O livro de cardápios de Olavo Bilac

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Olavo Bilac. Foto: Reprodução/site cafehistoria.ning.com

Olavo Bilac foi o maior expoente da poesia parnasiana no Brasil e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Como cronista de seu tempo frequentava os banquetes comemorativos de atos e iniciativas públicas, comuns no fim do século XIX e começo do XX e colecionou os cardápios desses eventos. Material guardado todo esse tempo nos arquivos da Academia Brasileira de Letras, despertou o interesse do poeta Alberto da Costa e Silva, que pensou o projeto de editá-los. Para a tarefa, chamou a historiadora Lúcia Garcia. Temos um livro riquíssimo em iconografia da época e um belo exemplar de nossa história da Belle Époque.
Uma seleção dos cardápios mais significativos, tendo em vista sua contextualização histórica, revela o requinte e a sofisticação, não somente na elaboração gráfica, como também retrata um dos aspectos menos conhecidos sobre Bilac: a do jornalista gourmet, do carioca amante da boa mesa, do poeta que se rendia à sociabilidade e à celebração do prazer gastronômico.
É sobre esse Bilac, sobre sua coleção de cardápios do começo do século passado que trata o livro “Para uma História da Belle Époque”, de Lúcia Garcia, que tem prefácio primoroso de Alberto da Costa e Silva, lançado pela ABL em coedição com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Alberto da Costa e Silva, em seu prefácio, diz que “o livro reuniu, com gosto e rigor, o melhor da coleção de cardápios de Olavo Bilac — a mais importante de que, no Brasil, se tem notícia — revelando como padrões estéticos se iam popularizando no país, na chamada Belle Époque, e como, pela lista de pratos de prestígio e de festa, se afrancesavam cada vez mais as suas elites”. Costa e Silva disse, ainda, que “ao colecionar os cardápios dos banquetes, Bilac tinha possivelmente a consciência de que preservava com eles o pouco de uma vida que todos os dias se mudava em saudade”.

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Para uma História da Belle Époque, livro de Lúcia Garcia

“Os cardápios são inéditos e vão desde os momentos finais da Monarquia. Alguns são manuscritos. Acredito que Bilac tenha juntado isso para revisitar os momentos vividos”, afirmou Lúcia Garcia. Ela disse, ainda, que há menus em seda, outros com ilustrações assinadas, e ainda os que foram feitos para o aniversário do poeta.
Olavo Bilac foi também um grande cronista de seu tempo, entre 1890 e 1910. Frequentou, assiduamente, os banquetes comemorativos de atos e iniciativas públicas, comuns no fim do século XIX e começo do XX. Passou, então, a colecionar cardápios desses eventos, que possibilitaram à autora Lúcia Garcia, uma seleção dos mais significativos, tendo em vista sua contextualização histórica, permitindo ao leitor, com isso, conhecer acontecimentos memoráveis da história do Rio de Janeiro e da Belle Époque.

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Cardápio de banquete oferecido pela Casa Léon de Rennes & C. ao jornalista Henrique Chaves. s/d. Desenho de Angelo Agostini. 17 x 27,5 cm. Foto: Reprodução/site ladht.com

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Banquete oferecido pelos membros do Centro Artístico no Hotel do Globo. Rio de Janeiro, 31 de agosto de 1898. Desenho de Rodolfo Amoedo. 17,5 x 29,5 cm. Foto: Reprodução/site ladht.com

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Menu do baile oferecido pela Armada Nacional ao Contra-almirante Goni e à oficialidade da esquadra chilena de seu comando. Rio de Janeiro, 11 de maio de 1897. Palácio do Itamaraty. Desenho de Julião Machado. 15,5 x 20 cm. Foto: Reprodução/site ladht.com

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Cardápio do Banquete oferecido pelo jornal A Notícia aos seus colaboradores. Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1895. Desenho de Julião Machado. 17,5 x 29,5 cm. Foto: Reprodução/site ladht.com

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