Curtas. Ed. 168

Gleisi se alegra

(Foto: Renato Araújo/ABr)

O desmembramento do caso de Gleisi Hoffmann (Pixuleco II) com envio dos autos de seu processo para São Paulo faz parte de um grande acordo para desmontar toda a investigação de corrupção comandada por Sérgio Moro. Os ministros do STF, Teori Zavascki e Carmen Lúcia,  se posicionaram a favor. Gilmar Mendes pediu vista, alegando que os crimes, embora distintos, foram cometidos pela mesma organização criminosa. Vai ao plenário, e a turma de Dilma, Lula e PT deve sair vitoriosa.

 

Não esquecem

Na sentença de condenação de André Vargas, o juiz Sergio Moro mostrou que os magistrados não esqueceram o gesto de André Vargas diante de Joaquim Barbosa. Ele disse o seguinte: “A responsabilidade de um vice-presidente da Câmara é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. A vetorial personalidade também lhe é desfavorável. Rememoro aqui o gesto de afronta do condenado ao erguer o punho cerrado ao lado do então Presidente do Supremo Tribunal Federal, o eminente Ministro Joaquim Barbosa, na abertura do ano legislativo de 2014, em 4 de fevereiro de 2014, e que foi registrado em diversas fotos.”

 

Moro condena Vargas

Sergio Moro condenou André Vargas, ex-deputado do PT, a 14 anos e 4 meses de prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro. É o primeiro político condenado na Lava Jato. Outros condenados, além de André Vargas: o publicitário Ricardo Hoffmann: 12 anos e 10 meses de prisão;  Leon Denis Vargas Ilário (irmão de André Vargas): 11 anos e 4 meses de prisão.

 

Advertência

O economista José Roberto Affonso está advertindo que, pela primeira vez, desde os anos 30, o país terá dois anos seguidos de retrocesso econômico (e poderá ter o terceiro). A paralisação geral, segundo ele, leva ao risco de depressão – e não apenas recessão. E que se prepare o espírito para novas notas negativas de grade investment das agencias de rating.

 

Hora da reforma

Dilma Rousseff tem em sua mesa o mapa da reforma administrativa, preparada por Nelson Barbosa, do Planejamento: Trabalho será incorporado à Previdência; Pesca será dividida entre Desenvolvimento Agrário e Agricultura; Turismo vai para o Ministério dos Esportes; e Ricardo Berzoini assumiria a Secretaria-Geral da Presidência, absorvendo Relações Institucionais, mais coordenação da comunicação e propaganda do governo.

 

Retrato real

Num orçamento de mais de R$ 1 trilhão, o governo diz que não consegue cortar mais de R$ 26 bilhões, mesmo maquiados. A redução efetiva de despesas é de apenas R$ 2 bilhões no custeio administrativo (R$ 1,6 bilhão com renegociação de contratos, manutenção, segurança, veículos e outros; R$ 200 milhões com menos diárias de viagens, passagens, telefone e R$ 200 milhões com a redução de ministérios e cargos de confiança). As demais reduções são adiamento de despesas (salários e concursos).

 

Todos na roda

As condenações de João Vaccari Neto e Renato Duque colocam todos os envolvidos na Lava Jato, que alegam que as doações feitas às campanhas eleitorais ocorreram dentro da legalidade, na mesma roda. O juiz Sergio Moro derruba a tese de doações legais de origem duvidosa estarem inumes ao propinoduto. Todos recorrerão ao Supremo Tribunal Federal, a quem caberá a palavra final. Em sua sabatina no Senado, para quem tem a memória curta, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia dito que doação derivada de propina era crime, ainda que feita de forma legal.

 

Mais um

O Tribunal Superior Eleitoral aprovou a criação do 33º partido político do país. Trata-se do Partido Novo, pelo que se supõe, de novo só tem o nome. Na fila de espera do TSE aguardam mais de 40 futuras legendas. Se um dia todos ganharem registro, o Brasil terá 73 partidos, o que garantirá uma citação no Guinness, o livro internacional dos recordes.

 

Um dos ralos

Para quem não tem ideia: só os cargos mais bem pagos da administração federal, os DAS – Direção e Assessoramento Superior, ocupados sem concurso para quem tem mais elevado QI (“quem indica”) são 24 mil. Custam R$ 2 bilhões por ano, ou seja, 6% do déficit do orçamento enviado ao Congresso.

 

Funciona assim

Para se ter uma ideia de como funciona esta República. Sem mandato e aposentado da política, embora mantenha escritório em Brasília, o ex-presidente José Sarney emplacou o peemedebista Arnaldo de Melo, até então desempregado do setor público, na diretoria nacional da Funasa. Ele é o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, vice na chapa derrotada de Edinho Lobão ao governo. Agora, será um homem de Sarney na bilionária Fundação Nacional da Saúde, há anos um gueto do PMDB.

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