX e autor de Ser e tempo, classificá-lo como nazista; parece também pouco provável sustentar que não era. Contraditoriamente estabeleceu uma relação afetuosa com uma judia que era sua aluna na Universidade Marburg, o encontro se sucedeu em 1924 e ela tinha apenas 18 anos, mas não era qualquer aluna, ela era a futura Hannah Arendt. Em 1933 – mesmo ano que Hitler assumiu a Alemanha – uns dizem por ideologia, outros por oportunismo, Heidegger embolsou a reitoria da Universidade de Friburgo e se inscreveu no Partido Nazista. Bastou! Manchou o currículo para sempre. E contraditoriamente, de novo, a principal obra da sua amada é As origens do totalitarismo, onde ela combate o antissemitismo e os regimes totalitários. Mas, nem os contrastes filosóficos, nem o destino da vida impediram que ambos trocassem correspondências por 50 anos (1925-1975) que podem ser lidas em Hannah Arendt e Martin Heidegger - Correspondência 1925 – 1975, organizado e comentado por Ursula Ludz.

Proust em mil exemplares

Marcel Proust

Marcel Proust. Foto: Reprodução/site etvradio.org

Quem leu Marcel Proust ultrapassou ligeiramente da obra romanesca para obra ontológica, reconhecemo-nos enquanto ser em suas palavras, em suas principais palavras, ou seja, em “Em busca do tempo perdido”. Mas, ele foi além, ou melhor, aquém, pois antes de lançar sua principal obra, primeiramente recusada por André Gide, editor da Gallimard, que o julgava como um repórter metido e leviano, Proust publicava crônicas em periódicos da época e em outros que ainda sobrevivem, caso de Le Figaro, a falar sobre os saraus e salões parisienses frequentados pela alta sociedade.
Graziella Beting ao fazer uma pesquisa para seu doutorado encontrou tais crônicas e decidiu editá-las. A Carambaia lançou mil exemplares de “Salões de Paris”, do repórter metido e leviano Marcel Proust. A tradução é de Caroline Fretin de Freitas e Celina Olga de Souza, com um texto de apresentação do especialista na obra de Marcel Proust e professor de Literatura Francesa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Guilherme Ignácio da Silva.

Declaração de amor

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Foto: Revista Ideias

Recém lançado pela Companhia das Letras, o livro Declaração de amor é uma compilação de poemas amorosos de Carlos Drummond de Andrade. O apanhado foi feito pelos seus netos Luis Mauricio e Pedro Augusto Graña Drummond que traz clássicos do poeta mineiro. Com interessantes ilustrações, o livro é um bom manual de consulta para as datas comemorativas ou para aquelas cartas despretensiosas que pegam o bem-amado de surpresa. Afinal, “A gente sempre se amando/ nem vê o tempo passar./ O amor vai-nos ensinando/ que é sempre tempo de amar”.

Constituições ideologizantes e ideologizadas

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Foto: Reprodução/site arraeseditores.com.br

Mezzaroba se uniram para escrever a História Ideológica e Econômica das Constituições Brasileiras. Neste texto encontramos duas coisas: por um lado a análise da ideologia do constitucionalismo; por outro a constitucionalização de ideologias. Editado pela Arraes a obra é baseada na tese de doutorado de Matheus Felipe com a orientação de Mezzaroba e foi lançada no começo deste ano.

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