Crise de identidade e seus arquétipos

Sempre que vou escrever sobre um tema procuro ser atual em alguma discussão que esteja presente nas mídias ou questões médicas, principalmente aquelas ligadas ao estresse que é um assunto sempre palpitante e do qual venho trabalhando há muito tempo. No entanto, às vezes, fruto de alguma leitura, gosto de trazer questões  para reflexão e abertura de discussão, principalmente na vertente filosófica.
Vejo há um bom tempo uma segmentação na sociedade, principalmente com jovens se dividindo em diversas “tribos”, compondo uma verdadeira colcha de retalhos, baseados nas mais diversas propostas: sexualidade, gostos musicais, estilos de vestir e muitas outras segmentações, sem, contudo, ter um embasamento maior que os consolide em torno de uma verdadeira causa. Parece, na verdade, haver uma grande crise de identidade e de valores societários, que nos levam a uma necessidade de reflexão para que busquemos as verdadeiras raízes.
Para ficar em uma dessas segmentações, puxo hoje uma questão que tem muitos enfoques e que traz, até certo desconforto, pois mexe com muitas vertentes, qual seja, a sexualidade masculina.
Muitas discussões em vários setores envolvendo inclusive doutrinas religiosas, o que convenhamos é um absurdo, trazem à tona seguidamente a questão da sexualidade, com conceitos distorcidos, banalizações e até radicalizações sem visar em nenhum momento, pelo que sinto, uma discussão que possa trazer uma luz a essa situação.

 
A experiência anterior mostrava que os homens ao entrarem em contato crescente com os arquétipos interiores da masculinidade madura, através de varias técnicas dirigidas, rituais de passagem, por exemplo, comumente utilizados pelos indígenas, tornavam-se cada vez mais capazes de comportamento equilibrado e verdadeiramente fortes, tanto em sua relação  consigo mesmos como com os outros, tanto homens como mulheres.
“Onde estão os homens de poder?” perguntava o poeta Robert Bly, autor do livro ícone do movimento de homens “João de Ferro”, já no final dos anos 1980.
A sociedade planetária cada vez mais globalizada ainda vive intensamente as grandes crises de identidade, tanto de gênero masculino como de feminino.

 
Não precisamos só do poder masculino, mas sim que seja amadurecido. E essa não é uma questão de machismo, longe disso, é uma discussão técnica face ao que se está observando. É uma questão natural imposta pela própria natureza e não está relacionada a direitos, obviamente, que são absolutamente iguais, importantíssima ressalva para que não haja levantamento de bandeiras por disputa de poder.
Temos que desenvolver uma noção de tranqüilidade acerca do poder masculino para que não se precise agir de modo dominador.
Profundas rupturas nas estruturas da sociedade da família tradicional do ocidente, geraram feridas e sequelas comportamentais nas gerações de homens desde que os conceitos e os paradigmas da revolução industrial e da modernização e automação da vida e do cotidiano de todos foi por esse processo imposto, tanto para os homens como para as mulheres. Só que para os homens gerou a retirada inicial da figura masculina de casa num tempo maior em detrimento da necessidade do trabalho externo, o que posteriormente se deu também com as mulheres.
Um desses traumas se daria por esse fato, alguns argumentam, houve um enfraquecimento emocional da prole e suas consequências.
Rituais de iniciação dos meninos na sua condição de adultos dependiam fundamentalmente da presença maior do pai junto a eles. Ritos cuidadosamente elaborados que os auxiliavam na passagem e transição para essa fase.

 
A mudança do paradigma patriarcal parece, na opinião de alguns, ser um grande contribuinte para essa questão relativa à sexualidade masculina, já que sempre foi a forma  de organização social e cultural de grande parte das civilizações humanas, desde pelo menos dois mil anos antes de Cristo.
Seriam todas essas segmentações já mencionadas ligadas a essa questão da sexualidade? Há realmente essa necessidade da juventude atual estar tão formatada em suas “tribos”? O que buscam?
Daqui para frente passo a bola para sociólogos e psicólogos que devem ter muito a acrescentar a essa discussão.
Uma coisa percebo claramente nos jovens, quanto mais seguros se dizem, mais perdidos se mostram.

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