Editorial. Ed. 168

Deu-se o esperado. O novo acordo que devolve o PMDB aos braços do PT de Dilma Rousseff e Lula da Silva não é diferente do que sempre se fez na República desde que aqui se instalou o Estado patrimonialista, criação nossa, pois tem características que só no Brasil funcionam.
Ora, o PMDB tinha preço. Sempre teve. Dilma Rousseff, sem outra, entregou o que pediam. Inclusive a jóia da coroa. O Ministério da Saúde, o de maior orçamento e importância da área social, com uma capilaridade capaz de oferecer empregos e oportunidades de negócios a quem souber aproveitar. O PMDB tem políticos experientes e aptos para a tarefa. Vai deitar e rolar.
Há mais. São quatro ministérios novos no gabinete reformado de Dilma, que em troca teve, enfim, uma noite de sono tranquilo. Ganhou a batalha. Dos quatro ministérios, dois são para deputados federais e dois para senadores. Ah, e tem mais um, o quinto, para ser partilhado por deputados e senadores, desde que encontrem um nome de consenso que atenda aos pedidos de todos.
A troika do PMDB não é de brincadeira. Michel Temer, vice presidente; Renan Calheiros, presidente do Senado; e Eduardo Cunha, presidente da Câmara sabem o que fazem e têm larga experiência nesse jogo do é dando que se recebe.
De olho nos acertos para o anúncio em breve do governo renovado, o PMDB votou disciplinadamente na sessão do Congresso que apreciou  os vetos de Dilma a projetos que criaram novas despesas. Disciplinadamente significou: pela manutenção dos vetos. O governo celebrou o resultado. Saiu tudo como Dilma queria.
O PMDB foi esperto. Pegaria mal se ele derrubasse os vetos à criação de novas despesas depois de tanto malhar o governo por sugerir o aumento de impostos e a criação de novos. Com o dólar alcançando um valor jamais registrado antes na história do Real, não interessava ao PMDB contribuir para que ele, hoje, batesse novo recorde.
Em resumo: o PMDB foi dormir como um partido responsável e merecedor da confiança do sistema financeiro e das classes produtoras. E também como um partido que tomou do PT a condição de o partido mais forte de um governo que ainda teima em respirar. E para respirar, urde agora o desmonte da Operação Lava Jato, que desnudou o esgoto da corrupção petista. Os ministros dos tribunais superiores, com raríssimas exceções, estão entendidos de que vão fatiar os processos da Lava Jato, distribuí-los pelos tribunais do país, limitar os poderes do juiz Sérgio Moro e devolver à liberdade e à ativa todos os corruptos e corruptores de alto coturno. É o Brasil brasileiro, do mulato inzoneiro, da justiça vesga, das ilusões perdidas.

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