Desandou a maionese

Não está fácil pra ninguém. Muito menos para Dilma, Lula e o PT, responsáveis diretos pelo desastre nacional.

 

Depois de fechar o ano passado com a maior inflação do país, Curitiba e Região Metropolitana iniciam este 2016 de instabilidade política, eleições municipais e agravamento de todas as crises com a menor variação de preços do Brasil. Alívio para petistas, que em fevereiro comemoraram o mês do aniversário do partido e que nos últimos tempos só ouvem notícia ruim. Mas não devem relaxar. O quadro continua péssimo e é dado como certo que o PT sofrerá uma derrota definitiva nas eleições deste ano.
Mas voltemos à inflação nativa. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que representa a inflação oficial – fechou janeiro em 0,73%, em Curitiba. Em dezembro de 2015, fechou em 1,14%. No último ano, a inflação oficial em Curitiba e Região ficou em 12,58%, sendo 2% superior a verificada no país. O índice foi influenciado pela alta dos preços da alimentação e bebida, combustíveis, energia elétrica e alimentação – que tiveram os maiores percentuais de reajuste.
Neste início de 2016, novamente os gastos com alimentação e bebida pesaram no orçamento familiar. De acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo IPCA, em janeiro, a inflação brasileira foi de 1,23%.
Para os moradores de Curitiba e região que fazem as refeições em casa, a alta de preços ficou em 1,93%. Para que se tenha uma ideia, o preço do feijão-rajado ficou 14,33% mais caro. O preço da cenoura também chamou atenção de quem costuma ir às compras – a alta foi de 20%.
Já as carnes deram um pequeno alívio. Em média, houve redução de 0,43% nos preços. O quilo do patinho, por exemplo, ficou 4,82% mais barato, a carne de porco 1,38%, e o filé mignon 1,07%. Os panificados tiveram os preços reajustados. Segundo levantamento do IBGE, a alta foi de 0,87%. O reajuste do pão de forma foi de 4,87%.
Os gastos com despesas pessoais subiram 0,95% e os com saúde e cuidados pessoais foi de 0,61%. As despesas com vestuário, ainda conforme o levantamento do IBGE, subiram 0,5%.

Cenário nacional

Agora, reflitam. Os dados de Curitiba e Região andaram na contramão em relação ao Brasil. Com o índice de 1,27%, houve avanço de 0,96% diante de dezembro do ano passado. Essa é a maior taxa mensal para janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%.
No primeiro mês do ano, o que mais pesou no bolso do brasileiro foram os gastos com alimentação e bebidas, que ficaram 2,28% mais caros, e transportes, que subiram 1,77%. Segundo o IBGE, esse aumento nos preços dos alimentos foi o maior desde dezembro de 2002, quando chegou a 3,91%.
Mas não se animem tanto os cidadãos desta pátria-mãe tão distraída. Cada vez que abre a boca para exercitar o populismo incompetente com o qual levou o País à recessão econômica e à crise política e moral, Dilma Rousseff impede que os brasileiros esqueçam sua catastrófica passagem pela presidência da República.
Depois de ter arrombado as finanças públicas com o gasto irresponsável e desenfreado de seu primeiro mandato, Dilma está empenhada agora em buscar mais dinheiro onde, apesar de geralmente escasso, ele ainda parece disponível: o bolso dos contribuintes. Para tanto, construiu uma narrativa revestida de pungente preocupação com a sorte dos desafortunados trabalhadores brasileiros, mas destinada essencialmente a dar um recado: o governo precisa desesperadamente de mais impostos. Para começar, a CPMF.
Do alto de sua empáfia, Dilma afirma: “A grande preocupação do governo é a questão do desemprego. E é por causa disso que nós achamos que algumas medidas são urgentes”. Dá para adivinhar? “Para reequilibrar o Brasil em um quadro em que há queda de atividade, implica necessariamente, a não ser que façamos uma fala demagógica, ampliar impostos. Estou me referindo à CPMF.” E passou a enumerar as admiráveis virtudes do chamado “imposto do cheque”: “Um imposto que se espalha por todos, de baixa intensidade, ao mesmo tempo que permite controle de evasão fiscal e tem um impacto pequeno na inflação, porque ele é dissolvido”. Espertamente, calou-­se sobre a perversidade desse tributo, que incide em cascata sobre linhas inteiras de produção e incide sobre qualquer transação bancária.

