Cinema. Ed. 168 – Saravah, Pierre Barouh

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Foto: Divulgação

Sim, sabemos todos que quando um amigo viaja e traz em sua bagagem vídeos e fotos do que encontrou em terras estrangeiras, a exibição serve mais para o viajante do que para aqueles com quem ele quer dividir a experiência. Normalmente é um tormento constrangedor e cansativo.
Mas Pierre Barouh tratou disso de maneira espetacular e de suas andanças meteóricas de três dias pelo Rio de Janeiro do final da década de 1960 registrou páginas felizes de nossa história.
Com ar amador, sem salamaleques técnicos fez um belo documentário sobre uma fatia de nossa música. Obviamente o sucesso de sua experiência se deve muito aos atores. Figuraram em depoimentos e em interpretações de fundos de quintal e bares, a sabedoria de muitos quilômetros de música de Pixinguinha e João da Baiana, a nenhum dos dois precisa muito, qualquer gesto, qualquer sílaba é a tradução do samba e de todas as possibilidades que nossa maior marca traz. O seu cicerone, amigo de outras temporadas, Baden Powell o conduziu em músicas e conversas, naquele tempo em que ele se cobria com todas as culturas sem lhe importar os nomes ou os dogmas. Ainda, nos três dias de 1969, Barouh teve tempo de se esbaldar com o frescor da juventude à flor da pele, dos desejos, das disposições de Bethânia e Paulinho da Viola, Márcia, Raul de Souza e Luis Carlos Vinhas com sorrisos francos e todo samba na ponta da língua.
Infelizmente o áudio não é dos melhores, falta legenda e uma costura que dê coerência e explicação entre o primeiro tempo, em 1969, e o segundo, quando o francês volta ao Brasil em 1996 e é conduzido por Walter Salles Junior até a favela do Cantagalo para encontrar e ouvir a música e as ideias inventivas de Adão Xalebaradã, que, entre outras, lhe conta “nas favelas ninguém tem cultura e tal, mas tem as mentes, tem o milagre do metabólico-sensorial, parece besteira, mas é aquela explosão… pá”.
Imagens mais recentes dos filhos de Baden e um take de estúdio da cantora Bia Krieger acompanhada de Sivuca fecham a viagem de quase 30 anos de Pierre Barrouh pela música brasileira.
O documentário, que chegou ao Brasil só em 2005 com o carimbo da Biscoito Fino, não deixa de ser uma aula divertida, solar e informal de nossa música.

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Pierre Barouh. Foto: Reprodução/site nightlife.ca

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