Júlio

(Foto: Divulgação)

Sim, estou aqui sem vontade de compromisso. Não pensei em amor, laços ou dramas. Só vim com os desejos da carne.
Com muita paciência e didática, te digo, desabotoe meu vestido. Deixe que o pano escorra até o chão e revele o que tenho para te oferecer. Tudo que tenho. E tudo é isso: corpo. Pernas, braços, bunda, seios, boca, cheiros. Tudo teu.
Não, por favor, não queira conversar. Não preciso destas palavras, só das outras que você não se atreve a pronunciar em luz aberta. Não me fale agora de seus caprichos de namoro ou de determinações tardias de enxoval. Não quero mais.
Só rasgue minha roupa, arranque minha calcinha, atire longe meu sutiã. É a febre, Júlio, não há tempo para outras coisas. Não há tempo para nós dois. Agora, só o encontro preciso, categórico, único. Só o sexo.
Confesso que acho-o meio idiota ao querer trocar a cama por um discurso na sala. Pra que serve esse colóquio? Meu prazer agora é a curto prazo, Júlio, apenas o dia de hoje, esta hora em que vagamos e pronto. Nada para o futuro. Não sobra nada para nenhum outro tempo em que não estejamos sem roupa. Tire minha roupa!
Confie em mim e entenda que o que vale entre nós é o instante em que estamos, em que somos, em que nos queremos. Me agarre pela cintura e segure forte meus cabelos, não queira mais do que isso, vamos, Júlio, faça isso agora.
Se você continuar a negar, caio a seus pés e suplico, arranque minha roupa; me jogo pelo chão e grito para que você me tome aqui mesmo; me desespero em lágrimas para que me faça sua; saio pela rua nua a gritar por você.
Não quero as horas dos carinhos ou dos planos. Troco tudo pelo indivisível momento em que sei que me perco para flutuar nas suas mãos.
Se for agora, Júlio, anulo qualquer futuro. Mas se você insistir, me cubro com véu branco, escondo os cabelos, luvas nas mãos, e mato todas as fomes na triste conversa sobre os adornos de noiva.

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