Bernardo

Eu não sabia que aquela tarde de verão poderia mudar minha vida. Quando abri a porta e vi seus olhos um arrepio diferente correu em mim. Conversas, risadas, histórias. Depois, na despedida, seu corpo colado ao meu num abraço demorado me apontou um caminho, que não reconheci imediatamente, mas que ficou ressoando em mim durante muito tempo, até hoje, acho.
Os dias vieram e com eles todas as possibilidades. Entre tudo que podíamos, escolhemos o amor. E vieram as manhãs infinitas, as tardes de amor, as madrugadas de loucuras. E vieram cafés, almoços e vinhos. E vieram juras, suores e planos. E vieram sorrisos, beijos e códigos. E a vida se estabeleceu num querer sem fim.
E foi assim que descobri que não há situação em que a balança penda só para um lado. E vieram os problemas, as lágrimas, as quebras. E vieram as frustrações, os enigmas, as mentiras. E vieram as angústias, as separações, os avessos. E a vida se estabeleceu num desespero sem fim.
Hoje, Bernardo, amargo, na boca e na alma, o seu gosto. E em minha verdade nada além de saudade e da inesgotável vontade de que você venha. Venha, Bernardo.

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