A que ponto chegamos

Os índices econômicos vão de mal a pior e os recordes são indigeríveis. 2015 é um ano para não ser lembrado ou não ser esquecido

 

2015 acabou. O povo brasileiro deveria exalar alegria e esperança. As férias trazem o sossego e a paz, mas não é esse o atual cenário. Vive-se hoje um tempo de angústia, e o hoje não é este dia que você, caro leitor, lê esta matéria, muito menos o mês de janeiro. É um tempo partidário, governista. É o tempo de Dilma Rousseff e do seu partido.
O querer anunciar as boas novas, de Cazuza ou de Caetano, não é poder, assistimos uma conjuntura que não é das melhores, talvez seja a das piores. Os brasileiros já desconfiam da superinflação, aquela que aterrorizou a todos no passado; os mais céticos chegam a acreditar que os militares podem ascender; e os mais desesperados clamam por eles. A que ponto chegamos!
A eleição presidencial de 2014 retratou a divisão do país. O ano de 2015 apresentou o naufrágio. Os índices vão de mal a pior, batemos recordes que são indigeríveis. O Brasil da marolinha de tempos lulistas amarga hoje tsunamis políticos, econômicos e sociais rousseffianos.
Fernando Henrique Cardoso afirmou em recente entrevista que o atual sistema político brasileiro fracassou, chegou ao fundo do poço, mas o PT insiste em cavar, insiste com sua prepotência e arrogância a achar que sabe o que é bom para o país. Mais: insiste em sua incoerência. Em junho de 2015, quando Marcelo Odebrecht foi preso na Operação Lava Jato, o Partido dos Trabalhadores saiu em defesa dos empreiteiros, isto é, contra a justiça e contra o proletariado, em última instância contra o povo. Tudo indica que o poder tornou nebulosas as cabeças possivelmente pensantes da política governista. Esqueceram que são eles, que se dizem de esquerda, que são a favor da luta de classes, que lutam contra quem tem os meios de produção nas mãos. E os empreiteiros são uns desses. Não é à toa o que a pesquisa CNI/Ibope diz: 77% dos brasileiros não confiam na presidente e 82% desaprovam seu governo. Se olharmos para a economia a desesperança cresce mais que a inflação e a vontade de abandonar o barco torna-se maior.
A taxa SELIC a partir do segundo mandato de Dilma só aponta o crescimento dos juros. Em dezembro de 2014 estava em 11,75%, em janeiro de 2015 12,25%, em outubro batia 14,25%. O Brasil está entre os dez países com maior taxa de juros do mundo.
Estes números não são tão palpáveis, embora o contribuinte sinta no bolso. Mas, para sentir na carne, literalmente, não há dado melhor que a alta dos preços.

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Inflação

De maneira irresponsável o governo em 2014 segurou a alta de tarifas como energia e combustível, com claro objetivo eleitoreiro. Tomou tais medidas com a promessa de não aumentar caso Dilma Rousseff fosse reeleita. Economistas, no entanto, já alertavam que seria impossível e os mais lúcidos já previam que 2015 seria um ano difícil. Tiro e queda!
Quem não se recorda da analista do banco Santander Sinara Polycarpo Figueiredo, demitida por ter enviado uma nota aos clientes durante o período eleitoral mostrando que caso houvesse a reeleição a economia tenderia a piorar?
A nota foi encaminhada para os clientes “Select”, aqueles que possuem renda acima de R$ 10 mil e nela dizia: se Dilma continuasse os juros tenderiam a subir, o câmbio a desvalorizar e a bolsa a cair, ou seja, tudo que aconteceu em 2015. Lula chegou afirmar que “manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar embora. E dá o bônus dela pra mim”.
Em setembro, porém, a juíza do Trabalho de São Paulo, Lúcia Toledo Silva Pinto Rodrigues, determinou que o banco pagasse R$ 450 mil por danos morais. “A cronologia dos fatos e as particularidades do caso demonstram que o banco reclamado foi sim submisso às forças políticas ao demitir a reclamante”. O Santander, no entanto, acusou a ex-funcionária de oportunismo.
O caso ainda está rolando, pois o banco foi condenado em 1ª instância, logo cabe recurso, mas o que já foi julgado e condenado – sem mais recursos – foi a incompetente administração pública petista do desastroso 2015.
O ano passado deu as caras com as altas nos preços. De acordo com os especialistas a principal causa do aumento vertiginoso da inflação está relacionada com a alta dos preços administrados, como telefonia, água, energia, combustíveis e transporte público. Somente no mês de julho houve uma alta de 17% na tarifa de energia elétrica em São Paulo e de 14% em Curitiba. Thiago Biscuola, economista da RC Consultores, disse “A questão é que o governo evitou subir esses preços no ano passado porque era ano eleitoral, mas em algum momento eles precisariam ser repassados ao consumidor”. Segundo ele, somente a luz registrou altas de até 70%, tendo em vista a falta de chuvas, necessitando assim migrar das hidrelétricas para as termoelétricas, que, por sua vez, possuem preços mais elevados.
A alta dos chamados preços administrados não interfere apenas na conta de cada cidadão. Isso também impacta o custo de uma produção numa indústria ou as despesas em qualquer prestadora de serviço e para manter a margem de lucro esse aumento é repassado ao consumidor. Em outras palavras: quando vamos ao mercado e compramos um biscoito, um pacote de feijão ou uma lata de refrigerante pagamos todos os custos: transporte (combustível), mão de obra, contas de luz e de água das indústrias.
E é no mercado que o brasileiro percebe que alguma coisa não está certa com a economia. É uma conta simples, sem porcentagens e sem estatísticas. Outrora os consumidores gastavam “x” para levar “y” produtos. Hoje o mesmo “x” não paga mais pelos produtos “y”, falta. Alguns são mais vilões que outros, durante o ano de 2015 tivemos o tomate como principal vilão, que passou a bola para cebola que de janeiro a setembro acumulou uma alta de 89,95% e de 76,68% em 12 meses.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) informou que a inflação acumulou em outubro 9,93% em 12 meses, isto quer dizer que pagamos quase 10% a mais do que em outubro de 2014. Pode parecer pouco, mas se tomarmos como referência países de primeiro mundo que têm a inflação próxima a zero ou até mesmo zero, é muito. Sem contar que o acumulado do ano fechou no mês 10 8,52%, 4% a mais que a meta estipulada pelo governo (4,5%) e a maior taxa desde 1996.
Os curitibanos, no entanto, ultrapassam a média do país e a inflação acumulada em 12 meses bate a meta de 11,52%. O acumulado do ano ficou em 10,12%. Isso mostra que Curitiba é a capital com inflação mais alta. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Câmbio