 

Trata-­se de pura demagogia populista afirmar que o desemprego é “a grande preocupação” do governo. Desemprego não é causa da crise, é consequência

Pura desfaçatez

Trata-­se de pura demagogia populista afirmar que o desemprego é “a grande preocupação” do governo. Desemprego não é causa da crise, é consequência. Dilma deveria estar mais preocupada, portanto, em corrigir o enorme erro populista de ter tentado impor ao País uma política econômica voluntarista e intervencionista que resultou no desestímulo às atividades produtivas – à criação de riqueza, enfim, o que não depende só do governo, mas, sobretudo, do empreendedorismo da sociedade – e na consequente recessão econômica.
Empregos não caem do céu, a não ser aqueles oferecidos pelo aparelhamento estatal. Dependem de que haja empresas em que sejam necessários. E não de governantes que não confiam na economia de mercado e preferem tirar vantagens políticas e pessoais da associação criminosa com empresários desonestos.
Dilma Rousseff, premida pelas circunstâncias, ensaiou tentativas tímidas e desajeitadas de autocrítica,  mas continua insistindo em tapar o sol com peneira. Admite que há “queda de atividade”, eufemismo encabulado para recessão econômica. Mas só o fez para justificar a necessidade de “ampliar impostos”. Tranquilizem-­se, porém, os brasileiros, porque, como imposto, segundo Dilma, a CPMF incomoda só um pouquinho. O que não elide o fato de que, por mais “pouquinho” que seja para cada cidadão – na verdade, é um tributo excessivamente oneroso –, é o preço adicional que está sendo pago pela incompetência governamental.
Pior, sabe­-se lá onde os bilhões que serão arrecadados serão aplicados por um governo que já demonstrou ter um fraco por “boas notícias”, como exige Lula, o ilusionista, para quem é essencial que Dilma permaneça no noticiário prometendo aquilo que as pessoas querem ouvir.
Dilma pisa feio na bola sempre que fala sem ler. Ao responder a uma pergunta sobre as manifestações públicas de protesto contra o governo, a presidente da República admitiu explicitamente que a convivência democrática com as divergências não é seu forte: “Tratar de democracia tem que se tornar, para nós, uma prática normal”. Talvez ela não venha ter o tempo necessário para isso.

Dilma evaporou

Responsável direta pelo engodo que pretendeu esconder do país o esfacelamento da economia após anos seguidos de incompetência e ganância do petismo, Dilma já não existe.
Ao mesmo tempo em que empurra o PT e ela própria para o fundo mais fundo, a santidade Lula se enrola para explicar o inexplicável. Tríplex no Guarujá e sítio em Atibaia reformados por empreiteiros amigos de conveniência são histórias que não comportam a versão robin-hoodiana que esquerdóides totalitários adoram usar: roubar para salvar os que mais precisam.
Trata-se aqui de aceitar favores pessoais de poderosos com interesses em coisas do Estado. Algo imoral, mesmo que não tenham sido feitos com dinheiro sujo da Petrobras. Sem meias palavras, de locupletar.
Quanto aos 36 anos, o PT esqueceu a política. Convida devotos não para autocrítica, análise ou debate sobre a conjuntura e a crise que corrói o país, mas para um show de Diogo Nogueira e a bateria da Portela. No Rio, terra em que os petistas são poucos, mas em que o aliado PMDB não falha.

