Alma de passarinho

Waltel Branco é nome insuperável. É desses pra quem a gente desfila adjetivos sem capacidade de descrever o florir de sua música, lugar em que o extraordinário se torna frequente.
Na sua arte viajamos até a outra margem da realidade, vamos parar lá na outra fronteira, um pé no inacreditável, na contemplação do infinito, nas mais profundas razões que vêm de dentro para se espalharem, transbordantes, pela vida de quem tem a sorte dos ouvidos de ouvir.
É tarefa penosa pinçar grandes momentos de sua biografia. Eles são muitos e preenchem páginas imensas. Estão todos a figurar os volumes que documentam a história da música moderna.
Por aqui gostamos de afirmar sua condição de paranaense; ilusão ufanista, Waltel é um homem do mundo. Teve o ponto de partida em Paranaguá, mas compôs quilometragem abundante em suas andanças pelo mapa: Bossa Nova, Jazz, Choro, boa parte no Popular e boa parte no Erudito. Mas para nossa sorte ele pode ser visto a andar pela XV, conversar no Maneko’s, rodar pelos bares, sempre com um sorriso no rosto e a fala mansa para boa conversa deste e de outros tempos.
As cordas do maestro, do arranjador, do compositor e do instrumentista saem do final do arco-íris e se colocam, tesouro à nossa disposição e desfrute, nos discos dele e de outros. É fácil encontrar Waltel, mas é preciso transcendência para entendê-lo.
Neste mês ele completa 86 anos, que sorte a nossa!
Adriana Sydor

 

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Waltel Branco. Foto: Divulgação

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