Os vários fronts de Fátima

Fátima Mazarão se fosse uma guerra estaria em vantagem. Os fronts são muitos. Mais. São sólidos e bem equipados. Só que compará-la com uma guerra não faz sentido, nem combina com ela.
Recordo-me da sua inaudita capacidade de tirar um chope, rápida e eficaz – com os dois dedos de colarinho, quase três. Uma habilidade formidável, se tivesse apenas esta já seria grande coisa para muitos.
Mas, os fronts são muitos. E sólidos. É historiadora, fez o mestrado em história contemporânea na Universidade do Porto, em Portugal; estudou o movimento modernista brasileiro e português. E agora é professora.
Tem mais, saca tudo de música, a nova e a velha – a boa. O que chama mais atenção, no entanto, é o front gastronômico. Fátima não é chef, é cozinheira. Não tem um restaurante. Tem uma cozinha. Tem a Ecozinha. Projeto irreverente: não há garçons, não há várias mesas e mais surpreendente, não há preços. Às sextas e aos sábados ela cozinha (uma comidinha vegana) para um número de pessoas limitado numa casa na Rua Solimões, quando a comida fica pronta todos sentam numa única mesa e se servem, como o domingão na casa da avó. Um quadro traz as informações do menu e quanto custou o almoço do dia. Quem determina quanto irá pagar é o cliente.
Esta é Fátima: professora de primeira, cozinheira de alto cacife e gente finíssima.
D.N.

ecozinha

Fátima Mazarão. Foto: Acervo pessoal

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