Editorial. Ed. 169

Fábio Campana

 

“A história acontece primeiro como tragédia, depois se repete como farsa.” A frase é de Karl Marx, no “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”. Refere-se à sucessão de dois Bonapartes à frente de governos de exceção na França. O primeiro, Napoleão, foi uma tragédia. O segundo, Luís, foi uma farsa.
O terrível é quando tudo se repete mais uma vez, como caricatura, como chanchada. É o que vemos agora. Tivemos o primeiro governo do PT, Lula na presidência, uma tragédia. Foi sucedido por Dilma Rousseff, uma farsa. E agora entramos na terceira fase, quando devemos viver esta chanchada sem fim, em que Dilma tenta repetir Lula no discurso, Fernando Collor nas ações, enquanto o país emborca.
A desfaçatez não tem tamanho. A economia está um caos. A produção industrial despencou 9% em 12 meses, segundo o IBGE. O desemprego é visível. Entre os jovens é uma calamidade. Na esteira dessa crise, a criminalidade campeia solta. O câmbio descontrolado, cortes em todos os programas sociais e o aluvião de denúncias de corrupção que não para. Nunca antes neste país, para repetir o mote referido por Lula, tivemos um escândalo de corrupção de proporções planetárias como este que vemos agora.
Diante de tudo isso, ideólogos do PT se dão a interpretações e justificativas que mais parecem roteiro de chanchada do PT. Um roteiro de baixíssima qualidade intelectual e moral. O PT aderiu à corrupção porque precisava mudar o País, segundo a lógica de Gilberto Carvalho, ex-ministro de Lula e de Dilma, ideólogo do PT. O erro do partido foi não aproveitar a correlação de forças favorável para encaminhar uma reforma política profunda, depois de ter sofrido das dores do mensalão e de perceber que o câncer da corrupção começava a se espalhar dentro do partido.
Gilberto Carvalho tem explicação para isso. “Talvez porque nós estávamos tão envolvidos em todo o processo de fazer a mudança do País, envolvidos na questão toda da obra de governo, que não nos demos conta”. Simples assim.
A autocrítica petista é apenas um truque retórico para atacar os inimigos de sempre. Carvalho argumenta que as denúncias de corrupção contra o PT nada mais são do que o mote que a elite usa, com todo o exército da mídia, para impedir as reformas que o partido desejava promover. Ou seja, para o PT, o problema não é ter se corrompido, mas sim ter dado oportunidade para que a elite o atacasse. É Barrabás querendo se passar por Cristo, diz Vicente Ferreira.
O país ficou irrespirável. A militância petista que detesta o juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação de desvios de dinheiro público na Petrobras, festeja sem parar a decisão do Supremo que divide as investigações sobre casos até agora unicamente de sua responsabilidade. Acham que, com isso, o Supremo quebrou as pernas de Moro e agora será muito mais fácil livrar mensaleiros, petroleiros e outros gatunos da possibilidade da punição. Na concepção de Gilberto Carvalho, heróis da pátria, os que se sacrificaram na corrupção para tirar o povo da miséria.

Deixe uma resposta