Cinema. Ed. 167

A Pequena Loja de Suicídios

Affiche

Foto: Reprodução/site filmosaure.com

A classificação do filme diz “comédia”, contudo cabe somente para quem sabe rir da morte. A Pequena Loja de Suicídios é a primeira animação do diretor francês Patrice Leconte, que contabiliza mais de 30 longas em sua jornada como cineasta. Ele disse que “Para alguém em fim de carreira, a animação é perfeita. Sem encheção de saco, os atores sabem o texto de cor, não existem problemas com o clima, é ótimo”, além disso, há cenas que só foram possíveis por ser uma animação.

 

O enredo é pesado, se passa numa cidade obscurecida pela tristeza e pela falta de vontade de viver, logo o comércio mais lucrativo é uma loja que vende artigos para quem quer se suicidar. O problema começa quando a dona da boutique dá à luz um filho diferente, ou seja, alegre e sorridente, otimista e de bem com a vida.

 

A produção franco-belga de 2012 é uma adaptação do livro homônimo de Jean Teulé, publicado em 2007. Muitas vezes ácida e irônica, a película é repleta de críticas, algumas mais escancaradas, outras subentendidas. Talvez a principal seja a sociedade enferma que vivemos, sem perspectivas. Mas, a crise econômica (em 2012 a França ainda estava abalada pela catástrofe de 2008), o papel do Estado, o consumo do cigarro, nada escapa.

 

Quando o filme termina fica uma sensação estranha, angustiante. Mesmo assim é possível rir, mas para isso precisamos encarar as coisas como disse algum filósofo pré-socrático que agora não me recordo o nome: a morte não faz parte da vida, pois quando a morte está, a vida não está.

 

Jonas Mamoré

Les Adoptés

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Foto: Divulgação

Filme de 2011, dirigido por Melanie Laurent, que também estampa suas boas possibilidades de atriz, Les Adoptés tem roteiro delicado, recheado de belas imagens e de alguma rotina francesa.

 

O filme tem um poder impressionante de deixar que o enredo seja maior que seus personagens, o que nem sempre é fácil.
De modo geral, o assunto reinante trata do universo das perdas, de como elas são fatos naturais na vida de todos, sem explicações ou justificativas, e que, na ficção ou na realidade, não sobra nenhuma opção a não ser enfrentá-las.

 

Ao mesmo tempo em que os personagens se colocam discretos na trama, todos são absolutamente desenhados com traços marcantes de personalidade, história própria e maneiras diferentes de olhar para os mesmos acontecimentos, o que permite vários olhares do espectador para o enredo.

 

Les Adoptés nos avisa, em caixa alta, que a vida é movimento e todas as certezas que temos podem nos escapar num dia qualquer sem hora marcada e assim não nos resta muito mais que redenção, superação e reinvenção do cotidiano.

 

Adriana sydor

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