O Banco Central (BC) disse que a alta do dólar (mais de 40% neste ano) deverá favorecer as regiões onde há “maior representatividade das exportações” na economia, principalmente Sul e Centro-Oeste. Isso porque são as duas regiões que mais exportam no país, por causa da agricultura e pecuária.
No entanto esta alta do dólar não impediu que o trimestre encerrado em agosto apresentasse uma retração de 2,8% na região Sul e 0,6% na Centro-Oeste. A justificativa do BC se dá no fraco desempenho das vendas do comércio e da produção industrial. O governo já prevê para este ano uma retração de 2,8% do PIB. Em números: um rombo de R$ 51,8 bilhões, e pode aumentar. Se se confirmar tal dado, será a maior retração em 25 anos, isto é, desde 1990 quando registrou-se queda de 4,35%. Economistas, mais sensatos que o governo, já dizem num número superior a 3%. Os ministérios do Planejamento e Fazenda especulam que uma “diminuição da atividade econômica dessa magnitude é fora do comum, mesmo considerando a repercussão direta da queda dos preços das matérias primas e a expectativa de aumento das taxas de juros americanas”.
Se por um lado as empresas exportadoras ganham com a alta do dólar, os brasileiros perdem, e perdem muito. E não é apenas a viagem para Miami ou o scotch que fica mais caro. Há também os insumos, que são aqueles produtos importados necessários para a nossa produção interna. A exemplo do trigo do pão que é importado. “O Brasil importa cerca da metade do trigo que consome, então, inevitavelmente, isso tem efeito no preço final dos seus derivados”, esclarece Vitor França, assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Ou então os fertilizantes para os produtos agrícolas. Além disso, mudanças de estratégias dos fornecedores também podem elevar preços de produtos, caso da carne. “O Brasil produz muita carne, mas o dólar alto faz com que o produtor mude sua estratégia e fique mais focado no mercado internacional. Como a oferta interna fica um pouco menor, o preço aqui dentro tende a subir”, elucida o assessor.
Portanto, no balanço final o dólar em setembro do ano passado ter sua maior alta em toda a história do Plano Real, chegando em R$ 4,05, não é nada positivo. Isso pesa diretamente no bolso do consumidor. E faz o governo se afundar cada vez mais em sua política econômica equivocada.
O xis da questão, o que não precisa ser muito sábio para perceber, é que política e economia são como irmãos siameses, não se separam. E com a atual política a economia tende a não se recuperar sem deixar sequelas. Mais: tende a piorar. Foi a fragilidade política que fez com que a agência Standard and Poor’s retirasse o selo que o Brasil tinha de bom pagador em 9 de setembro. E para justificar afirmou que os desafios políticos que o país enfrenta continuam a pesar na capacidade do governo de submeter ao Congresso uma proposta de orçamento consistente. Para a S&P, esse desafio “poderia significar 3 anos seguidos de déficit primário e aumento contínuo da dívida se os rendimentos subsequentes ou medidas de cortes de gastos não forem tomados”. E recuperar esse “status” não é uma tarefa simples, é um trabalho de anos, longos anos.
A reboque disso vem o desemprego, que aumenta a cada nova estatística. No trimestre encerrado em agosto a taxa ficou em 8,7% e a população desocupada cresceu 7,9%, atingindo um total de 8,8 milhões pessoas. Especialistas argumentam que quem puxa esses assustadores números são as montadoras de automóveis que demitem cada vez mais. Isso mostra mais uma falha do governo petista que incentivou o consumo dando subsídios de maneira desenfreada.
E os especialistas mais coerentes já acreditam que 2016 terá uma taxa de desemprego significativamente acima dos 10%, este é o número de desempregados que os Estados Unidos tiveram no auge da crise de 2009.

Ciclo vicioso

Agora estamos numa ciranda que parece não ter fim: a política melhorará se a economia alavancar e vice-versa. Mas o governo não se preocupa com o país. Dilma Rousseff está preocupada com o Congresso que a cada dia torna-se mais inoportuno. Não há nenhum projeto para o Brasil, o único projeto que vemos é o velho e manjado projeto de poder, que aparentemente chegou ao fim, saturou-se. O povo brasileiro está saturado dele.
Analistas não vêem luz no fim do túnel, a população cai em desesperança e para quem acredita neste ano as coisas começarão a se ajeitar, não se iluda. Enquanto o PT permanecer com esta política de perpetuação de poder o país continuará a naufragar.

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Foto: Reprodução/site psdb.org.br

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