Editorial. Ed. 167

O Paraná deu a volta por cima e voltou a investir. Saiu da crise pela força de um ajuste fiscal rigoroso que provocou os maus bofes da população e permitiu a setores organizados e ruidosos, como o movimento dos professores, capitalizar a reação popular em favor de suas reivindicações. Mais. A APP-Sindicato, dos professores, braço armado do PT nativo, levou sua ação ao confronto extremo, com invasão da Assembleia Legislativa e cenas de batalha campal com a Polícia Militar no Centro Cívico.
Agora, a população começa a rever sua opinião sobre o ajuste. As pesquisas mostram que há entendimento sobre sua necessidade. Afinal, os exemplos terroríficos de outras plagas, como o Rio Grande do Sul, mostram a quanto pode chegar o desastre das finanças sem um esforço para ajustar as contas.
Enquanto outros estados se aproximam da quebradeira, o Paraná já pode visualizar um futuro melhor. Com a conclusão de mais uma etapa do ajuste fiscal, o Governo do Paraná equilibrou as finanças estaduais e recuperou sua capacidade de investimento. Para o próximo ano, 2016, o governador Beto Richa projeta mais R$ 5 bilhões de investimentos em obras de infraestrutura urbana e viária nos municípios.
“Nós estamos honrando os compromissos e retomando as obras. A meta é chegarmos ao ano que vem com R$ 5 bilhões em caixa para novos investimentos, gerando mais progresso, mais empregos e mais renda aos paranaenses”, disse Richa em encontro com prefeitos no Palácio Iguaçu em Curitiba.
Não é fácil controlar os gastos públicos nas condições do Estado patrimonialista. Quando se fecha uma porta, abre-se outra. Exemplo disso é o esforço de deputados e lobistas para forçar o governo a pagar o que não pode e explodir o ajuste feito a duras penas. A defesa de pagamento imediato das Requisições de Pequeno Valor pode levar a uma armadilha para a Fazenda Pública. Para se ter uma ideia, só uma ação conjunta de funcionários da Secretaria de Saúde, que importa em R$ 100 milhões, pode criar problemas de caixa para o erário. Acontece que a ação é coletiva e importa nesse valor, mas a execução é individual. Cada um dos funcionários pode pedir ressarcimento imediato.
O limite estabelecido pelo governo é de R$ 13,811 para Requisições de Pequeno Valor. Há deputados que, a cata de votos e simpatias, querem furar esse limite, o que tornaria inviável qualquer planejamento financeiro. Advogados especializados em patrocinar causas financeiras contra o Estado se organizam em lobby para pressionar ou seduzir deputados. O resultado pode ser um grande imbróglio fruto de irresponsabilidade.
O Paraná de Beto Richa dá o exemplo, num momento em que todas as instituições da República são depravadas por um governo marcado pela incompetência. São os tempos.

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