Arthur

O que eu precisava mesmo, Arthur, era que você saísse da minha vida. Que evaporasse, sumisse nessa noite escura e não deixasse rastro. Não te esqueceria, mas não correria mais o risco de ficar nessa ciranda que me agarra e me puxa e me usa e me devolve ao nada para recomeçar no tempo da tua vontade.
Queria mesmo que você juntasse tudo que é seu e ganhasse o mundo. Que despencasse em outras terras, outras mulheres, outras vidas.
Até o último dos meus dias eu lembraria dos seus olhos de desejo e de suas mãos de violência, eu sei. Mas nunca mais precisaria sentir o teu cheiro ou temer sua presença ou lamentar sua demora. Se você se fosse para sempre, Arthur, eu não seria liberta e nem poderia amar outros homens ou chamar por outros nomes, minhas noites seriam de lembrar de ti assim, no escuro e na solidão.
Do que eu não gosto, é do peso da sua mão, mas quando você diz que seu ataque é pelo gostar em demasia, pela paixão descontrolada, eu me comovo e te perdoo. Mas eu não quero mais sua fúria. E para mim a única coisa mais impossível que continuar nisso, é ir embora. Por isso eu te conto: preciso mesmo, Arthur, que você saia da minha vida.

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