A arrecadação do governo federal caiu em janeiro em ritmo semelhante ao visto no ano passado. Segundo dados preliminares, houve baixa de 5%

Em queda livre

A arrecadação do governo federal caiu em janeiro em ritmo semelhante ao visto no ano passado. Segundo dados preliminares, houve baixa de 5% na arrecadação, já descontada a inflação. Caso a receita continue nessa toada, as opções restantes para administrar a penúria se tornarão dramáticas. E não há motivos para acreditar que a arrecadação venha a se recuperar.
Parece ter sido esse o motivo que levou o governo da presidente Dilma Rousseff a adiar para este março o anúncio do plano de contenção de gastos, que talvez coincida com a divulgação de um programa de rearranjo das contas públicas no médio prazo. No curto prazo, contudo, a situação é crítica.
Só para manter o déficit primário no mesmo nível de  2015, seria preciso que o governo cortasse não só na carne, mas também no osso. Considera-se aqui uma medida do déficit que exclui as despesas extraordinárias com o pagamento de pedaladas. Ou seja, de 1% do PIB.
Uma redução de 5% nas despesas equivale, grosso modo, a tudo o que o governo despendeu em investimentos no ano passado. A duas vezes o orçamento do Bolsa Família. Note-se ainda que cerca de 91% dos gastos federais são obrigatórios ou inevitáveis.
Tornou-se imperativo um programa radical de recuperação das contas públicas no médio prazo, sério o bastante para permitir ao menos uma redução dos juros, o que limitaria o crescimento ora explosivo da dívida pública e atenuaria a recessão. Seria uma lenta e penosa recuperação –mas é o que restou.

Não há alternativa

Para que o déficit não seja ainda maior que o do ano passado, o governo terá de talhar despesas de investimento, educação e saúde. Ou seja, paralisar obras, prejudicando a economia; asfixiar universidades e reduzir subsídios educacionais; degradar ainda mais o atendimento em hospitais públicos.
Embora 2016 esteja no início, é difícil encontrar causas que levem a melhorias na arrecadação. No ano passado, a receita federal caiu 6,4% em termos reais, baixa muito maior que a do crescimento do PIB, que deve ter encolhido pelo menos 3,5%.
A arrecadação de impostos depende mais da variação da massa de salários e do consumo do que propriamente do ritmo do PIB. Prevê-se que a recessão de 2016 seja equivalente à de 2015. Mas a queda de salários, do número de empregos e do nível de consumo se acelerou no final do ano passado. Os paliativos para a penúria se tornam cada vez mais irrelevantes. Não há soluções para o rombo no curto prazo.

No fundo do poço

O que mais pode fazer a presidente Dilma para encarar a crise? Falta-lhe credibilidade. Queira ou não, ela foi contaminada pelo PT e pelos escândalos de corrupção, o que lhe imobiliza. Ela não tem condições morais de pedir o que pede, a começar pela reentrada da CPMF para salvar o caixa.
Em vão o ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, faz defesa enfática da presidente, negando a existência de caixa dois na campanha de Dilma. O povo, segundo todas as pesquisas, já não acredita em ninguém que faça parte do governo.
Dilma foi a São Paulo para tratar com Lula dos escândalos em que o ex-presidente se envolveu. Entrou muda no encontro e saiu calada. Nem Lula pediu para que ela o defendesse, nem ela se ofereceu para defendê-lo. Dilma deve achar, e com razão, que tem problemas demais para dar-se ao luxo de arranjar mais um.
Talvez não entenda que apenas políticos e formadores de opiniões, quando querem, distinguem entre ela e Lula. Para os demais, Dilma foi uma invenção de Lula que não deu certo. Ela jamais teria sido eleita se não tivesse sido apresentada como “a mulher de Lula”.
Se Lula sangra, dificilmente Dilma não sangrará. Se ele acabar destruído por seus próprios erros, e pelos erros do PT, sobrará para a presidente. Ou Lula escapa dos fantasmas que o atormentam ou arrastará Dilma com ele para o buraco. Dilma não é nada. Lula já foi tudo.

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