Flashes econômicos e políticos do Brasil

Faixa_presidencial_Dilma_2015

No final de 2011, quando uma empresa de consultoria britânica anunciou que o Brasil teria se tornado a sexta maior economia do planeta, ao superar o produto interno bruto (PIB) do Reino Unido (RU), e o Fundo Monetário Internacional (FMI) sentenciou que o país ocuparia o quinto lugar no ranking em 2015, suplantando a França, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, argumentou que tal façanha aconteceria ainda mais cedo, com a nação ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão e Alemanha.
Na prática, a multiplicação de equívocos provocada pela aplicação dos princípios intervencionistas contidos na chamada “nova matriz econômica” resultou não somente na perda de posição para o RU, mas, com a produção da maior e mais prolongada recessão da história econômica brasileira, sintetizada na previsão de contração dos níveis de atividade em -6,4%, entre abril de 2014 e dezembro de 2016, no sacrifício do sétimo posto para a Índia.
Mais precisamente, o aparelho de negócios atuante em território nacional vem assistindo, passivamente, o regresso à situação prevalecente no começo dos anos 1980, quando, graças à maturação das vultosas inversões em infraestrutura, insumos básicos e bens de capital, realizadas no âmbito do II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), durante o governo Geisel, completou o ciclo da segunda revolução industrial, transformando-se na oitava ordem de grandeza no âmbito global.
Nos dias de hoje, o mais gritante é a perpetuação das condições de fragilização da matriz produtiva nacional, atestada pela tendência ladeira abaixo da cesta de indicadores conjunturais, cujo desenho começou com a queda dos níveis de fabricação industrial, incorporou a marcha cadente das vendas do comércio e do faturamento dos serviços, e chegou ao derretimento das variáveis determinantes do comportamento do mercado de trabalho, com o decréscimo da ocupação de mão de obra e dos rendimentos reais dos trabalhadores.
Com o desaparecimento do bônus externo, propiciado pelo boom das commodities, amparado na impulsão da demanda chinesa, entre 2002 e 2012, o inóspito ambiente doméstico serviu para decretar o fim da fase expansiva, baseada no consumo (público e privado), a partir de 2004, com farta (e cara) disponibilidade de crédito, e acompanhada por ampla, geral e irrestrita falta de preocupação com o futuro, representada por diminutas iniciativas voltadas a estimular encorpados investimentos em inovação e infraestrutura.
Não constitui obra do acaso a vertiginosa despencada brasileira no certame de competitividade mundial, do 48º (em uma lista de 140 países, acompanhados pelo Fórum Econômico Mundial, em parceria da Fundação Dom Cabral), em 2012, para o 75º lugar, em 2015, evidenciando as implicações da deterioração das condições de governabilidade na atmosfera de transações e, sobretudo, na confiança dos agentes em um horizonte de médio e longo prazo.
Na mesma linha, a rejeição à administração imprimida pela presidente da república, no princípio do segundo mandato, registra os maiores níveis da história republicana, imputados à radical guinada no programa acordado com a sociedade, no estágio eleitoral de 2014, implicando intensificação do preço social do panorama recessivo – construído com o realinhamento de preços relativos (energia, combustíveis, transportes e câmbio), a subida dos juros e as tímidas incursões de ajuste fiscal, a não ser a elevação dos impostos –, sem a definição dos rumos e caminhos a serem percorridos no sentido da recuperação da capacidade de crescimento duradouro do País.
Ao contrário, diante da proliferação de movimentos pró-renúncia ou impeachment, a Chefe de Estado, no afã de salvar o tempo de formal de governo, sucumbiu aos interesses do baixo clero do PMDB e dos prepostos do Partido dos Trabalhadores (PT), tutelados pelo ex-presidente Lula, para levar a cabo um rearranjo da equipe ministerial absolutamente dissociado dos anseios e legítimas demandas da nação.
Há quem defenda que, a partir de 05 de outubro de 2015, definitivamente, a presidente não governa, é governada. Mesmo alguns aliados argumentam que Dilma teria preferido distribuir camarotes no Titanic, em vez de enveredar pela mudança do plano de navegação. Outros recordam, com bastante propriedade, uma frase atribuída a Getúlio Vargas: “quem se agacha demais perde, com a indignidade do gesto, o respeito que lhe é devido”.

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